Copa da Inglaterra

Apostas de Guardiola funcionam, City escapa de bloqueio do Chelsea e conquista a FA Cup

Citizens conquistam Copa da Inglaterra pela oitava vez ao derrotar rival de Londres em Wembley

Em crise nesta reta final de temporada, o Chelsea apostou em sua força defensiva para anular o ataque do Manchester City na final da FA Cup. No último encontro entre as equipes, Pep Guardiola conseguiu impor uma derrota por 3 a 0 sobre Liam Rosenior, que vivia seus últimos momentos à frente dos Blues. Neste sábado (16), o roteiro foi diferente: o Chelsea foi superior no que se propôs e criou obstáculos para o rival, só superados a partir das apostas do técnico espanhol.

Antoine Semenyo surge como um herói, a partir de um lance de rara genialidade no segundo tempo. Com os papéis invertidos, Erling Haaland assistiu o atacante, contratado a “peso de ouro” junto ao Bournemouth nesta temporada, que marcou de letra o único gol na vitória por 1 a 0. Aposta de Guardiola, que foi buscá-lo na última janela de transferências.

O atacante ganês, apesar do gol, mostrou dificuldades de passar a linha defensiva do Chelsea. Assim como Jérémy Doku, destaque nesta reta final da temporada. As mudanças na partida — em especial, entradas de Rayan Cherki e Mateo Kovacic — mudaram o panorama do duelo. Somente na reta final, com essas alterações, o City pôde superar a tática montada por Calum McFarlane.

O Chelsea teve chances de abrir o placar, mas esbarrou na ineficiência das peças no ataque, como João Pedro e Cole Palmer, que buscam suas convocações para a Copa do Mundo. Mas conseguiu dar respostas após atuações ruins neste ano, e que resultaram na queda de dois treinadores ao longo do ano.

Manchester City chega à oitava conquista da FA Cup com vitória sobre o Chelsea
Manchester City chega à oitava conquista da FA Cup com vitória sobre o Chelsea (Foto: David Rawcliffe/Imago)

Com a conquista, o Manchester City iguala Liverpool, Tottenham e o próprio Chelsea, com oito títulos cada na FA Cup. Apenas Manchester United (13) e Arsenal (14) têm mais conquistas do que as demais equipes do Big Six. Além disso, a equipe de Pep Guardiola ganha força para a reta final da Premier League, com duas rodadas para disputar.

Na perseguição ao Arsenal, o City volta a campo já nesta terça-feira (19), fora de casa, diante do Bournemouth. Em caso de tropeço, somado à uma eventual vitória do Arsenal diante do Burnley nesta segunda-feira (17), a equipe de Guardiola não terá mais chances matemáticas de se sagrar campeã. Dois pontos separam líder e vice-líder na tabela da Premier League.

Propostas de Manchester City e Chelsea travaram primeiro tempo na decisão da FA Cup

Guardiola promoveu mudanças no time titular para a partida. Além de Erling Haaland e Jérémy Doku, apostou em Omar Marmoush para o primeiro tempo da decisão. Apesar de conseguir criar oportunidades em Wembley — inclusive com um gol anulado do norueguês —, não conseguiu repetir o domínio visto no último encontro entre as equipes, no Stamford Bridge.

Doku e Nico O’Reilly foram os principais alvos do ataque do Manchester City na primeira etapa, pelo lado direito. O Chelsea, por sua vez, conseguiu conter essa ameaça que resultou na derrota por 3 a 0 na Premier League. Além disso, com o retorno de Enzo Fernández, os Blues também atrapalharam a criação de jogadas pelo meio do rival.

Chelsea incomodou ataque do Manchester City na final da FA Cup
Chelsea incomodou ataque do Manchester City na final da FA Cup (Foto: Karl Vallantine/Imago)

João Pedro viveu seu melhor momento no Chelsea sob o comando de Liam Rosenior. Mesmo com a saída do treinador, o atacante ainda é o principal nome das ações ofensivas da equipe. O brasileiro foi um dos poucos a levar perigo ao gol de James Trafford na etapa inicial. Também de um pênalti depois de dividida com Abdukodir Khusanov, mas que não foi assinalada pela equipe de arbitragem.

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Chelsea controlou o Manchester City com domínio sobre o meio-campo

Na reta final do segundo tempo, o Chelsea chegou a ter momentos em que foi melhor do que o Manchester City em campo. Poucas chances claras, entretanto, que levassem real perigo à meta de Trafford. Mas conseguiu crescer e incomodar a equipe de Guardiola.

O roteiro na etapa final foi semelhante: o City iniciou melhor, se colocou no campo do ataque do Chelsea, com a posse de bola, mas não conseguiu a última linha de defesa adversária. Com o passar dos minutos, a superioridade dos Blues no meio-campo igualou as ações ofensivas, ao ponto em que o time montado por McFarlane fosse superior em Wembley.

Mesmo a entrada de Rayan Cherki, destaque no último confronto em Stamford Bridge, não foi capaz de imprimir dinamicidade ao ataque do City. E em desvantagem no meio-campo, Guardiola buscou alterações: Mateo Kovacic entrou no lugar de Rodri, que não entrava em campo desde a vitória para o Arsenal, por 2 a 1, para servir de apoio a Bernardo Silva.

Já Cherki buscou ser um articulador nos últimos dois terços, apoiando as pontas de Doku e Semenyo, e tentando conduzir as jogadas ofensivas do City. Em determinado momento, sinalizou a Marc Guehi qual jogador deveria receber o passe — diante da dificuldade de quebrar as linhas do Chelsea.

Essa dificuldade do Manchester City também se deveu à atuação dos alas do Chelsea. Marc Cucurella e Malo Gusto conseguiram suprimir as ações dos pontas, algo que não ocorreu no último duelo pela Premier League.

Genialidade de Semenyo fura bloqueio defensivo do Chelsea

Semenyo, também por essa dinâmica da partida, pouco conseguiu criar até o segundo tempo. Além de ter dificuldades para superar a marcação de Cucurella, o atacante era menos acionado do que seu companheiro, Doku, no ataque do Manchester City.

Contratado a “peso de ouro” junto ao Bournemouth no início deste ano, Semenyo sempre teve a confiança de Guardiola. Tanto que, quando o treinador promoveu a entrada de Cherki, Marmoush foi o jogador sacado de campo. A decisão, pela circunstâncias da partida, se mostrou acertada.

A entrada de Kovacic já havia alterado a dinâmica no meio-campo. O volante ex-Chelsea, que sofreu com lesões durante a maior parte da temporada, serviu como um “motor” e elo entre a defesa e o ataque, capaz de quebrar esta linha defensiva dos Blues. Sem suprimir o ataque do City, o Chelsea se mostrou exposto. E foi “punido” pela velocidade do rival.

Semenyo marca único gol do City na vitória sobre o Chelsea (Foto: Sean Ryan/Imago)

A partir da defesa, Kovacic, Bernardo Silva e, enfim, Haaland, conduziram a bola pela ponta-esquerda — antes protegida pelo apoio de Cucurella durante a maior parte do jogo. O norueguês, incomodado por nunca ter marcado em Wembley, serviu como assistente para Semenyo. O atacante ganês, com um leve toque de letra, superou Robert Sánchez para marcar o único gol do jogo, aos 26 minutos do segundo tempo.

Mesmo com pouco mais de 20 minutos para disputar, o Chelsea não conseguiu levar perigo à meta de Trafford. Coube ao City inverter os papéis: com a vantagem, foi a vez da equipe de Guardiola impedir o rival de criar chances no ataque. Khusanov e Guehi deram conta da missão, auxiliados por Bernardo Silva e Kovacic logo à frente.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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