Inglaterra

Xabi Alonso x Andoni Iraola: Quem o Chelsea deve contratar?

Blues têm decisão importante para escolher novo treinador; interino comanda equipe na final da Copa da Inglaterra

O Chelsea enfrenta o Manchester City na final da Copa da Inglaterra neste sábado, às 11h (horário de Brasília), mas seria compreensível se os torcedores tivessem preocupações maiores em mente.

Bater a equipe de Pep Guardiola daria aos Blues algo para comemorar depois de um primeiro semestre de 2026 miserável, que os viu cair de favoritos à Champions League para a luta para terminar no top 10. Quando o Chelsea demitiu Enzo Maresca no dia de Ano Novo, o clube estava em quinto na Premier League após 19 rodadas, nove pontos atrás do Aston Villa em terceiro.

O Bournemouth, adversário que Maresca enfrentou pela última vez em um empate em dezembro, estava em 15º lugar naquele momento, sete pontos abaixo dos londrinos. Hoje, na penúltima rodada da temporada, o time de Andoni Iraola está em sexto, com seis pontos de vantagem sobre o Chelsea, que ocupa a nona posição.

Se os dois últimos resultados na liga forem desfavoráveis, os Blues podem cair para fora da metade de cima da tabela.

Vencer Guardiola em um jogo único garantiria uma taça inesperada e uma vaga europeia para a próxima temporada, mas essa alegria seria apenas um curativo sobre feridas profundas. O título encerraria também uma sequência dura de cinco anos sem vitória sobre o Manchester City, que abrange 13 partidas desde a final da Champions League de 2021, além de quebrar uma série de seis derrotas seguidas em Wembley, incluindo três finais da FA Cup e outras tantas da Copa da Liga.

Haveria euforia, mas decisões importantes precisam ser tomadas, a começar pelo próximo técnico para suceder o caótico período de Liam Rosenior.

Xabi Alonso

Xabi Alonso já treinou Real Madrid e Bayern Leverkusen
Xabi Alonso já treinou Real Madrid e Bayern Leverkusen (Foto: Alberto Gardin / Imago)

Um ano atrás, o nome de Alonso teria deixado os torcedores entusiasmados. Mas uma passagem de sentimentos mistos pelo Real Madrid exige cautela.

Ainda assim, há uma crença forte de que o ambiente do Santiago Bernabéu não foi totalmente receptivo às ideias do espanhol. O Real Madrid é historicamente individualista e avesso ao coletivismo, e as disputas internas e grandes egos no vestiário colocaram o ex-técnico do Bayer Leverkusen diante de um desafio enorme desde o início.

O treinador de 44 anos demonstrou variedade tática na capital espanhola, utilizando frequentemente variações de uma linha de quatro que se transformava em um 4-4-2 na posse e, às vezes, em um 3-4-2-1, esquema favorito na Alemanha. Os laterais Alex Grimaldo e Jeremie Frimpong davam amplitude para compor um quarteto ofensivo com dois meias-atacantes e Victor Boniface centralizado. Em Madri, Alonso fez ajustes, mas manteve os princípios gerais com e sem bola.

Ajustes semelhantes seriam necessários no Chelsea: as lesões musculares recorrentes de Reece James limitam sua capacidade de avançar constantemente, e pode não haver um ala adequado para o lado oposto, a menos que Marc Cucurella seja reposicionado para essa função.

O mais importante: a abordagem do Chelsea no mercado, com o técnico tendo pouca influência nas decisões do clube, precisa mudar para dar a Alonso condições minimamente adequadas de trabalho. Do contrário, ele enfrentará mais uma batalha difícil em um ambiente pouco propício.

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Andoni Iraola

Andoni Iraola em jogo do Bournemouth
Andoni Iraola em jogo do Bournemouth. Foto: IMAGO / Pro Sports Images

A maioria dos torcedores se pergunta como o futebol ultra-agressivo e de alta intensidade de Iraola se traduziria para um Chelsea que foi criticado por ser superado fisicamente em 35 partidas consecutivas na liga.

No entanto, os dados de pressão (PPDA, número de passes permitidos ao adversário antes de tentar recuperar a bola) mostram que o Chelsea (10,9) está em quarto lugar nesse quesito, atrás apenas de Brighton (10,0), Arsenal (10,7) e Tottenham (10,8). O Bournemouth de Iraola (11,2) fica ligeiramente abaixo dos Blues.

Embora o Bournemouth esteja em terceiro em recuperações de bola no campo ofensivo por partida (8,67), com o Chelsea em nono nesse índice, os londrinos ocupam a segunda posição em finalizações após recuperações avançadas, à frente do time de Iraola, e lideram a liga na conversão dessas recuperações em chutes a gol.

Isso sugere que o Chelsea é capaz de se esforçar quando necessário, embora a entrega coletiva ao longo de 90 minutos ainda seja questionável.

O Bournemouth converteu nove gols em contra-ataques rápidos (0,25 por jogo), contra cinco do Chelsea (0,14), mas os Blues têm apenas um contra-ataque a menos no total que o time do Dorset.

Há semelhanças estilísticas entre o clube atual de Iraola e aquele que ele poderia comandar. Mas, assim como Alonso, o ex-lateral precisaria de um ambiente muito mais estável para que suas ideias dessem frutos.

Alonso assumiu um Leverkusen que estava na zona de rebaixamento em outubro de 2022 e levou o clube ao título histórico dois anos depois, encerrando 11 anos de hegemonia do Bayern. Iraola, por sua parte, demonstrou capacidade de manter competitividade com alta rotatividade de jogadores, mas o ex-defensor do Athletic Bilbao precisará repetir esse sucesso em um clube do top seis, sob pressão muito maior.

Seja como for, enquanto muitos se concentram no técnico, as perguntas mais difíceis deveriam ser direcionadas à diretoria, cuja gestão afastou os Blues do pelotão de ponta. Nada muda no Chelsea enquanto a cultura não mudar.

Foto de Axel Clody

Axel ClodyColaborador

Axel acompanha de perto todas as principais histórias do mundo do futebol, embora mantenha um carinho especial pelos clubes do norte da França — do Lens ao Lille, passando por Dunkerque — desde que se mudou da região

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