Premier League

Apenas 26% dos torcedores aprovam o uso do VAR no futebol na Inglaterra, segundo estudo

Pesquisa faz parte de um estudo da Premier League sobre a arbitragem e falou com 33 mil pessoas; ideia é melhorar o uso do VAR na próxima temporada

Uma pesquisa feita pela Premier League mostrou que apenas 26% dos torcedores, entre 33 mil consultados, aprovam o atual uso do VAR no futebol. A pesquisa é parte de um estudo sobre a tecnologia da arbitragem, conduzida pela própria Premier League. A ideia é tentar melhorar o uso do VAR e a arbitragem como um todo.

O estudo foi conduzido pela Football Supporters’ Association. A ideia é, em parceria com a Premier League, melhorar o uso do VAR. Os resultados, porém, mostraram que a liga terá muito trabalho. Até porque há pouca margem de manobra para mexer na aplicação, já que o protocolo que existe é gerido pela Fifa, pela International Football Association Board (IFAB).

Segundo os torcedores que vão aos estádios na pesquisa, 95% disseram que o VAR tornou a experiência de assistir ao jogo menos agradável, com 44% deles dizendo que eles estariam menos dispostos a ir a um jogo no futuro como resultado disso. Para os torcedores que assistem pela TV, o resultado foi parecido: 94% disseram que o VAR teve impacto negativo. Os dois grupos concordaram que os dois aspectos mais frustrantes do uso do VAR são nas comemorações de gols e no tempo que se demora para tomar as decisões. Foram mais de 33 mil torcedores consultados pela Football Supporters’ Association, o que torna o estudo o maior já feito com algo do tipo.

“Há um claro sentimento entre os torcedores que o VAR arruinou a espontaneidade das comemorações de gols, e tirou uma grande parte dos momentos mais agradáveis dos jogos”, disse o vice-presidente da Football Suppoerts’ Association, Tom Greatrex. “Nós esperamos que a Premier League e os árbitros ouçam as vozes dos torcedores e tomem medidas urgentes parta melhorar o sistema que não está entregando decisões claras e compreensíveis nos estádios”.

Em 2020, a própria IFAB admitiu que o VAR teve um impacto no fluxo do jogo, o que é inquestionável. Uma pesquisa anterior, encomendada pela BBC, 44% dos torcedores acham que o VAR tornou o jogo pior. Antes, dois terços tinham achado que “tornou o jogo mais chato”. Tudo isso só deixa claro que é mais do que necessário fazer ajustes ao VAR.

O problema é como a Premier League usará os dados que conseguiu através do estudo. A PGMOL (Professional Game Match Officials Limited), que gere a arbitragem, destacou que o tempo para a tomada de decisões pelo VAR diminuiu nesta temporada. Há, porém, diversos problemas, entre eles a discussão sobre a interpretação do toque de mão na bola, algo que a própria IFAB revisou. A Eurocopa, por exemplo, já usará as novas orientações para reduzir os problemas nisso.

Um outro ponto crítico é o impedimento. Há uma sensação de injustiça quando o impedimento é marcado devido a uma axila à frente, e isso, em um local onde o VAR tem alta precisão, tem acontecido. Estão sendo realizados testes para implementar uma tecnologia que automatize o impedimento, além de pensar em mudanças que beneficiaram o ataque em relação ao que deveria ser considerado impedimento.

Uma das grandes reclamações dos torcedores, que é a comemoração, deve continuar a ser um problema. Até porque alguns lances são de impedimentos realmente próximos, ou ajustados, como gostam de dizer os analistas de arbitragem. O Brasil está longe dos problemas da Inglaterra pelos piores motivos possíveis: aqui, a operação do VAR é amadora, incompetente e, em algum grau, burra.

Há uma superinterpretação de alguns lances, especialmente aqueles que não são erros claros e óbvios, como diz o protocolo. O VAR não deveria ser uma revisão de decisões interpretativas, especialmente se o árbitro viu e estava bem posicionado no lance. E até em lances de matéria exata, como o goleiro se adiantar, parece haver uma lupa grande demais em algo que faz pouca diferença. Fica uma sensação ruim no torcedor, como vimos inclusive no jogo do Brasil com o Equador, quando o árbitro mandou voltar a cobrança de Neymar, que tinha desperdiçado o pênalti.

Seja como for, será preciso que o uso do VAR seja sim analisado, estudado e revisado. No Brasil, é preciso começar um pouco antes: é preciso que a operação seja mais clara, transparente ao público na TV e no estádio, algo que não acontece e, antes ainda disso, ter profissionais competentes operando. E nem estou falando dos árbitros, que também precisam melhorar, mas os operadores técnicos. Porque só aqui temos um erro de pane no VAR ou algo assim. O VAR é uma interferência grande e, por isso, precisa ser aprimorado. Mas o dia que chegarmos ao nível da Inglaterra de uso do VAR, que ainda é ruim, mas é muito melhor que aqui, teremos menos problemas.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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