Premier League

Dois terços dos torcedores da Premier League acham que o VAR deixou o futebol “mais chato”

A Premier League demorou mais que suas ligas homólogas na Europa para implementar o VAR, trazendo nesta temporada um sistema inicialmente mais elogiado do que os de outros países. O bom começo, no entanto, logo se transformou em frustração, e uma pesquisa do YouGov, divulgada nesta semana, mostra que dois terços dos torcedores da primeira divisão inglesa acreditam que a tecnologia deixou o jogo “mais chato”. Diretor-executivo da Premier League, Richard Masters descartou a exclusão do assistente de vídeo, mas reconheceu que ele precisará de melhorias para a próxima temporada.

[foo_related_posts]

Em entrevista à BBC, o CEO reconhece as imperfeições da utilização da tecnologia, mas a defende de quem a tem considerado danosa: “Não acho que o VAR tem sido prejudicial, mas aceito que precisa de melhorias. Descartá-lo não é uma opção. O que temos que fazer é tentar melhorá-lo”.

Masters ao menos demonstrou abertura para diálogo, revelando que a liga deverá conversar com os clubes para se chegar a um denominador comum sobre a utilização do VAR na competição. “Teremos um debate sobre qual tipo de VAR eles gostariam de ter na próxima temporada e quais melhorias podem ser feitas no sistema.”

O CEO adianta que mesmo a próxima temporada não trará um produto final sem imperfeições. “Será um trabalho em andamento nesta temporada e na próxima, à medida que tentamos reequilibrá-lo, de forma que tenhamos o lado positivo da melhor tomada de decisão e menos percepção dos lados negativos, sobre atraso e, por vezes, confusão”, projetou.

Entre reclamações pontuais sobre erros ou interpretações problemáticas de lances, a queixa principal e mais constante nos primeiros meses de VAR na Inglaterra tem sido à fé quase plena dos árbitros nas decisões sugeridas pelos assistentes na cabine de vídeo. Diferentes atores do futebol inglês, incluindo comentaristas na imprensa, reclamam do fato de os árbitros não irem até o telão na beira do campo checar os lances.

No mês passado, a associação de árbitros da Inglaterra incentivou os profissionais a fazerem uso dos monitores presentes ao lado do campo. A tela foi usada pela primeira vez na Premier League apenas em 18 de janeiro, na vitória do Norwich por 1 a 0 sobre o Bournemouth, um dia depois da recomendação nova.

Apesar dos problemas, Richard Masters, que assumiu o cargo de CEO apenas em dezembro de 2019, frisou os bons números de precisão da arbitragem com o uso da tecnologia.

“Em incidentes-chave, estamos em 94% de precisão com os árbitros e 97% com seus assistentes, então estamos vendo um impacto nos resultados e um impacto positivo na tabela.”

Por fim, ele indica que a tecnologia não tem danificado a imagem da Premier League, ao mesmo tempo em que reconhece os principais pontos de controvérsia.

“Obviamente, existem problemas com a consistência da tomada de decisões e com os atrasos, o que as pessoas não gostam. Mas não acho que o VAR esteja prejudicando o produto. Os públicos estão subindo, a audiência na TV também, a saúde da Premier League está muito boa.”

É um pouco frustrante à liga ter demorado tanto para implementar a tecnologia só para evitar problemas vistos em outros países e, ainda assim, enfrentar esta repercussão negativa. De qualquer forma, seus organizadores têm se mostrado o tempo todo abertos a rediscutir os termos, assumindo os problemas. Este é o primeiro passo para de fato melhorar o sistema.

Mostrar mais

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo