Premier League

A quarta-feira recheada no Aston Villa também garantiu o anúncio de Danny Ings para o ataque

Protagonista do Southampton nas últimas temporadas, Ings aumenta o poder de fogo do Villa, após a vinda de Leon Bailey

A saída de Jack Grealish do Aston Villa parece cada vez mais próxima. E o que indica isso não são apenas os rumores na imprensa inglesa, mas também as próprias atitudes dos Villans. A quarta-feira gorda no Villa Park começou com o anúncio de Leon Bailey e se tornou mais completa com a vinda de Danny Ings. O centroavante foi confirmado pelo clube de Birmingham em compra definitiva, com o custo estimado de €35 milhões. Destaque do Southampton, o atacante de 29 anos assinou por três temporadas com sua nova equipe.

Danny Ings recuperou sua carreira em alto nível desde sua transferência ao Southampton. O centroavante tinha sido um dos responsáveis por impulsionar o Burnley da Championship para a Premier League. Tal sucesso o levou para o Liverpool, onde não conseguiu emplacar, até pelos sérios problemas físicos. No entanto, baixar um degrau rumo aos Saints fez bem ao camisa 9. Ele pôde recuperar sua sequência e principalmente sua confiança. Virou um dos atacantes mais efetivos da Premier League no Estádio St. Mary’s e se mostrou como um jogador de equipe, importante para o funcionamento coletivo do Southampton.

O melhor de Ings aconteceu em 2019/20, com os 22 gols anotados na Premier League. A temporada passada teria uma queda do atacante, atrapalhado pelas lesões, embora tenha feito o Southampton lutar pelas primeiras colocações no início do campeonato. Foram 12 gols anotados, além de quatro assistências em 29 partidas. Consolidou-se como uma figura de relevo no Estádio St. Mary’s, inclusive voltando brevemente às convocações da seleção inglesa no final de 2020. Todavia, não aceitou a oferta para renovar seu contrato, mesmo podendo se tornar o jogador mais bem pago da história do Southampton. Com um ano a mais de vínculo, era um nome despontando no mercado, até pela necessidade dos Saints em não perdê-lo de graça.

Se imaginar a volta de Ings para um clube do porte do Liverpool parecia difícil, até por sua idade, o Aston Villa representa um salto em termos de perspectivas. Os Villans demonstram enorme ambição depois da boa campanha na temporada passada e parecem incluir o centroavante nestes planos de crescimento. O camisa 9 provavelmente não desfrutará do protagonismo que tinha no Southampton, mas é um jogador para garantir mais consistência ofensiva no Villa Park. E, segundo o jornal Guardian, preferiu uma transferência para Birmingham do que a oferta realizada pelo Tottenham.

Ings poderá ser usado como homem de referência no ataque ou então jogar ao lado de outro centroavante. Nesse sentido, o técnico Dean Smith aumenta suas opções táticas e suas próprias alternativas para a escalação titular. Ollie Watkins foi uma das principais figuras do Aston Villa na temporada passada e permanece com moral, sendo o favorito para se combinar com Ings. O elenco também conta com a opção do brasileiro Wesley, que voltou no fim da temporada passada após longo período se recuperando de lesão, embora não tenha justificado ainda o alto investimento feito pelos Villans. De qualquer maneira, as possibilidades de variação são grandes no Villa Park.

Durante o anúncio do reforço, o técnico Dean Smith exaltou a contribuição que Ings pode garantir por seus gols, assim como por sua liderança nos vestiários e seu exemplo dentro do clube: “Ings é um jogador fantástico que marcou gols em todos os clubes pelos quais passou. Ele também é um profissional de primeira, com um grande caráter, que será uma liderança dentro de nosso elenco e também um exemplo aos jogadores da base”.

Até o momento, o Aston Villa voltou seus investimentos na temporada para o setor ofensivo. O clube já tinha buscado de volta o ídolo Ashley Young, que nos últimos tempos se firmou como lateral esquerdo, ainda que tenha se consagrado no Villa Park como um meia criativo. A diretoria também garantiu a vinda de Emiliano Buendía, melhor jogador da última Championship pelo Norwich, e também apostou em Leon Bailey, um nome importante do Bayer Leverkusen durante os últimos anos. Os dois pontas, juntos com Danny Ings, custaram cerca de €105 milhões aos cofres do clube.

Em contrapartida, a venda de Grealish ao Manchester City é cotada em €100 milhões, o que cobriria o caixa. E se o craque do Aston Villa muitas vezes carregou o time na temporada passada, sua lacuna será preenchida por três jogadores com boas condições de brilhar em Birmingham – junto com outros que permanecem por lá. Ollie Watkins, Wesley, Anwar El Ghazi, Bertrand Traoré e Trezeguet ampliam ainda mais as perspectivas dos Villans, que parecem desejar uma campanha na metade superior da tabela e, quem sabe, voltar às copas europeias.

Os negócios indicam que o Aston Villa não está de brincadeira no mercado, por mais que a saída de Grealish pareça insubstituível, por seu talento e por sua própria representatividade no clube. Tal iniciativa de já apresentar as novas estrelas antes da saída do ídolo tende a atenuar a insatisfação dos torcedores pela venda. E vale lembrar que os Villans também têm dinheiro em caixa através de seus donos, entre os mais ricos do campeonato. Acionista majoritário ao lado do egípcio Nassef Sawiris, o americano Wes Edens deve iniciar a nova campanha empolgado, depois de contribuir à conquista do Milwaukee Bucks na NBA.

É ver se o Aston Villa também tentará encorpar um pouco mais o seu setor defensivo. Emiliano Martínez, Tyrone Mings, Ezri Konsa e Douglas Luiz devem iniciar a nova temporada em alta, mas um reforço ou outro para auxiliar no equilíbrio e dar mais profundidade ao grupo auxiliaria bem. Dean Smith fez uma campanha surpreendentemente boa em 2020/21 depois de livrar o time do rebaixamento no retorno à Premier League em 2019/20 e agora terá a missão de desenvolver o futebol coletivo dos Villans sem mais seu protagonista. Mecanismos para repensar a equipe não devem faltar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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