Premier League

Depois de dez anos, será interessante ver o retorno de Ashley Young ao Aston Villa, onde viveu seu auge

Young atravessou seus melhores anos no Aston Villa, quando ajudava o clube a fazer boas campanhas na Premier League

Ashley Young não é dos jogadores que ganharam o maior número de fãs em suas passagens por Manchester United e Internazionale. Chegou a ter uma boa temporada de estreia em Old Trafford e serviu bem como um coringa no San Siro, mas abaixo das expectativas que um dia gerou no Aston Villa. E por isso mesmo vai ser interessante o reencontro do veterano com o Villa Park, dez anos depois de sua saída. Nesta semana, Young foi anunciado como reforço dos Villans para a próxima temporada, chegando sem custos ao fim de seu contrato na Itália. Num clube com expectativas menores e onde escreveu uma bela história no início de sua carreira, as chances de deixar uma marca mesmo aos 35 anos são consideráveis.

Young não é uma cria do Aston Villa, mas sua relação com o clube vai além da formação. O meia começou no Watford, com o qual conquistou o acesso à Premier League. No inverno de 2007, arrumou as malas e se mudou para Birmingham. A partir de então, virou uma referência nos Villans que faziam boas campanhas na elite inglesa. O meia criativo e com muita qualidade para bater na bola brilhou no Villa Park por quatro temporadas e meia. Virou um dos jogadores mais efetivos da competição, a ponto de fazer Sir Alex Ferguson investir em sua compra. Todavia, aquela magia de sempre no Aston Villa não se repetiria muito no Manchester United.

Ashley Young disputou 190 partidas com a camisa do Aston Villa. Anotou 38 gols e distribuiu 59 assistências. Em quatro anos e meio, produziu mais tentos com os Villans do que somando seus dez anos com United e Inter. Mais importante, liderou boas campanhas no Villa Park. O Aston Villa emendou três temporadas na sexta colocação da Premier League, se classificando em todas elas à Liga Europa. Também seria semifinalista da Copa da Inglaterra e vice-campeão da Copa da Liga. A saída do meia, de certa maneira, se combinou com a derrocada em Birmingham. O time passou a rondar o rebaixamento, caiu e só voltou em 2019/20. Mesmo que a campanha passada tenha sido positiva, ainda não repetiu os patamares dos tempos de Ashley Young.

A passagem pela Internazionale também foi importante a Young. Mesmo não sendo um protagonista na equipe, serviu como um bom coadjuvante no esquema de Antonio Conte. Ajudou na ala esquerda do time e teve um bom desempenho especialmente na primeira temporada. Não seria tão participativo na campanha do Scudetto, mas tem sua parte no retorno do clube ao topo da Serie A. Com a missão cumprida e aos 35 anos, chegou a hora de se despedir e retornar para casa. O Aston Villa receberia de braços abertos quem contribuiu tanto com os sucessos da equipe não faz tanto tempo.

Ashley Young deverá se readaptar no Villa Park. É ver como será a sua utilização, se como o lateral esforçado ou como o meia criativo de seu auge. De qualquer maneira, a liderança e a experiência são as maiores virtudes que poderá adicionar ao elenco do Aston Villa. Num clube com níveis de exigências menores, mas ávido a voltar para a metade superior da tabela, o veterano poderá oferecer sua contribuição. Terá o seu espaço e muito provavelmente elevará a percepção ao seu redor, quem sabe para resgatar aquela qualidade expressa em seus primórdios em Birmingham.

“É uma sensação incrível estar de volta. Até parece que nunca saí. Estou muito contente em estar de volta, ver alguns rostos conhecidos, retornar ao centro de treinamentos, ver as instalações e perceber como o clube cresceu bem. Você pode perceber a evolução desde a minha época e estou pronto para trabalhar”, comentou Young, à VillaTV. “Acho que alguém disse que estou voltando para o fim da carreira, que não tenho mais fome de bola e que será um canto do cisne. Este não sou eu. Ainda tenho aquela mentalidade vencedora, aquela atitude e desejo de entrar em campo e ganhar”.

O Aston Villa já tinha realizado uma contratação interessantíssima nesta janela, ao tirar do Norwich o ponta direita Emiliano Buendía, melhor jogador da última Championship. A chegada de Ashley Young aumenta o leque de opções e pode até desafogar Jack Grealish, se o meia seguir no Villa Park. Será interessante de ver a progressão dos Villans, ainda mais com a volta de um velho ídolo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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