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O encanto de Ranieri continua e banco de reservas brilha na vitória do Leicester

Um dos mantras que muitos de nós repetimos todos os anos quando falamos de campeonatos me pontos corridos é que as equipes precisam ter elenco. Eventualmente, o banco de reservas será necessário. Por isso a preocupação antes do jogo no estádio do Leicester era justificável. O time tinha um desfalque fundamental, o seu artilheiro Jamie Vardy. Por sorte – ou destino -, o adversário não era dos mais temíveis, o Swansea. E foi justamente o substituto do camisa 9 quem mais brilhou no jogo. Leonardo Ulloa, com dois gols, ajudou o Leicester a vencer por 4 a 0 e seguir em uma campanha inacreditável, na liderança da Premier League. Mas não foi só ele: o banco de reservas todo ajudou o Leicester a vencer pela 22ª vez em 35 jogos.

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Uma das características do Leicester nesta temporada é ter um time titular bem definido e fazer poucas alterações na escalação dos 11 que começam cada partida. Havia tensão no Estádio King Power. Entraram em campo Jeffrey Schlupp no lugar de Albrighton, deixado no banco por opção do técnico Claudio Ranieri, e Leonardo Ulloa, com a dura missão de substituir um Vardy em grande fase. Nenhum dos dois decepcionou.

Mais do que isso, os jogadores que vieram to banco brilharam. Tanto os escolhidos para começar o jogo, substituindo os titulares, quanto os que entraram durante o segundo tempo. Mas a história do jogo começou com um dos grandes nomes do Leicester na temporada, um titular absoluto e escolhido para o time do ano: Riyad Mahrez.

O zagueiro Ashley Williams saiu jogando errado aos 10 minutos, Mahrez interceptou a bola e, livre, puxou para o pé esquerdo para finalizar. Leicester 1 a 0. Com a responsabilidade de vencer o jogo, o Leicester atuou ao seu estilo: pouca posse de bola e velocidade para chegar ao ataque. E veio o segundo gol aos 30 minutos, desta vez com o substituto de Vardy, o argentino Leonardo Ulloa. Em uma cobrança de falta de Daniel Drinkwater, o argentino tocou de cabeça para marcar, aproveitando justamente uma das suas melhores características.

Já no segundo tempo, foi a vez de outro jogador que usualmente fica no banco brilhar. Schlupp normalmente entra no segundo tempo para render um dos titulares, que correm demais. Desta vez, ele correu desde o começo. E foi aos 15 minutos da etapa final que protagonizou o lance do terceiro gol. Ele arrancou pelo lado esquerdo e tentou tocar para Ulloa. O zagueiro Williams se jogou na bola e desviou. Por sorte, a bola ainda continuou com Schlupp, que tocou para Ulloa. O argentino teve que se jogar na bola para alcançar, já quase em cima da linha, e marcar mais um.

Já era um placar incomum para o Leicester, mas a magia continuava. Shinji Okazaki deixou o gramado para a entrada de Demarai Grey. Entraram também Andy King no lugar de Ulloa e Marc Albrighton, justamente um titular do time que começou no banco, entrando no lugar de Schlupp. Os três tiveram participação no último gol do jogo.

Partindo em um contra-ataque rápido, Gray correu com a bola pela direita e arrancou o cruzamento na segunda trave. King, que já tinha perdido uma chance, cabeceou muito mal. A bola não foi para frente, foi para o lado. Grey pegou o rebote, o goleiro espalmou para o meio. Então, sobrou, no meio da área, para Albrighton finalizar para estufar as redes. Um gol que transforma a vitória por placar clássico em goleada.

Mais uma vez, o Leicester brilha. Desta vez, com os seus reservas. Aquele elenco que ninguém poderia imaginar que seria capaz de brigar com os grandes pela taça passou a ser o que consegue vitórias incríveis, importantes e com autoridade. O Leicester é o time que melhor corre com a bola na Premier League, dada a pouca posse de bola que o clube costuma ter. Neste jogo contra o Swansea, por exemplo, só teve 39,6% da posse. Fez 4 a 0. Poderia até ter feito mais.

Claudio Ranieri continua iluminado e viu as suas três alterações participarem diretamente da vitória. O Leicester vive uma história que não tem comparação. Ranieri talvez se belisque todos os dias imaginando que tudo pode acabar quando acordar. Mas a história é real. O sonho é de olhos abertos. E os torcedores dos Foxes estão cada vez mais perto do título. Faltam só três jogos para o fim. Com mais cinco pontos nos últimos três jogos, o Leicester garante a taça sem depender de ninguém. A esta altura, quem irá duvidar?

Veja os gols:

 

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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