InglaterraPremier League

Leicester tem razão a mais para ser campeão: Honrar a memória de seu torcedor mais especial

Tony Skeffington não reclamou de seu destino. Em março do ano passado, o australiano de 51 anos descobriu que não tinha muito tempo de vida. Seu médico lhe deu mais quatro semanas, diante do estágio avançado de seu câncer. O torcedor do Leicester, no entanto, teve o gosto de seu time fazer história. Acompanhou a saga das Raposas para evitar o rebaixamento e, contrariando o prognóstico, conseguiu assistir à maior parte da saga na atual temporada da Premier League. As quatro semanas se transformaram em mais de um ano, e a luta dos jogadores em campo se tornou até mesmo motivo de inspiração para o paciente. No entanto, a quatro rodadas do fim da Premier League, Skeffington não resistiu. Faleceu nesta segunda, depois de ver o empate contra o West Ham.

VEJA TAMBÉM: Como o Leicester, torcedor com câncer desafiou probabilidades e luta também para se ver campeão

“Ele sentou com os três filhos para assistirem juntos ao jogo do Leicester. Ele pulou para cima e para baixo quando Vardy marcou o gol. Tony não estava mais conseguindo andar, o que nos chocou ao vê-lo levantar. Ele não pôde dizer muito, mas sua última voz foi usada assistindo ao jogo do Leicester, vestindo um cachecol do clube. Ele usou todas as suas energias na última partida. Ele estava falando com seus filhos e sua filha sobre a arbitragem e a partida. A partir de então, não se sentiu bem, até seu falecimento”, declarou sua esposa, Donna, em entrevista ao Leicester Mercury. “Ele viveu e respirou o Leicester. Torcerá por eles lá de cima agora”.

Embora morasse em Adelaide, Skeffington se tornou um ávido torcedor do Leicester na infância. Ele tinha o sonho de conhecer o Estádio King Power, mas o estado de saúde não permitiu. Em compensação, quando sua história ganhou as manchetes na Inglaterra, o australiano recebeu uma flâmula autografada pelo meio-campista Andy King – o único presente no elenco desde o acesso na terceira divisão. Além disso, o torcedor também faturou com sua paixão. Ele apostou A$ 20 no título do clube. Com o resgate antecipado, ele embolsou A$ 35 mil (cerca de R$ 95.550) na casa de apostas.

O casal tinha um gato chamado Leicester, falecido em janeiro. Pouco antes da morte de Tony, Donna lhe contou que havia adotado um novo: Filbert, em homenagem a Filbert Street, estádio das Raposas entre 1891 e 2002. “Antes de seu último suspiro, eu disse que o amava muito, que ele poderia descansar em paz. Ele era o meu mundo. Foi um homem excepcional, inteligente, íntegro e leal. Eu me sinto vazia sem ele”, complementou a esposa.

Policial aposentado, Skeffington passou a torcer pelo Leicester ainda na juventude, quando recebeu cards de jogadores do clube de um amigo inglês. Além disso, sua família tem conexões com Leicestershire, presente em seu sobrenome. O caixão do australiano será coberto por uma bandeira estilizada do clube, enquanto o seu epitáfio dirá: “Tony Skeffington, um clube, um amor”. Exemplo de dedicação que poderá servir de motivação aos jogadores. E que merece ser homenageada no Estádio King Power.

tony

tony1

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo