Inglaterra

Por que o técnico ideal para o Manchester United pode estar na Bundesliga?

Mudar o foco na contratação de um treinador seria interessante para os Red Devils tentarem solucionar longa crise de vez

O Manchester United deve contratar treinador interino para comandar a equipe até o final da temporada e depois dedicar esforços a acertar com um nome em definitivo. A estratégia garante mais tempo à diretoria na tomada de decisão, o que sugeriria uma escolha mais assertiva. Neste sentido, vale olhar com carinho para a Bundesliga.

Um olhar com carinho mesmo. Vincent Kompany está em alta, mas certamente não vai deixar o Bayern de Munique, e Niko Kovac não abre mão de ter no Borussia Dortmund o sistema de três defensores que muitos Red Devils sentem calafrios só de lembrar e não querem de herança da era Ruben Amorim.

Mas há outros profissionais que têm feito bons trabalhos no futebol alemão e podem ser interessantes no Manchester United.

Após anos de trocas na área técnica mais fundamentadas em nomes em evidência no cenário europeu, talvez a rota ideal do clube seja buscar um comandante minimamente experiente, que dá resultados, mas ainda não tem todos os holofotes para si no Velho Continente.

3 promissores técnicos da Bundesliga que mereceriam atenção do Manchester United

Uma das opções seria Dino Toppmoller, de 45 anos. Técnico do Eintracht Frankfurt desde 2023, o alemão tem no currículo o cargo de auxiliar do Bayern de Julian Nagelsmann e também foi assistente do compatriota no RB Leipzig.

Possui muita experiência com jovens talentos, o que poderia ajudar no desenvolvimento e lançamento de joias do United no time profissional. O zagueiro brasileiro Tuta e os atacantes Omar Marmoush e Hugo Ekitiké foram alguns atletas “lapidados” pelo comandante.

Toppmoller gosta de montar sua equipe muito orientada ao ataque. No primeiro ano à frente do Eintracht Frankfurt, o time marcou 51 gols na Bundesliga, número que subiu para 68 em 2024/25.

Esse fator se tornou uma dor de cabeça particular na campanha atual porque o ímpeto ofensivo gerou fragilidades defensivas. Um ajuste aqui e outro ali tem proporcionado ao clube ter mais equilíbrio.

O alemão adota 3-4-2-1, 4-2-3-1 ou 4-3-3, a depender do que considere que a partida exige. Tais atributos evidenciam a disposição dele em mudar o que for necessário em prol do bom desempenho coletivo.

Dino Toppmoller, técnico do Eintracht Frankfurt
Dino Toppmoller, técnico do Eintracht Frankfurt (Foto: Imago)

Outro destaque no país é Sebastian Hoeness, do Stuttgart. O treinador passou pelas categorias de base do RB Leipzig e do Bayern de Munique antes de assumir o Hoffenheim em 2020.

Ele ficou no Hoffe até o fim da campanha 2021/22 e chegou ao Stuttgart para substituir Bruno Labbadia no meio da temporada 2022/23. Um dos pontos favoráveis ao acerto foi a experiência com jovens talentos.

O contrato terminaria em 2025, mas o trabalho do alemão de 43 anos naturalmente agradou à diretoria, que estendeu o vínculo até 2028.

Sebastian Hoeness, treinador do Stuttgart
Sebastian Hoeness, treinador do Stuttgart (Foto: Imago)

Quando Hoeness assumiu, o time lutava contra o rebaixamento e tinha poucos jogos para evitar o descenso. Ao ficar em 16º, precisou enfrentar o playoff e se manteve na elite por superar o Hamburgo.

Sem grandes expectativas após brigar para não cair, a campanha seguinte do Stuttgart surpreendeu. A equipe foi vice-campeã alemã, atrás apenas do Bayer Leverkusen na tabela.

Em 2024/25, Hoeness conduziu o time ao primeiro título desde 2007 com a conquista da Copa da Alemanha.

Em relação ao esquema tático, o técnico costuma variar entre o 4-2-3-1 e o 3-4-2-1.

Uma possibilidade ainda mais alternativa — e pouco provável — seria Ole Werner, um jovem treinador promissor e em alta no futebol alemão. Após passar quase quatro anos no Werder Bremen e manter o clube sólido na Bundesliga, o técnico de 37 anos foi escolhido pelo RB Leipzig em 2025/26.

Ele costumava usar sistemas 3-5-2 ou 3-4-3 enquanto estava no Bremen ou na passagem pelo Holstein Kiel, mas ressaltou o desejo por implementar 4-3-3 na Red Bull Arena para ter um grupo cada vez mais orientado ao ataque.

Além disso, rechaçou uma ideia reativa. “Não seremos um time que espera que o adversário jogue a bola nos nossos pés”, garantiu ele ao assumir.

Ole Werner, técnico do RB Leipzig
Ole Werner, técnico do RB Leipzig (Foto: Imago)

Sua postura na beira do campo não é exacerbada, e suas metodologias se concentram em aprimorar os atletas que têm à disposição. O perfil aliado aos ideais táticos “flexíveis” seria um rumo interessante a seguir em Old Trafford.

No entanto, é bem possível que o clube inglês prefira um técnico que já tenha atuado em torneios continentais e seja “mais provado” em uma das grandes ligas da Europa. Neste contexto, Hoeness e principalmente Toppmoller têm o necessário.

Investir em um desses nomes sinalizaria mudança de mentalidade do Manchester United no mercado de treinadores e poderia ser crucial ao time em projeto a longo prazo. Contudo, por ora, nada indica que a diretoria pretende adotar um caminho diferente do que já tem feito.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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