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Lineker traduz o sentimento da torcida do Leicester, a cinco jogos do título: “É excruciante”

Mais uma rodada do Campeonato Inglês, mais sofrimento, e mais uma vitória do Leicester. O torcedor que aguarda há décadas que o seu time seja campeão nacional, tendo poucas vezes realmente acreditado nisso, vê a glória cada vez mais próxima. Faltam cinco rodadas. Faltam três vitórias. E o sentimento diante desse cenário não poderia ser outro: dor, muita dor, muita angústia, um pouco mais de dor, e uma ansiedade sem precedentes. Ou como Gary Lineker, ídolo e grande torcedor do clube, resumiu em uma palavra.

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“É excruciante”, afirmou o ex-atleta, que marcou 103 gols em 216 jogos pelo Leicester, em entrevista ao Guardian. O seu sentimento e o do resto do mar azul que leva o time de Ranieri em frente explica-se por dois motivos. Primeiro, ninguém nunca achou que havia uma chance. Principalmente Lineker, que em dezembro prometeu apresentar de cuecas o primeiro programa Match of the Day da próxima temporada, o mais famoso show esportivo da televisão inglesa, se os Foxes fossem campeões. “Naquele momento, eu categoricamente sabia que não havia nenhuma chance disso acontecer. Zero chances”, explicou.

Agora, há muitas chances. São sete pontos de vantagem para o segundo colocado, a cinco rodadas do final. Uma vantagem que serve apenas para intensificar o desespero. Imagina chegar tão próximo do seu primeiro título inglês em 132 anos de história e não vencê-lo? Desperdiçar a chance única de alcançar um feito desses, ainda mais em uma época pouco propensa a surpresas no futebol inglês? Como o próprio Lineker, jogador de Copa do Mundo, escreveu em uma coluna para o Guardian, “eu não acho que eu já tive tanta vontade que algo acontecesse no mundo esportivo em toda minha vida”. Afinal, caso o pior aconteça, não é que o Leicester pode simplesmente levantar, sacudir a poeira e tentar novamente na próxima temporada.

“Acho estranho quando as pessoas dizem que o ‘Leicester pode ficar nervoso na reta final’. Isso não acontece com os jogadores. E você pode perceber olhando para o rosto deles: estão se divertindo. Mas, se perderem o embalo, podem perder a confiança, as coisas podem começar a dar errado. Não podem simplesmente continuar fazendo isso e ganhar de uma vez, ser campeão a três jogos do final. Não funciona dessa maneira”, disse.

O segundo problema é que o Leicester não tem muito espaço de manobra. A vitória sobre o Sunderland no último domingo só não foi a nona por 1 a 0 da campanha porque Vardy ampliou o placar nos últimos minutos. Depois que a liderança foi assumida, todo jogo virou uma epopéia. “Eu estava em Barcelona no fim de semana e levei meus quatro filhos. Três torcem para o Leicester, e mesmo George, que é torcedor do Manchester United, não está mais resistindo. Acabamos indo para um pequeno restaurante marroquino, o único que conseguimos encontrar que tinha uma televisão. E vencíamos por 1 a 0 e estávamos todos passando por um verdadeiro inferno. É que nem um grande filme ou uma comédia: tão tenso que é difícil de assistir”, resumiu.

A bela entrevista também trata do Twitter, do qual é um grande usuário, racismo, Cristiano Ronaldo de cuecas (juro por Deus), Joey Barton e doping no futebol inglês. Vale dar uma lida.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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