Inglaterra

Guia da Premier League 2021/22 – Manchester City: Um gênio revitalizado

Após resistir à tempestade como apenas os melhores campeões conseguem, o City busca retomar também o sublime com um mercado agressivo

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Cidade: Manchester
Estádio: Etihad Stadium (55.017 pessoas)

A temporada passada – 1º lugar

Começo com um mea-culpa. Em novembro do ano passado, escrevi que o Manchester City era um time “vulnerável e em processo de transição”, única e exclusivamente porque parecia ser. Por sorte, acrescentei que Guardiola é o “melhor treinador de todos os tempos” e que “encontrar soluções é o que ele faz” e… bom, foi exatamente o que ele fez.

Após conquistar duas vezes a Inglaterra somando quase 200 pontos, o Manchester City teve uma temporada que realmente foi perdida em 2019/20. A arrancada do Liverpool que ganhou 26 das primeiras 27 rodadas também tirou um pouco da motivação porque tanto faz ser segundo colocado a 18 pontos do líder ou a nove pontos do líder.

Mas houve problemas também em competições que ainda estavam ao alcance, especialmente na derrota para o Lyon na Champions League. A falha fatal do sistema de Guardiola estava exposta, era fácil contra-atacar o time dele, a pressão não estava funcionando como antigamente. Em mãos, tinha um elenco em transição, sem bandeiras como Vincent Kompany e David Silva, com Sergio Agüero longe do seu melhor. Os problemas se estenderam para o começo da última temporada.

O City levou 5 x 2 do Leicester, perdeu do Tottenham de José Mourinho e emendou cinco rodadas em que não conseguiu fazer mais do que um gol. Além das falhas defensivas, o ataque também não estava engrenando. O ponto de inflexão foi o empate por 1 x 1 com o West Brom, em 15 de dezembro. A partir dali, foram 15 vitórias seguidas, e o Manchester City tomou de assalto um título que ainda estava muito em aberto.

O que mudou? Guardiola adaptou o seu estilo de marcação, sem necessariamente pressionar o tempo todo, às vezes defendendo mais para trás, às vezes até abrindo mão da posse de bola. Deu certo, ainda mais com a fase exuberante de Rúben Dias. Abriu mão de vez de um centroavante, colocou Phil Foden como um dos pontas e usou Gündogan na região que David Silva ocupava, mas com a função de entrar na área. O alemão foi o artilheiro do time na Premier League, com 13 gols.

Além do título inglês, vieram o tetracampeonato consecutivo da Copa da Liga Inglesa e a primeira final de Champions League da história do Manchester City. Apesar da derrota para o Chelsea, a tempestade passou. De um time “vulnerável”, Guardiola agora tem uma base muito sólida sobre a qual construir o seu segundo grande Manchester City e está atacando o mercado com agressividade para acelerar o processo.

Mercado 

Principais chegadas: Jack Grealish (Aston Villa)
Principais saídas: Angeliño (RB Leipzig), Jack Harrison (Leeds), Lukas Nmecha (Wolfsburg), Sergio Agüero (Barcelona), Eric García (Barcelona),

O presidente do Manchester City, Khaldoon Al Mubarak, havia prometido grandes investimentos porque “seria um erro ficar satisfeito quando se está no topo” ou qualquer baboseira corporativa como essa. Desde sempre, concentrou-se em dois nomes – do que talvez tenha se arrependido quando Lionel Messi ficou livre no mercado. Um deles já foi contratado. Jack Grealish tem potencial de ser um jogador perfeito para o estilo de Guardiola. Experiente, criativo, percorre o campo inteiro, pode atuar pelos lados ou mais centralizado e tem talento suficiente para dar aquele toque de classe que vinha faltando desde o começo do ocaso de David Silva.

O segundo nome é Harry Kane. Houve um breve interesse por Haaland, mas rapidamente ficou claro que o Borussia Dortmund não o venderia de jeito nenhum. Acredita que a resiliência do Tottenham é menor, mas está difícil convencê-lo a abrir mão do capitão da seleção inglesa – e do próprio Totenham – ainda com três anos de contrato. Kane pulou a primeira semana em que deveria se reapresentar após a Eurocopa e as férias para tentar forçar a mão de Daniel Levy. A má notícia ao City é que a mão de Daniel Levy raramente é forçada.

O elenco

Ederson teve uma temporada brilhante que justificou ter assumido a titularidade da seleção brasileira no mata-mata da Copa América. Passou segurança a uma defesa que foi quase da água para o vinho, com Kyle Walker, outro que teve uma campanha muito impressionante, Rúben Dias, o melhor zagueiro da Premier League, John Stones e João Cancelo como lateral esquerdo construtor, sempre entrando pelo meio. Quando Guardiola queria um pouco mais de contenção, escalava Zinchenko.

Apesar de ter tido algumas partidas importantes em campo, Fernandinho teve um papel mais de liderança porque Rodri provou que foi uma boa aposta para assumir a posição de volante nos próximos anos. Gündogan brilhou como meia-artilheiro, e Kevin de Bruyne foi simplesmente Kevin de Bruyne: excepcional. Quem saiu um pouco mais em baixa foi Bernardo Silva, muitas vezes improvisado como centroavante.

No ataque, Riyad Mahrez teve a temporada mais regular entre os jogadores de lado de campo. Raheem Sterling terminou-a como reserva na Premier League e no mata-mata da Champions – e titular na final, vai entender – e Ferrán Torres teve um ano de adaptação aceitável. Phil Foden finalmente ganhou a sequência que o seu talento tanto pedia, a maioria das vezes aberto pelo lado esquerdo.

Que Guardiola tenha preferido abrir mão de um atacante de ofício é um péssimo sinal para o departamento de centroavantes. A queda de Agüero, pela idade e pelos problemas físicos, foi justificável, mas a de Gabriel Jesus enfraqueceu as suas perspectivas futuras no City.

O técnico

Se havia alguma dúvida que é o melhor do mundo, não há mais. A maneira como Guardiola trocou os pneus do carro com a corrida em andamento foi simplesmente brilhante. Encontrou soluções dentro do seu elenco e mostrou maturidade ao abrir mão de alguns princípios que lhe são muito caros – especialmente a obsessão pela posse de bola. Não que tenha se tornado um treinador reativo ou defensivo, muito longe disso, mas soube entender as particularidades da temporada realizada durante a pandemia para moderar um pouco o que pedia aos jogadores. Deu certo e, como prêmio, ganhou mais recursos para montar o time que quiser montar.

Expectativa para a temporada

Um time campeão com uma pitada de Jack Grealish e talvez um pouco de Harry Kane é uma receita infalível para termos um favorito. O Manchester United se fortaleceu no mercado, o Chelsea chega como campeão europeu e deve ter Romelu Lukaku e o Liverpool tentará se manter inteiro, mas a missão de todos eles será a mesma: destronar o melhor time da Inglaterra.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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