Inglaterra

Quando uma mordida é mais grave do que ato racista

Muito se discutiu a gravidade da pena que deveria ser aplicada ao uruguaio Luís Suárez após a mordida em Branislav Ivanovic, durante Liverpool x Chelsea no domingo. Na Inglaterra, a controvérsia ganhou grandes proporções.

Quando se falava num gancho de três jogos, o histórico do atacante dos Reds parecia pesar para o lado de uma medida mais severa por parte da entidade. Ao comparar outros casos como o de John Terry, que ficou fora de quatro compromissos por ter dirigido ofensas racistas a Anton Ferdinand, do QPR, e até mesmo ao próprio Suárez, que pegou oito e uma multa de €46 mil pelo mesmo motivo em polêmica com Patrice Evra, os dirigentes ingleses se decidiram por deixar o uruguaio suspenso pelas próximas 10 partidas.

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Em nota oficial, a FA (Football Association) declarou que a decisão foi tomada por uma comissão formada por três pessoas: “Uma comissão decidiu nesta quarta-feira que a suspensão de três jogos era claramente insuficiente e o jogador ainda terá de cumprí-la por mais sete partidas em adição. O gancho terá efeito imediato”. Suárez tem até o meio-dia de sexta-feira para recorrer e caso não o faça, deverá perder o fim desta temporada e o início da próxima, retornando apenas em Outubro.

Talvez o fato de Suárez já ter causado problemas demais tenha levado a entidade a aplicar uma pena tão severa. O que claramente é uma tentativa de dar o exemplo não só para o uruguaio como para os outros jogadores na Premier League. Apenas fica a dúvida se a punição tenha sido baseada na agressividade, na reincidência ou na velha maneira inglesa de educar com duros castigos.

Para quem olha de fora e analisa a gravidade das atitudes de Suárez e Terry, fica difícil achar uma coerência. É preciso que se decida o que é mais grave, o racismo ou a agressividade gratuita. Ambos devem ser banidos do esporte e com essas penas nada suaves, é possível que os jogadores pensem duas ou até três vezes antes de atenderem aos seus instintos.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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