Inglaterra

Punição de três jogos a Suárez não inibe reincidência

A regra é clara: futebol não se joga com as mãos, muito menos com os dentes. Ao protagonizar um novo episódio de agressão (a mordida em Ivanovic) Luís Suárez está suspenso pela Federação inglesa por três jogos. O mais bizarro nessa situação é justamente o fato dela não ser inédita para o atacante do Liverpool.

Em novembro de 2010, quando atuava pelo Ajax, o uruguaio já havia tomado conta no noticiário por morder Ottman Bakkal, do PSV, durante o clássico holandês na Amsterdam Arena. A fama de vampiro começou ali, quando ele cravou os dentes no pescoço do zagueiro adversário.

Dois anos e várias confusões depois, Suárez parece não ter aprendido nada com o seu próprio descontrole. A dura suspensão de oito jogos após direcionar insultos racistas contra Patrice Evra em 2011 não serviu como exemplo para que ele procurasse se acalmar dentro de campo.

Dureza da punição deveria em tese inibir esse comportamento em outros atletas. Mas na prática…

A reincidência em cometer atos de indisciplina deveria pesar na hora da Federação julgar o caso. John Terry, por exemplo, tomou um gancho de quatro jogos por ofender de forma racista o zagueiro Anton Ferdinand, do Queens Park Rangers, em 2012.

Outra polêmica ocorreu em 2008, quando o zagueiro do Birmingham Martin Taylor quebrou a perna do atacante Eduardo da Silva, então no Arsenal. Por essa entrada violenta, Taylor ficou apenas três partidas fora. As medidas precisam ser tão imponentes quanto as de Terry, para assim evitar que essas atitudes tornem a acontecer.

A Premier League não está blindada de cotoveladas fora do lance, socos, ofensas racistas e muito menos mordidas. Mas é ainda mais alarmante quando um mesmo jogador acumula tal histórico e ainda escapa só com três jogos. Não se deve analisar a gravidade da agressão ou a intensidade da dentada de Suárez. A questão é que se trata de um reincidente que não parece fazer muita questão de abandonar seu lado selvagem.

E que os pedidos de desculpa e o arrependimento nas redes sociais não sirvam como escudo para o comportamento de Suárez, que usou sua conta no twitter para tentar amenizar o clima: “Estou muito triste com o que aconteceu esta tarde. Peço desculpas a Ivanovic e ao mundo do futebol pelos meus atos injustificados. Sinto muito sobre isso.”

A Associação dos Futebolistas Profissionais declarou nesta segunda que irá oferecer uma terapia de raiva para o uruguaio, claramente estressado por elementos extracampo.

Foto de Felipe Portes

Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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