Concorrentes na Azzurra, Balotelli definha na Premier League, enquanto Pellè vive fase dos sonhos

A oitava rodada da Premier League foi perfeita para ilustrar o mau momento pelo qual passa Balotelli e por que não será nada fácil a recuperação de seu lugar na seleção italiana. Enquanto o recém-contratado atacante do Liverpool chegou a cinco jogos e nenhum gol na competição, o concorrente que tomou seu lugar na Azzurra, Graziano Pellè, se destacou na goleada por 8 a 0 do Southampton sobre o Sunderland, chegando a seis gols no Inglesão. Um começo de temporada que não poderia justificar melhor a escolha de Antonio Conte em seu início de trabalho no comando da Itália.
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Quem tem assistido ao Liverpool nessas rodadas iniciais sabe que o time ainda não está acertado após a chegada de diversos reforços e que há bastante espaço para melhorias na equipe de Brendan Rodgers. Coutinho ainda não emplacou uma sequência de boas atuações, Lallana, por enquanto, não mostrou a que veio, e Daniel Sturridge, por problemas físicos, fez apenas três jogos no campeonato. Ainda assim, a instabilidade coletiva não é desculpa para o nível apresentado individualmente por Balotelli. Da série de estatísticas que comprovam a ineficiência do italiano nesta reta inicial de competição, a principal é a de que o Super Mario é o jogador com mais finalizações sem fazer gol entre atletas de todas as cinco principais ligas europeias em 2014/15 (23).
Na direção contrária, Pellè não poderia ter começado melhor sua vida na Inglaterra. Com os dois gols na goleada por 8 a 0 do Southampton sobre o Sunderland, chegou a seis na competição, em oito jogos, corroborando a honraria recebida há alguns dias. Ao lado de Ronald Koeman, treinador que foi do Feyenoord para os Saints e levou consigo o centroavante, foi escolhido o melhor jogador do mês de setembro na Premier League. Sem a mesma pompa que Balotelli, chegou sem holofotes sobre si, pela metade do preço do ex-milanista e é um dos destaques da sensação do Campeonato Inglês.
Se apenas os gols marcados fossem o diferencial entre Pellè e Balotelli, o caso de Super Mario seria um pouco mais defensável. No entanto, o jogador do Southampton supera o do Liverpool em tudo. Participa mais das partidas, com 12 chances criadas contra 3, tem mais passes-chave, 11 a 3, e também conta com melhor precisão no arremate, 48% a 44%. Para algumas pessoas, os números podem parecer frios, parâmetros insuficientes para comparação entre dois atletas, mas basta se sentar para ver jogos de Liverpool e Southampton para observar o contraste das fases que vivem os dois. Conte certamente o fez.
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Balotelli é jovem, tem potencial e já demonstrou sua importância em outros momentos. A fase ruim não é algo novo para o jogador, que alterna períodos de protagonismo, como logo após sua chegada ao Milan na temporada passada, e seca de gols e pouca participação, como os 12 jogos seguidos sem marcar na Premier League pelo Manchester City em 2012. A quase dois anos da Eurocopa, pode ainda recuperar seu espaço na Azzurra, mesmo que como simples integrante do grupo, alternativa de banco a algum outro atacante. Entretanto, atualmente, não há argumento possível para desvalorizar a opção de Conte por Pellè em detrimento do Super Mario. O camisa 45 vai precisar reverter – e bem – a sequência ruim em que vem atuando para trazer para seu lado o treinador e até mesmo a opinião pública italiana. Mas que momento para jogar mal, hein?



