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Como foram os trabalhos de Ranieri antes do Leicester? Revisitamos seu histórico

Claudio Ranieri vinha lutando contra um estigma de perdedor há alguns anos. Técnico renomado, ele passou por grandes clubes ao longo da sua carreira, como Napoli, Fiorentina, Valencia, Atlético de Madrid, Chelsea, Juventus, Roma, Inter e Monaco, além da seleção da Grécia. O problema é que os títulos não vieram. E a fama de que com ele os clubes não eram campeões só aumentou. Fazendo sucesso nesta temporada no Leicester, ele fez questão de dizer que algumas pessoas esquecem que ele conseguiu fazer bons trabalhos na Itália.

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“Talvez algumas pessoas esqueçam que na Itália eu fui bem. Não esqueçam que quando a Inter ganhou a tríplice coroa, eu tinha mais pontos que Mourinho”, afirmou o treinador em entrevista à rádio Deejay. Na verdade, ele teve mesmo, mas só por duas rodadas e a Inter acabou campeã. “Eu levei a Juventus , depois do retorno deles à Serie A, ao terceiro lugar. E eu fui bem no Parma e na Fiorentina”, contou ainda Ranieri.

Em nenhum dos clubes que dirigiu o treinador italiano conseguiu o título de uma liga nacional. O maior título foram em Copas, com a Copa da Itália em 1995/96, pela Fiorentina, e a Copa do Rei, em 1998/99, pelo Valencia. No mais, conquistou a segunda divisão da Itália com a própria Fiorentina e a segunda divisão da França com o Monaco.

Os títulos ficaram faltando, mas de fato Ranieri teve bons momentos nos clubes que merecem ser citados. Veja alguns deles.

Chelsea

No Chelsea, quando ele se tornou conhecido, ele conseguiu alguns bons resultados. Na sua primeira temporada, em 2000/01, ele levou o time ao sexto lugar, conquistando uma vaga na Copa da Uefa. Na temporada seguinte, ele recebeu a ingrata missão de reconstruir o time e rejuvenescer o elenco.

Foi Ranieri, por exemplo, que contratou Frank Lampard, formado no West Ham. Ele também levou Emmanuel Petit, jogador da seleção francesa, e Boudewijn Zenden, da seleção holandesa. Ele também levou Jesper Gronkjaer, da seleção dinamarquesa, e William Gallas, da seleção francesa. Formou uma base que se tornaria muito forte.

Só que a crítica sobre ele foi forte. A torcida do Chelsea queria mais e a pressão aumentou quando o time terminou, de novo, em sexto lugar e perdeu a final da Copa da Inglaterra para o Arsenal. A crítica aumentou por ele ter vendido um dos ídolos do clube, Dennis Wise, já veterano na época. A imprensa inglesa o acusava de rodar demais o elenco. Apesar disso, ele foi mantido.

Foi na temporada 2002/03 que ele conseguiu seu maior feito. Com o clube em uma situação financeira complicada e sem poder fazer contratações importantes, ele finalmente conseguiu levar o time à Champions League. No elenco, alguns jogadores que se tornariam conhecidos: John Terry, então um jovem, Carlton Cole e Robert Ruth, que voltou a encontrar o técnico no Leicester, 13 anos depois.

Quando Roman Abramovich comprou o Chelsea, Ranieri foi mantido, mas a desconfiança do novo dono do clube com o treinador italiano nunca deixou de existir. Ele recebeu um grande orçamento para transferências e levou ao Chelsea nomes como Wayne Bridge, Joe Cole, Glen Johnson, Juan Sebastián Verón, Hernán Crespo, Claude Makelelé e Adrian Mutu. Ao final daquela temporada, o time tinha alcançado a sua melhor posição no Campeonato Inglês em 49 anos, sendo vice-campeão atrás do Arsenal dos invencíveis. Na Champions League, Ranieri levou o Chelsea até a semifinal, mas perdeu para o Monaco. A derrota complicou a situação de Ranieri. Alguns comentários, como o do ex-jogador David Platt, eram que Ranieri era o treinador certo para montar o time, mas não para torná-lo campeão.

Ao final da temporada, em maio de 2004, ele Ranieri foi demitido. O seu retrospecto no Chelsea, porém, foi bom. A cada temporada, o número de pontos do time aumentou. Além disso, ele tinha indicado a contratação de Didier Drogba e Arjen Robben ao clube, o que aconteceria depois da sua saída, já com a chegada de José Mourinho.

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Parma

Depois de uma passagem sem brilho pelo Valencia na temporada 2004/05, Ranieri assumiu o ameaçado Parma em 2007. Era fevereiro e o time estava brigando contra o descenso. Sob o comando de Ranieri, o time subiu de rendimento e conseguiu 17 pontos em 10 jogos, comparado aos 15 pontos em 23 jogos do seu antecessor, Stefano Pioli. Com isso, o Parma terminou em 12º lugar e escapou de cair de divisão.

Juventus

Em 2007, Ranieri assumiu o comando da Juventus, que tinha subido da segunda divisão após o escândalo Calciopoli. Na sua primeira temporada no clube, levou o time ao terceiro lugar na tabela. Na temporada seguinte, a pressão era maior, para que o time brigasse pelo título. O time acabaria em segundo lugar, atrás da Internazionale, e foi demitido em maio de 2009.

Roma

Em setembro de 2009, Ranieri foi o indicado para suceder Luciano Spalletti na Roma, clube pelo qual atuou como jogador. E ele conseguiu um ótimo desempenho, na verdade. A Roma foi muito bem e disputou o título com a Inter de José Mourinho até a última rodada. Na 33ª rodada, a Roma chegou a assumir a liderança, mas perdeu duas rodadas depois. Na última rodada, a Inter venceu o Siena fora de casa e garantiu a taça. A Roma terminou a dois pontos da rival de Milão, além de ter perdido o título da Copa da Itália para o mesmo adversário.

A segunda temporada sob o seu comando, porém, não foi tão boa. Ele decidiu pedir demissão do cargo em fevereiro de 2011, quando o time estava em sexto lugar na tabela.

Inter

Se os trabalhos no Chelsea e na Juventus tiveram seus méritos, na Inter foi bem diferente. Ele assumiu em setembro de 2011, após a demissão de Gian Piero Gasperini, mas o seu desempenho o levaria a deixar o cargo antes do fim da temporada. O time foi eliminado em casa para o Olympique de Marseille na Champions League e, com o time em oitavo lugar no Campeonato Italiano, ele deixou o clube em março de 2012. Nos seus últimos 13 jogos pela Inter, foram só duas vitórias.

Monaco

O trabalho seguinte foi no Monaco. Em 2012, ele recebeu um contrato de dois anos para montar o time que disputaria a segunda divisão. Recebeu também um orçamento incomum para um time de segunda divisão, fruto do dinheiro do bilionário Dmitry Rybolovlev, que tinha comprado o clube um ano antes. Ranieri conduziu a equipe ao título da segunda divisão com facilidade e, na temporada seguinte, com o time fazendo contratações milionárias, foi o segundo colocado, levando o Monaco à Champions League com nomes como James Rodrigues, João Moutinho e Radamel Falcao García. Em 2014, com o final do seu contrato, foi dispensado.

Grécia

Este foi o maior fracasso da sua carreira. Ele assumiu logo depois da Copa do Mundo de 2014, após a saída do técnico Fernando Santos. A campanha nas Eliminatórias da Eurocopa foi terrível. Foram só quatro jogos, com três derrotas (para Romênia em casa e Irlanda do Norte fora) e empate com a Finlândia fora de casa entre eles. A derrota derradeira foi contra as Ilhas Faroe, em casa, no dia 14 de novembro. Ranieri acabou demitido e nem cobrou a multa rescisória.

Leicester

Em julho de 2015, Ranieri foi escolhido para substituir Nigel Pearce, que tinha conseguido salvar o time do rebaixamento de forma milagrosa na temporada anterior. Havia um problema entre o treinador e a direção do clube. Ranieri assumiu e o resto é história.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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