Sem Guardiola, o Arsenal está pronto para ser o próximo rosto da Premier League?
Pela primeira vez desde que assumiu Gunners, Mikel Arteta é técnico mais longevo dentro do Big Six e busca manter hegemonia
Após 22 anos de jejum, o Arsenal voltou a ser campeão da Premier League em 2025/26, coroando a longa espera de Mikel Arteta, cujo trabalho foi iniciado em dezembro de 2019. Pela primeira vez desde que assumiu o cargo, o treinador espanhol não terá que lidar com a sombra de gigantes do futebol inglês.
Ao longo da última década, a Premier League ficou marcada pela rivalidade entre Jürgen Klopp e Pep Guardiola, que travaram batalhas históricas pelo título. Com a saída do alemão em 2023/24, e a despedida do espanhol ao final da última temporada, Liverpool e Manchester City vivem um processo de reformulação com Andoni Iraola e Enzo Maresca, respectivamente.
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Entre 2022/23 e 2024/25, os Gunners foram vice-campeões da liga para Reds (1) e Citizens (2). Agora, Arteta não só o atual vencedor da Premier League, como também é o técnico mais longevo entre os clubes do Big Six. Xabi Alonso acabou de assumir o Chelsea depois das experiências com Maresca, Liam Rosenior e Calum McFarlane na temporada passada.
Michael Carrick assumiu como interino do Manchester United em janeiro com a demissão de Rúben Amorim e foi efetivado para 2026/27. Por fim, Roberto De Zerbi foi apontado no final de março como o bombeiro do Tottenham para evitar o rebaixamento para a Championship, corrigindo a rota tortuosa de Thomas Frank e Igor Tudor.
Com um contexto favorável em relação aos rivais, um projeto sólido marcado pela identidade de jogo bem estabelecida e poderio financeiro, o Arsenal vai ser o novo rosto da Premier League?
Contratações da Premier League 2026/27: Veja rumores e o vai e vem do mercado
O que Arsenal precisa fazer para dar o próximo passo na Premier League?
Superada a pressão do “quase” na elite inglesa, o técnico de 44 anos anseia pelo próximo salto de criar uma hegemonia nacional e manter o nível de competitividade entre os maiores clubes da Europa. Em 2025/26, o Arsenal bateu na trave ao perder a final da Champions League para o PSG, nos pênaltis.
Em retrospectiva, o comandante espanhol reconheceu em coletiva pós-jogo que os Parisienses de Luis Enrique eram “o melhor time do mundo”. Na ocasião, os Gunners adotaram uma estratégia reativa, tanto que só deram um chute a gol (convertido por Kai Havertz) em 120 minutos, e tiveram apenas 25% de posse de bola.
— O que eles são capazes de fazer com a bola, com jogadas individuais… Não está nos planos jogar em certas áreas quando você não tem a bola, mas eles te obrigam a fazer isso — declarou Mikel Arteta no dia 30 de maio, em Budapeste, na Hungria.
E é justamente esse aspecto conservador que o Arsenal pode evoluir. Sobretudo na metade final da temporada passada, o time do treinador espanhol apresentou muitas dificuldades para criar jogadas ofensivas, dependendo excessivamente das bolas paradas para vencer por placares mínimos (20 vitórias “magras” em 2025/26).
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Cabe ressaltar que o excelente sistema defensivo foi fundamental para trazer confiança em um momento crítico, principalmente com a perda da taça da Carabao Cup em março e a reação do Manchester City na reta final do campeonato nacional. Mas sem o fardo psicológico para a nova temporada, é esperado que os Gunners sejam mais ousados.
Arteta já mostrou que sabe montar um time com maior apreço por controlar as partidas com a bola, além de incentivar triangulações pelo lado direito com Declan Rice, Bukayo Saka e Martin Odegaard. O estilo mais cauteloso foi proveitoso para dar fim a uma agonia que pairava no Emirates Stadium.
Contudo, o PSG mostrou que essa fórmula bateu no teto.
O próprio técnico dos Gunners sinalizou que poderia se inspirar no compatriota dos Parisienses. Isso não significa que Mikel Arteta precise enfrentar um Bayern de Munique de peito aberto e se lançar ao ataque sem medo do amanhã. É somente uma questão de equilíbrio: não abdicar completamente da posse, até porque o elenco possui peças de qualidade técnica para dividir os momentos de domínio no último terço.
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Com pequenos ajustes na abordagem em jogos grandes, o Arsenal tem tudo para ser o novo case de sucesso da Premier League até o fim da década e, quem sabe, conquistar a tão sonhada orelhuda de maneira inédita, pois tem atletas vencedores e com a mentalidade certa. O tempo ficará encarregado de expor se essa máxima se concretizará.
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Vinicius Jr seria o recado perfeito no mercado
O avanço do Real Madrid por Yan Diomandé junto ao RB Leipzig colocou dúvidas sobre o futuro de Vinicius Jr., que tem contrato no Santiago Bernabéu apenas até junho de 2027 e ainda não chegou a um acordo pela renovação. À procura de um ponta-esquerda, os Gunners buscaram informações sobre um possível negócio pelo brasileiro.
Mais do que ser um dos melhores jogadores do mundo em sua posição, a figura de Vinicius Jr. seria o recado perfeito do treinador espanhol no Arsenal: a ambição de ser o herdeiro do trono doméstico e o desafiante do posto continental. O camisa 7 dos Merengues foi crucial em duas taças da Liga dos Campeões (2021/22 e 2023/24), sendo protagonista no mata-mata.
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Para não depender exclusivamente do flanco direito de ataque, Arteta deseja um nome de elite, tanto que diferentes veículos ingleses noticiaram que a diretoria está disposta a tornar Vinicius Jr. o jogador mais bem pago do clube, com salário semanal de 450 mil euros (cerca de R$ 2,6 milhões).
Resta saber se o atacante de 26 anos deseja uma mudança de ares para a Premier League e quanto o Real Madrid exigiria para acertar sua eventual saída. Mas só de focar no brasileiro, que entrega mais de 30 participações diretas em gols por temporada há cinco anos, já é uma prova que os Gunners estão direcionando sua rota para a prateleira mais alta do futebol.