Arsenal abre o bolso, se reforça bem na janela de transferências, mas vive dilema no mercado
Enquanto rivais lucram alto, Arsenal encontra barreiras com salários, lesões e a desvalorização de seus atletas
Viktor Gyokeres, Eberechi Eze, Noni Madueke, Piero Hincapié… O Arsenal investiu pesado nesta janela de verão europeu e deu ao técnico Mikel Arteta reforços importantes para a temporada 2025/26. Mas e as saídas do elenco? Faltando quatro dias para o fechamento do mercado, os Gunners ainda buscam sua primeira grande venda.
Diferente de clubes como Chelsea e Liverpool que, apesar dos altos investimentos, conseguiram se desafazer de jogadores por quantias gordas nas últimas semanas, o Arsenal tem encontrado dificuldade nesse aspecto.
Mas o que explica essa dificuldade?
Veja lista detalhada das vendas dos Blues ☑️
— Trivela (@trivela) August 28, 2025
“Clube que mais gastou”, “contratação recorde”, “joia chega a Stamford Bridge por valor exorbitante”. O Chelsea se tornou sinônimo de gastos no mercado, mas existe a outra face da moeda
✍️ @guicalvano https://t.co/uw5QhueTDf
Por que o Arsenal não consegue vender como Chelsea e Liverpool?
No verão europeu passado, o Arsenal demonstrou uma melhora na venda de jogadores, arrecadando mais de 80 milhões de libras. Essa receita veio principalmente da saída de três atletas que já passaram pela seleção inglesa e viviam o auge de suas carreiras na Premier League: Aaron Ramsdale, Emile Smith Rowe e Eddie Nketiah. Como todos foram negociados com outros clubes ingleses, os Gunners conseguiram valores mais altos por eles.
Apesar desse sucesso recente, as vendas do Arsenal continuam atrás das de seus principais rivais. Segundo o portal “The Athletic”, o clube sabe que é uma área que deve ser aprimorada.
Um dos maiores desafios, porém, é encontrar compradores fora da Premier League. E essa não é uma questão exclusiva do time de Arteta, já que os altos salários da liga inglesa dificultam a negociação com outras equipes europeias.
Os jogadores geralmente não querem aceitar uma redução salarial e, quando um acordo entre clubes acontece, o comprador costuma exigir esse desconto nos vencimentos do atleta para fechar negócio.
As vendas de atletas no Arsenal são um desafio, e o aumento salarial no contrato de Leandro Trossard é um exemplo de como certas escolhas do clube podem complicar futuras transferências. Outro fator que afeta o valor dos ativos é a tendência de Arteta de afastar jogadores que perdem sua confiança, fazendo com que eles se desvalorizem no mercado.
Alguns especialistas consultados pelo “The Athletic” defendem que o clube londrino deveria negociar seus jogadores mais cedo, antes que a desconfiança de Arteta se torne evidente para o mercado. A venda de Ramsdale em 2024 por 25 milhões de libras é um bom exemplo.
A reportagem questiona: Qual teria sido seu valor se o Arsenal o tivesse vendido no verão anterior, logo após a contratação de David Raya e quando Ramsdale havia sido incluído no time da temporada da Associação de Futebolistas Profissionais?

- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Histórico de lesões atrapalha na hora de vender
O Arsenal tem utilizado empréstimos para dar rodagem a jogadores que não consegue vender, como Fábio Vieira, Reiss Nelson e Albert Sambi Lokonga. No entanto, esses empréstimos nem sempre resultam no aumento do valor de mercado dos atletas, por diversos motivos.
Em alguns casos, a desvalorização não está sob o controle do clube. Reiss Nelson, por exemplo, teve um bom começo de empréstimo no Fulham, mas uma grave lesão na coxa em fevereiro comprometeu seu desempenho.
Esse histórico de lesões dos jogadores, inclusive, é um problema recorrente para os Gunners. A dificuldade de vender atletas como Kieran Tierney e Takehiro Tomiyasu por valores mais altos certamente foi influenciada por suas frequentes contusões.
Quem o Arsenal já vendeu na atual janela?
Se o Chelsea alcançou R$ 2 bilhões em vendas na atual janela, o Arsenal só conseguiu arrecadar cerca de R$ 70 milhões. Até o momento, dois jogadores foram vendidos pelos Gunners, são eles: Nuno Tavares, lateral-esquerdo comprado pela Lazio por 8 milhões de euros (R$ 50,8 milhões na cotação atual), e Marquinhos, atacante comprado pelo Cruzeiro por 3 milhões de euros (R$ 19 milhões).
Além disso, o clube viu a saída de quatro jogadores experientes sem receber nenhuma compensação. Thomas Partey e Jorginho deixaram o Arsenal em junho, após o término de seus contratos. Tierney também saiu, ao final de seu vínculo, enquanto Tomiyasu chegou a um acordo junto à diretoria para uma rescisão contratual mútua.
Segundo Fabrizio Romano, jornalista especializado em transferências do futebol, Jakub Kiwior é o próximo a deixar os Gunners. O zagueiro polonês será emprestado ao Porto por uma taxa de 2 milhões de euros, com obrigação de compra de 17 milhões de euros ao término da temporada — com variáves, pacote pode chegar a 27 milhões de euros.

Quais jogadores ainda podem deixar o Arsenal?
Oleksandr Zinchenko, Reiss Nelson, Fábio Vieira e Sambi Lokonga são os jogadores que fazem parte da lista de negociáveis, além de diversos jovens da base.
O Arsenal se encontra em uma situação financeira robusta, impulsionada pelo aumento da receita comercial e pela participação na Champions League, que resultou em um faturamento recorde.
Embora o clube não tenha a necessidade urgente de vender atletas, a diretoria tem o objetivo de aprimorar essa área para gerar mais capital. Assim, continuaria investindo no elenco e mantendo o ritmo de gastos, tudo isso em conformidade com as regras financeiras da Premier League e da Uefa.
O Arsenal procura respeitá-las e, por isso, planeja suas operações para evitar qualquer violação. Apesar de ter tido prejuízos nos últimos seis anos, o clube, de acordo com o “The Athletic”, está em uma posição relativamente segura em relação às normas de Sustentabilidade e Lucratividade (PSR) da Premier League.
Contudo, essas regras operam em um ciclo de três anos, o que significa que os gastos do time londrino nesta janela de transferências podem impactar sua capacidade de investimento em temporadas futuras. Já são mais de 345 milhões de euros em contratações nesta janela — já contando com a compra de Piero Hincapié, fechada nas últimas horas.



