Inglaterra

R$ 2 bilhões: Chelsea faz máquina de receita com venda de ‘encostados’

O segredo por trás do poder financeiro: Blues aprimoram arte de transformar ativos pouco usados em lucro, financiando novas contratações

“Clube que mais gastou”, “contratação recorde”, “joia chega a Stamford Bridge por valor exorbitante”. O Chelsea se tornou sinônimo de gastos altíssimos no mercado de transferências.

No entanto, o que muitas vezes passa despercebido é a outra face da moeda: a impressionante capacidade do time londrino de gerar lucro com a venda de jogadores pouco utilizados. Na atual janela, isso ficou evidente.

O Chelsea tem demonstrado uma astúcia notável ao negociar atletas que não conseguem se firmar na equipe ou que simplesmente não fazem mais parte dos planos da comissão técnica, transformando-os em fontes de receita significativas. Uma estratégia que permite ao clube londrino equilibrar suas finanças e continuar investindo em grandes talentos.

Estêvão em ação pelo Chelsea
Estêvão em ação pelo Chelsea (Foto: Imago)

A lista de vendas recentes, incluindo nomes como Renato Veiga, Djordje Petrovic, Lesley Ugochukwu e Armando Broja, ilustra perfeitamente tal tendência. Mesmo não tendo o protagonismo esperado em Stamford Bridge, esses jogadores foram negociados por valores que somam milhões, garantindo um retorno financeiro considerável aos Blues.

Essa habilidade tem sido um diferencial do atual campeão do mundo no mercado. Trata-se de uma forma inteligente de gerenciar o elenco, liberando espaço na folha salarial e, ao mesmo tempo, capitalizando sobre o valor de mercado que os ativos ainda têm.

Vários nomes ainda podem deixar o elenco do Chelsea, como Nicolas Jackson, Jadon Sancho, dentre outros. Nesta quinta-feira (28), de acordo com o “The Athletic”, os londrinos chegaram a um acordo com o Milan por Christopher Nkunku, no valor de 42 milhões de euros.

A transferência desses atletas, muitas vezes para times de menor porte ou para outras ligas, prova que o Chelsea, apesar de gastar muito, domina a arte de vender. Basta conferir o quanto o clube arrecadou nesta janela.

Todas as vendas do Chelsea na janela:

  • Noni Madueke — 56 milhões de euros
  • Christopher Nkunku — 42 milhões de euros
  • João Félix — 30 milhões de euros (pode chegar a 50 milhões de euros considerando os bônus por metas)
  • Renato Veiga — 29,5 milhões de euros
  • Carney Chukwuemeka — 25 milhões de euros
  • Djordje Petrovic — 28,9 milhões de euros
  • Lesley Ugochukwu — 28,7 milhões de euros
  • Dewsbury-Hall — 28,65 milhões de euros
  • Armando Broja — 23 milhões de euros
  • Bashir Humphreys — 14 milhões de euros
  • Kepa Arrizabalaga — 5,8 milhões de euros
  • Marcus Bettinelli — 2,4 milhões de euros

Total arrecadado: 314 milhões de euros — cerca de R$ 1,98 bilhão na cotação atual

Todd Boehly, dono do Chelsea
Todd Boehly, dono do Chelsea (Foto: Imago)

Os casos mais emblemáticos

Renato Veiga

Renato Veiga é a maior prova de que o Chelsea é um excelente vendedor no mercado do futebol. O lateral-esquerdo, que também pode atuar como zagueiro ou volante, foi negociado por 29,5 milhões de euros (com adicionais incluídos) ao Villarreal, se tornando a contratação mais cara da história do Submarino Amarelo.

Isso mesmo, um lateral de 22 anos, contratado por cerca de 14 milhões de euros junto ao Basel no ano passado, foi vendido por mais do que o dobro pelos Blues.

E ele não estourou com a camisa do time londrino para justificar o investimento pesado dos espanhóis. Pelo contrário. Veiga teve poucas oportunidades em Stamford Bridge e passou a segunda metade de 2024/25 emprestado a Juventus, onde também não teve grandes atuações.

Ugochukwu

Quando tirou Lesley Ugochukwu do Rennes, em 2023, o Chelsea esperava ter um meio-campista jovem, saudável e promissor por muitos anos. Mas não foi o que aconteceu. O francês acumulou lesões durante sua primeira temporada (2023/24) e não encantou a comissão técnica, na época comandada por Mauricio Pochettino.

No início de 2024/25, Ugochukwu foi emprestado ao Southampton. Por lá, teve tempo de jogo suficiente para mostrar suas credenciais. Até mostrou, mas em virtude do rebaixamento à Championship (segunda divisão inglesa), o Saints optou por não investir na contratação definitiva do volante.

Decisão coerente, já que Ugochukwu, na visão do Chelsea, não é um jogador barato. Mesmo pouquíssimo aproveitado (somente 15 partidas disputadas), os Blues conseguiram recuperar o investimento no jovem francês. Mais do que isso: comprou por 27 milhões de euros e vendeu por 28,7 milhões de euros.

Petrovic

Diferente de Renato Veiga e Ugochukwu, Djordje Petrovic viveu excelentes momentos com a camisa do Chelsea. Na temporada 2023/24, revezou a titularidade com Robert Sánchez, e para a maioria esmagadora da torcida, se saiu melhor que o concorrente espanhol.

A chegada de Enzo Maresca, todavia, encerrou a passagem do goleiro sérvio nos Blues. Petrovic passou 2024/25 emprestado ao Strasbourg, clube que pertence ao grupo do norte-americano Todd Boehly, dono do time londrino.

Na França, o arqueiro se tornou destaque absoluto da equipe, e, por conta disso, acabou agraciado com um retorno à Premier League. Mas não para o Chelsea.

Fora dos planos de Maresca, que sempre deixou claro sua preferência por Sánchez, Petrovic despertou o interesse do Bournemouth. Os Cherries pagaram 28,9 milhões de euros — 12,9 milhões a mais do que os Blues desembolsaram para tirá-lo da MLS — e asseguraram a contratação do camisa 1.

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Madueke é exceção, mas uma exceção para lá de rentável

Madueke trocou o Chelsea pelo Arsenal
Madueke trocou o Chelsea pelo Arsenal (Fotos: Imago)

Dentre os jogadores que fizeram parte da barca de vendas do Chelsea, Noni Madueke certamente é o que mais se destacou em campo pelos Blues. Contratado junto ao PSV, o ponta-direita chegou ao clube londrino em janeiro de 2023 por 35 milhões de euros.

Apesar dos altos e baixos, Madueke foi bastante utilizado ao longo das duas últimas temporadas e mostrou lampejos de seu potencial. Com velocidade, drible e capacidade de finalização, o inglês se tornou peça importante do ataque, tanto com Pochettino, quanto com Maresca.

A agressiva proposta do Arsenal, porém, chegou como um pé na porta do Chelsea. Madueke desejava a mudança, e os Blues não hesitaram em aceitar os 56 milhões de euros do rival. Considerando o valor gasto no atacante em 2023, a transferência gerou um lucro de 21 milhões de euros aos cofres do atual campeão do mundo.

Tal negócio mostra que a estratégia do clube vai além de negociar jogadores que não se firmaram ou que estão escanteados no elenco. O Chelsea também tem a habilidade de capitalizar sobre o valor de mercado de atletas que estão — ou que estiveram recentemente — em alta.

A saída do camisa 11, mesmo sendo uma perda técnica, garantiu um retorno financeiro significativo e permitiu à diretoria liderada por Todd Boehly reinvestir em outros alvos.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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