Por que o Liverpool resiste à pressão externa e mantém confiança em Slot
Clube vê contexto atenuante, aposta na reconstrução e trata técnico holandês como peça central do próximo ciclo
A pressão sobre Arne Slot aumentou de forma considerável nas últimas semanas, mas o Liverpool, ao menos por enquanto, não dá sinais de que pretende mudar de rumo. Mesmo em meio a atuações instáveis, resultados frustrantes e um ambiente cada vez mais tenso em Anfield, a avaliação interna segue apontando para a continuidade do treinador holandês no comando da equipe na próxima temporada.
Segundo o jornal britânico “The Telegraph”, a leitura nos bastidores do clube é de que o momento turbulento não deve provocar uma ruptura imediata. Pelo contrário: tanto o Fenway Sports Group — conglomerado multinacional de participações esportivas que o Liverpool está inserido — quanto os principais executivos responsáveis pelo futebol entendem que Slot ainda merece tempo e levam em conta o contexto antes de julgador o treinador de forma definitiva.
A derrota por 2 a 0 para o Paris Saint-Germain, no jogo de ida das quartas de final da Champions League, intensificou a cobrança. Depois da partida, o próprio treinador admitiu que o Liverpool passou “grande parte” do confronto em “modo de sobrevivência”, definição que ilustra o retrato do estágio atual da equipe.
O revés em Paris, que deixou os Reds a um passo da eliminação europeia, ampliou a insatisfação de parte da torcida e alimentou a sensação de que o time entrou em uma espiral de desgaste. Ainda assim, a visão da diretoria não acompanha integralmente o humor externo.
O entendimento é de que a transição após a saída de Jürgen Klopp nunca seria simples, mesmo que o título da Premier League na temporada passada tenha criado, por algum tempo, uma impressão de estabilidade maior do que a realidade do processo.
O que pesa a favor de Slot no Liverpool?
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Internamente, o Liverpool considera que o desempenho recente da equipe não pode ser analisado de forma isolada, sem levar em conta o contexto que cerca a temporada. Um dos fatores mais sensíveis para o clube foi a morte de Diogo Jota, tratada como um impacto profundo sobre o ambiente do elenco logo nos primeiros meses do ciclo.
Além da dimensão emocional, também há o entendimento de que parte importante do grupo atravessa um momento de fim de trajetória em alto nível dentro do clube. A queda de rendimento de figuras centrais da era Klopp passou a pesar mais claramente ao longo da temporada, sobretudo no caso de Mohamed Salah, que já não consegue manter com regularidade o protagonismo de outros momentos.
A fala recente do capitão Virgil van Dijk, ao reconhecer que este pode ser “o fim de uma era” para vários jogadores do elenco, reforçou uma percepção que já existe nos bastidores: o Liverpool está vivendo não somente uma oscilação técnica, mas uma transição mais profunda de identidade, liderança e composição de grupo.
Isso, evidentemente, não significa blindagem total para Slot. Há no clube o reconhecimento de que o holandês também cometeu erros e que determinadas escolhas contribuíram para o cenário atual. Mas a conclusão predominante é a de que ainda seria cedo para encerrar o projeto antes que ele passe por um ciclo mais completo de reformulação.
Nesse raciocínio, pesa também a comparação com o início da própria era Klopp. O alemão precisou de cinco janelas de transferências antes de conquistar seu primeiro grande título, a Champions League de 2019. No caso de Slot, de acordo com o periódico britânico, a ideia é de que ele tenha ao menos quatro janelas para moldar o elenco de acordo com sua proposta antes de ser submetido a uma avaliação mais dura.
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Participação ativa nos bastidores indica permanência de Slot
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A principal demonstração de confiança do Liverpool em Slot está no fato de que ele segue diretamente envolvido no planejamento do próximo mercado. Mesmo sob pressão, o técnico continua participando ativamente das decisões para a janela de verão, o que indica que o clube trabalha com continuidade, e não com substituição iminente.
Um dos movimentos já encaminhados é a contratação do zagueiro Jérémy Jacquet, do Rennes, em uma operação estimada em 55 milhões de libras (mais de 375 milhões de reais, de acordo com a cotação). E a tendência é que ele não seja o único reforço de uma janela que deve marcar mais um passo da reformulação.
Também ajuda Slot o fato de que o cenário de sucessão não parece tão simples quanto parte da torcida gostaria. A pressão aumentou à medida que nomes como Xabi Alonso e Steven Gerrard passaram a ser mencionados como alternativas emocionalmente fortes para o cargo, mas isso não significa, necessariamente, uma mudança viável ou desejada pelo clube neste momento.
No caso de Alonso, por exemplo, não há clareza sobre um eventual interesse em assumir o Liverpool agora. Além disso, o espanhol já havia pedido para não ser considerado em 2024, quando o clube buscava um substituto para Klopp. Na época, preferiu permanecer no Bayer Leverkusen e só saiu depois, quando surgiu a oportunidade de assumir o Real Madrid.
Essa lembrança ainda tem peso em Anfield. Internamente, a disposição demonstrada por Slot ao aceitar imediatamente a missão de suceder Klopp segue sendo valorizada.
Com contrato até o fim da próxima temporada, Slot deve permanecer no cargo ao menos até lá. Só depois disso o Liverpool pretende discutir com mais profundidade uma eventual renovação ou uma mudança de rumo. O mesmo horizonte vale para Richard Hughes (diretor esportivo) e Michael Edwards (diretor executivo de futebol), dois nomes centrais da estrutura esportiva e que também operam com um planejamento de médio prazo.