‘O Liverpool recorreu a uma estratégia que passou a impressão de submissão contra o PSG’
Após derrota por 2 a 0 na ida das quartas da Champions, ex-goleiro inglês vê escolha tática dos Reds como sinal de fragilidade
A atuação do Liverpool na derrota por 2 a 0 para o PSG, nesta quarta-feira (8), no Parque dos Príncipes, abriu espaço para críticas duras na imprensa inglesa. Mais do que o resultado no jogo de ida das quartas de final da Champions League, o que chamou atenção foi a forma como a equipe de Arne Slot se comportou em Paris: retraída, desconfortável e “submissa” ao adversário.
Ex-goleiro da seleção inglesa e hoje comentarista da “BBC”, Paul Robinson foi direto ao apontar o que mais o incomodou na estratégia adotada pelo Liverpool. Para ele, a escolha por uma linha de cinco defensores antes mesmo da bola rolar já dizia muito sobre o tipo de partida que os Reds pretendiam fazer — e sobre a mensagem que passaram ao rival.
— O Liverpool não pareceu coeso nesse sistema e, assim que você adota uma linha de cinco defensores, isso passa a impressão de submissão e de que você vai recuar e se defender dos adversários.
A crítica encontra eco no que o jogo mostrou. O Liverpool teve enorme dificuldade para sustentar posse, encurtar espaços com consistência ou transformar recuperação de bola em saída minimamente limpa. Em vez de disputar o controle da partida, aceitou durante longos períodos o papel de time encurralado, enquanto o PSG circulava, acelerava e empurrava o confronto para o campo inglês.
Liverpool foi medroso e submisso diante do PSG?
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Na leitura de Robinson, o problema não esteve apenas na execução, mas na origem da escolha. Para ele, o Liverpool entrou em campo moldado mais pelo temor ao PSG do que por convicção própria. A equipe, que em teoria tinha repertório para competir de outra forma, acabou se apresentando de maneira excessivamente passiva diante de um adversário que cresceu justamente porque encontrou pouca resistência real.
— Eles mudaram o sistema, jogaram com cinco defensores e, desde o apito inicial, se mostraram muito submissos. Vieram aqui e admitiram que não eram tão bons quanto o PSG como equipe.
A impressão deixada em Paris foi justamente essa: a de um Liverpool mais preocupado em limitar danos do que em construir uma resposta competitiva. Em muitos momentos, a equipe inglesa se resumiu a bolas longas, cruzamentos apressados e tentativas pouco sustentáveis de escapar da pressão. Contra um PSG técnico, agressivo e confortável com a bola, o preço pago foi alto.
Robinson também associou a atuação ao momento vivido pelos Reds, que devem terminar a temporada sem títulos. Na avaliação dele, a postura conservadora adotada por Slot não surgiu por acaso, mas como reflexo de um time emocionalmente abatido e sem confiança para sustentar um plano mais ambicioso em um palco desse tamanho.
— Obviamente, o Liverpool não está em boa fase e a confiança está muito baixa. É um time que está fragilizado, por isso jogaram com cinco defensores. Assim que vi a escalação com cinco defensores, isso me passou uma mensagem errada.
— Não se trata de explorar os pontos fortes do Liverpool e sim de defender suas fraquezas. Com Hakimi, Mendes, Kvaratskhelia e Doue, Arne Slot sabia dos problemas que sua equipe enfrentaria pelos lados do campo.
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A temporada 2025/26 do Liverpool até o momento
A temporada do Liverpool está longe de repetir o roteiro dominante de 2024/25, quando a equipe atropelou a concorrência e caminhou com folga até o título da Premier League. Desta vez, o cenário é bem mais modesto: após 31 rodadas, os Reds somam 49 pontos, com 14 vitórias, sete empates e dez derrotas, números que os deixam muito distantes da briga pela ponta. Hoje, a liderança isolada pertence ao Arsenal, com 70 pontos.
O desempenho nas copas domésticas também ajudaram a ampliar a sensação de frustração. Na Copa da Liga Inglesa, o time caiu ainda nas oitavas de final, superado pelo Crystal Palace. Já na Copa da Inglaterra, a queda veio mais adiante, mas de forma ainda mais pesada: um 4 a 0 para o Manchester City, no Etihad Stadium, selou a eliminação nas quartas de final.
Na Champions, como citado, a situação ainda permite reação, embora o grau de dificuldade tenha aumentado bastante. Depois da atuação apagada em Paris e da derrota por 2 a 0 para o PSG no jogo de ida, o Liverpool chega pressionado ao duelo em Anfield e precisará de uma vitória por três gols de diferença para seguir vivo no torneio.