Inglaterra

Ange Postecoglou: ‘Aceitar o Forest foi uma decisão errada, não sei o que estava pensando’

Treinador teve a passagem mais curta da história da Premier League, sendo demitido após 39 dias

Após uma passagem relâmpago pelo Nottingham Forest, Ange Postecoglou admitiu que a sua decisão de assumir o cargo de técnico foi um erro. O treinador ficou apenas 39 dias no comando da equipe e se tornou a dispensa mais rápida da história da Premier League.

Em declarações ao podcast “The Overlap”, ele abordou o estado emocional que o levou a retornar às atividades poucas semanas após a saída do Tottenham, mesmo com o título inédito da Liga Europa e uma péssima campanha na Premier League.

— Foi uma má decisão da minha parte ir para lá e tenho de assumir a responsabilidade por isso. Não faz sentido culpar o momento ou as circunstâncias – nunca devia ter ido. Fui em uma época em que eles estavam habituados a fazer as coisas de uma certa maneira, embora eu sempre fizesse as coisas de forma diferente. Foi erro meu — afirmou.

A curta passagem de Postecoglou durou apenas oito jogos, sem vitórias. Ange chegou ao Nottingham Forest em meio a um momento turbulento. Contudo, o impaciente e polêmico Evangelos Marinakis, dono do clube, acreditava que o técnico australiano podia contornar a situação.

— Olhando para trás, não sei o que estava pensando. Devia ter tido conversas mais aprofundadas antes de aceitar o trabalho. Mas sempre fui o tipo de pessoa que dizia: ‘Ponham-me lá e eu mostro a vocês’ — disse.

Ange Postecoglou em atuação pelo Nottingham Forest (Foto: Imago)
Ange Postecoglou em atuação pelo Nottingham Forest (Foto: Imago)

O que explica a demissão precoce de Ange Postecoglou?

troca de Nuno Espírito Santo por Ange Postecoglou foi considerada uma das decisões mais ousadas dos últimos anos na Premier League. Isso se deve aos poucos times que passaram por uma mudança de identidade tática tão radical em tão pouco tempo.

Com um perfil mais fluído com a bola e de maior pressão na saída dos adversários, o australiano tinha uma postura muito diferente do seu antecessor, o que acabou sendo um duro baque para o elenco do Forest, que teve dificuldades de assimilar as mudanças em uma janela tão curta.

Morgan Gibbs-White, referência técnica da equipe, chegou a dizer que o Nottingham Forest seria “imparável” quando os atletas se adaptassem às ideias do técnico australiano.

Entretanto, não foi o que aconteceu no curto período em que o técnico esteve à frente da equipe. Elliot Anderson até teve uma maior produção, já Nikola Milenkovic e Murillo demonstravam se sentir nervosos e expostos no setor defensivo.

A sequência de resultados negativos também abalou a confiança do time. O técnico até chegou a mudar sua ideologia nos últimos jogos do Forest, mas esquema com cinco defensores contrariou seus próprios princípios e criou dúvidas no vestiário. A situação ficou insustentável com os pedidos por sua saída vieram até mesmo das arquibancadas.

Sem um plano bem definido por seu dono, o Forest, do agora técnico Vítor Pereira, tem uma missão complicada até o fim da temporada. O time está na 17ª posição na tabela, uma posição acima do West Ham, primeiro na zona do rebaixamento. Os Hammers reagiram na competição, justamente com Nuno Espírito Santo, e estão a três pontos do Forest.

 

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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