Rosenior: ‘Quando um jogador fica chateado como Vini Jr. ficou, normalmente há um motivo’
Treinador do Chelsea diz que 'precisava se pronunciar' sobre acusação do brasileiro contra Prestianni e definiu que casos de racismo são 'perturbadores'
O técnico do Chelsea, Liam Rosenior, usou parte da entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (19) para comentar de forma breve a acusação de racismo feita por Vinicius Junior contra Gianluca Prestianni em Benfica x Real Madrid na terça-feira (17), pela Champions League. O argentino alega inocência.
Rosenior classificou casos de racismo são “perturbadores” e evitou “falar sobre um incidente em investigação”. Ainda assim, deixou uma consideração.
— O que digo é que, quando se vê um jogador ficar chateado como Vinicius Junior ficou, normalmente há um motivo. Eu já sofri racismo — declarou o treinador.
‘Inaceitável’: Rosenior desabafa sobre casos de racismo após denúncia de Vinicius Junior
Pouco antes do incidente, Vini Junior abriu o placar no segundo tempo com um golaço e comemorou dançando próximo à bandeirinha de escanteio do Estádio da Luz, em Portugal. A celebração não foi bem aceita pelos Encarnados, e Prestianni era um dos atletas a se queixar.
O brasileiro chegou a receber cartão amarelo e um princípio de confusão se formou. Enquanto os jogadores se dispersavam, o meia-atacante argentino cobriu a boca com a camisa para falar algo a Vinicius.
O camisa 7 imediatamente correu ao árbitro Francois Letexier e denunciou ter sido vítima de racismo. Segundo o astro, Prestianni o chamou de “mono”, que é “macaco” em espanhol.
A partida ficou paralisada enquanto o protocolo antirracismo da Fifa estava em andamento, mas retornou pouco depois sem mudanças.
— Qualquer forma de racismo na sociedade é inaceitável — disse Rosenior.
— As pessoas precisam entender que ser julgado por algo que deveria te dar orgulho é o pior sentimento. O racismo tem raízes históricas. Como técnico do Chelsea, precisava me pronunciar.
O inglês concluiu a declaração dizendo que qualquer jogador, treinador ou dirigente que seja considerado culpado de racismo não deveria mais estar no futebol. “Simples assim”, salientou.
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Uefa investiga caso envolvendo Vini Jr.
A Uefa informou que o caso está sob investigação e nomeou um inspetor de ética e disciplina para a averiguação. De acordo com a “Sky Sports”, o processo pode levar até três semanas para ser finalizado.
A entidade estabelece como sanção mínima em casos de racismo a suspensão de 10 jogos. A medida pode ser acompanhada de iniciativas de conscientização, conforme apontou o “The Athletic”.

Em nota, o Real Madrid alegou ter fornecido à Uefa as provas que sobre o incidente. “Nosso clube cooperou ativamente com a investigação aberta após os episódios inaceitáveis de racismo ocorridos”, escreveu a instituição, que ainda agradeceu o suporte a Vinicius Junior ao redor do mundo e reforçou apoio ao craque.
Prestianni se defendeu da acusação e afirmou que “não dirigiu insultos racistas” a Vini. Segundo ele, o brasileiro “interpretou errado” o que teria sido dito. O Benfica declarou apoio ao argentino.
Como a investigação não deve ser concluída antes da partida de volta, é provável que Prestianni fique à disposição de José Mourinho em Real Madrid x Benfica, no Santiago Bernabéu.
A partida está prevista para as 17h (de Brasília) do dia 25 de fevereiro (quarta-feira) e vale vaga nas oitavas de final da Champions.



