Por que destino ideal de meia do Corinthians é a Premier League? E o que causa valor baixo?
Alvinegro busca compensar crise financeira com saída de revelação da base
Nos últimos anos, muitos talentos emergiram da base do Corinthians, apesar do caos institucional e problemas financeiros. Nomes como Gabriel Moscardo, Wesley e Murillo deram o salto para fora do país e deixaram milhões nos cofres corintianos. Agora, são dois talentos que chamam a atenção e podem deixar o clube.
Os meio-campistas Breno Bidon e André Luiz aparecem como indicados a ser uma grande venda do Corinthians na atual janela de transferências para equilibrar as contas, segundo informações da “ESPN”. Só o segundo, de 19 anos, já tem interessados: a Juventus e o Crystal Palace.
Pelo perfil de André, mesmo em pouco tempo de profissional no gigante paulista, fica claro que suas características encaixam com perfeição na elite do futebol inglês — claro que respeitando o tempo de adaptação de um jovem.
André Luiz tem a cara da Premier League
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Desde os primeiros passos no profissional, estreando em setembro do ano passado, André Luiz ilustrou por que é considerado uma das grandes promessas do Corinthians. Como segundo volante, típico camisa 8, demonstrou muita força física e intensidade com e sem bola.
No momento ofensivo, pode ajudar na saída de bola com sua capacidade de reter a bola, até tendo repertório de dribles para escapar da marcação pressão, e também contribuir com ataque à área e finalizações de média e curta distância. Já foram sete gols em 46 jogos, além de duas assistências.
Ele tem um “quê” de Paul Pogba, que inspira o jovem do Corinthians. “De fisionomia, não acho que parece. O estilo de correr, a passada larga parece um pouco, mas acho que só isso”, disse ao “ge” em 2025.
Defensivamente, seu físico privilegiado garante muita combatividade na entrada da área e em subidas de pressão. É importante destacar a queda de desempenho do jovem nos últimos meses, algo natural pela idade e pelo impacto de uma ida à Europa frustrada em fevereiro.
André seria capaz de atuar em qualquer um dos cinco grandes campeonatos nacionais da Europa, mas tem um encaixe de perfil mais natural para uma liga que preza, principalmente, pelas transições e pela intensidade, como é a Premier League.
É o campeonato dos times verticais, diretos, e nem sempre tão pausados. O futebol italiano, em declínio há muito tempo, traz um contexto mais técnico e menos veloz.
Mostra-se o contexto ideal, ainda mais se for para o Crystal Palace, clube muito estruturado. A equipe londrina, de característica de muita pressão e ataque vertical, vem de títulos da Copa da Inglaterra, Community Shield e Conference League nos últimos anos, tendo o meio-campo, com Jefferson Lerma, Daichi Kamada e Adam Wharton como destaques e pilares no setor.
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Claro que a Juventus é muito maior que o Palace, fatura mais dinheiro e tem mais margem para vencer títulos — mesmo que, recentemente, os Eagles tenham conquistado mais. A questão é que, na Inglaterra, o jovem encontrará contexto menos conturbado e de menos pressão para se desenvolver aos 19 anos.
Além disso, tem a vitrine do futebol inglês, a possibilidade de um salto para o Big Six (Marc Guéhi, para o Manchester City; Maxence Lacroix, ao Chelsea; e Eberechi Eze, ao Arsenal, são exemplos) e ficar em evidência para a seleção brasileira, que teve oito convocados na última Copa do Mundo.
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Joia do Corinthians sai muito barato
Com seus agentes na Europa neste momento em busca de evolução nos interesses, André Luiz pode render 18 milhões de euros fixos e 4 milhões em bônus, pelo menos no que espera o Corinthians, apontou a “ESPN”. No começo deste ano, o Milan o tentou, por 17 milhões de euros, negociação vetada pelo presidente do clube, Osmar Stabile, pela pressão da torcida e até do então técnico do Alvinegro, Dorival Júnior.
O valor, distante de uma joia com perfil que a Europa adora, é um reflexo do contexto do Alvinegro. Em crise financeira, com três transfer bans ativos agora, o time precisa de receita para vender.
Se o jovem meia estivesse em um contexto menos conturbado, poderia desempenhar até mais do que agora e valer muito mais, mesmo que meio-campistas, naturalmente, valham menos que atacantes. No top-10 maiores vendas de times brasileiros, só Arthur, do Grêmio ao Barcelona, e Lucas Paquetá, do Flamengo ao Milan, são jogadores de meio.
André Luiz, na Europa, deve continuar sua curva de evolução para ser um jogador mais completo e, quem sabe, até chegar a vestir a Amarelinha. João Gomes, no Wolverhampton, Douglas Luiz, no Aston Villa, e Bruno Guimarães, no Newcastle, foram alguns dos jogadores que trilharam esse caminho à Seleção.