Segunda divisão holandesa tem favoritos bem conhecidos
Já há algum tempo, a renovação nos integrantes do Campeonato Holandês tem sido relativamente notável. Mesmo que a Nacompetitie dê a antepenúltimo e penúltimo colocados uma chance para permanecerem na divisão de elite, não é o que tem acontecido nas últimas temporadas. Em 2013/14, aliás, os promovidos foram dois egressos da segunda divisão, Dordrecht e Excelsior – além, é claro, do campeão Willem II. Por outro lado, NEC e Roda JC, veteranos da Eredivisie, voltaram a cair. Foi um certo trauma: o clube de Nijmegen estava desde 1995 na primeira divisão, e o de Kerkrade, desde 1974.
MAIS COLUNAS: O horizonte da Laranja está cheio de dúvidas
Exatamente para se recuperarem desse tombo é que ambos tomaram jeito. São os principais destaques na disputa da segunda divisão nesta temporada. Após 10 rodadas, os Nijmegenaren são os líderes, com 27 pontos – e já se garantiram na disputa do acesso, como um dos ganhadores dos quatro períodos em que as 36 rodadas da Eerste Divisie são divididas. Logo atrás, com 25 pontos, estão os Koempels, que deixaram a província de Limburgo sem um representante na Eredivisie, pela primeira vez na história do torneio. E mais atrás, com 22 pontos, vai aquele que pode ser considerado o terceiro grande candidato ao título da segunda divisão holandesa, o Volendam.
Curiosamente, NEC e Roda JC deixaram a Eredivisie de modos diferentes. O NEC nem precisava mudar tanto. Afinal, lutou com todas as forças para evitar a queda. Estava em último lugar durante boa parte da temporada passada; conseguiu sair. Estava sendo rebaixado diretamente, com uma derrota parcial para o Ajax, na última rodada (2 a 0); foi atrás, empatou o jogo e garantiu a sobrevida na Nacompetitie. Só aí houve a queda para o Sparta Rotterdam.
Aparentemente, uma queda “honrosa” não trazia motivos para mudanças radicais. Era um jogador novo aqui, outro esquema tático ali, e tudo estaria pronto para a Eerste Divisie. Só que da base do time rebaixado, pouco ficou. A começar pelo técnico: mesmo que o trabalho não tivesse sido de todo mau, Anton Janssen saiu. E veio Ruud Brood, técnico com certa experiência em times pequenos da Holanda. Entre os jogadores, apenas quatro titulares do ano passado permanecem indiscutíveis no elenco. Um deles, inclusive, até tem experiência internacional valiosa: o atacante iraniano Alireza Jahanbakhsh, que esteve na Copa do Mundo pelo Team Melli.
Só que o principal responsável, dentro de campo, pela boa campanha dos Nijmegenaren, é um reforço experiente em matéria de segunda divisão holandesa: o atacante Sjoerd Ars. Já com 30 anos nas costas, Ars é o goleador da Eerste Divisie, com 8 gols. E sua importância na finalização já fora vista em outros clubes acostumados à segunda divisão, como o hoje desativado RBC Roosendaal e o Zwolle, onde fora bem na temporada 2010/11. E aí o atacante ganhou a chance de ir para outros países: passou pela Bulgária (Levski Sofia), China (Tianjin Teda) e Turquia (Konyaspor e Karsiyaka). Sem muito sucesso, voltou à Holanda, seu habitat natural. E voltou à boa fase.
O caso do Roda JC, curiosamente, é diferente. Este, sim, tinha tudo para mudar as coisas rumo a esta temporada, de cima a baixo. Fizera péssima Eredivisie em 2013/14, culminando com a queda direta, como lanterna do campeonato. O time tinha uma defesa fragílima, e era muito nervoso em campo. Características que nenhum dos técnicos da temporada passada (fosse Ruud Brood – olha ele aí de novo! -, demitido no fim do primeiro turno, fosse Jon Dahl Tomasson) conseguiu solucionar.
Pois o novo técnico, René Trost, vindo do VVV-Venlo, conseguiu fazer o time render, com uma base bem semelhante à da temporada passada: nada menos do que sete jogadores com presenças frequentes em 2013/14 continuam firmes no time. Não há mais Guus Hupperts, que era o grande destaque técnico do elenco. Mas o Roda voltou a atuar bem, provavelmente, porque a equipe também tem jogadores acostumados à dureza de divisões inferiores. São casos de jogadores como os zagueiros Guy Ramos e Ard van Peppen, além do atacante Frank Demouge.
Sem contar que o clube também foi atrás de mais gente “cascuda”. para continuar progredindo. Veio daí o principal destaque momentâneo: o atacante Johan Plat, goleador da equipe na temporada, com 5 gols. E há outros casos nesse sentido, como o atacante Nayib Lagouireh e o meio-campista Nathan Rutjes.
Ainda há o Volendam, que bateu na trave para o acesso em 2012/13, perdendo o título na última rodada, mas mantém uma base desde então – e segue com resultados satisfatórios, embora tenha perdido o principal destaque (o atacante Robert Mühren, que foi para o AZ). Em quarto lugar, ainda está o FC Eindhoven, clube com mais participações na segunda divisão, que sonha voltar à Eredivisie após 36 anos. No entanto, são NEC e Roda JC que despontam como favoritos. Dois clubes que caíram da Eredivisie e precisaram achar a mesma solução, usando diferentes caminhos.
Você também pode se interessar por:
>>>> Holanda joga mais do que parece nas Eliminatórias da Euro
>>>> Ajax já começa a se assentar para o sonho do penta
>>>> Doença cardíaca de Van Basten coloca AZ em crise imprevista



