Ajax já começa a se assentar para o sonho do penta
Sem rodeios: o Ajax já parece pronto para firmar-se nas primeiras posições do Campeonato Holandês. Na verdade, nem é algo de se impressionar. Afinal de contas, foi lá que o clube esteve em boa parte de sua história – mais precisamente nas últimas quatro temporadas, quando terminou o campeonato com o título nas mãos. Mas é a mais pura verdade, também, que a equipe não começou o campeonato atual ostentando grandes aspirações. A rodada passada da Eredivisie solucionou isso, aparentemente.
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Tanto pelo que o time apresentou contra o NAC Breda, nos 5 a 2 categóricos, quanto na sorte que possibilitou o empate em pontos com o (ainda) líder PSV, derrotado pelo Heerenveen (1 a 0), e o Zwolle. Além disso, por mais que o empate contra o APOEL, pela Liga dos Campeões, tenha prejudicado até o futuro no torneio, Frank de Boer saiu com uma boa impressão, conforme as palavras ditas à NOS, emissora pública holandesa: “Dado o balanço da partida, poderíamos ter vencido, e por isso estou triste. Por outro lado, estou muito orgulhoso dos garotos. Fomos claramente superiores”.
Mas qual é a razão para os Ajacieden parecerem um time mais assentado? Também não é nada que não se conheça: a capacidade de se adaptarem rapidamente à grande perda da janela de transferências. Se a equipe se recompôs de tantas saídas nos últimos três anos – aliás, de tantas saídas nas últimas décadas, pode-se dizer -, por que não se recomporia das perdas de Blind e Siem de Jong? Foi exatamente o que aconteceu. E de certa forma, aconteceu de modo mais rápido do que se supunha.
Como a Copa do Mundo tirou as dúvidas em relação à posição real de Blind (pode até jogar na lateral esquerda, mas fixou-se mais no meio-campo), a canhota já ficaria aberta, caso o filho de Danny permanecesse em Amsterdã. Com sua saída, a efetivação de Nicolai Boilesen no setor foi quase natural – e o dinamarquês tem se saído bem. Até porque ele nem precisa avançar muito: exatamente pela esquerda do ataque corre Lasse Schöne. Personagem ignorado demais para a importância que adquiriu no elenco – e no esquema de Frank de Boer.
Schöne é o líder técnico do Ajax. Ponto. Ocupa hoje a função que era de Siem de Jong: se necessário, volta para armar as jogadas. Se o negócio é ficar na frente, auxiliando o ataque, passou a fazer isso nesta temporada. E nas bolas paradas, já ocupou seu espaço brilhantemente – como o Paris Saint-Germain viu, na estreia dos dois times pela fase de grupos da Liga dos Campeões. Sem dúvida nenhuma, o dinamarquês (mais um!) merece atenção, até em termos de transferências para clubes maiores. Tanto pela capacidade que mostra na armação, como pelos gols – já são três, o que o torna goleador do time na Eredivisie, junto de Sigthórsson.
O islandês, aliás, andava pressionado pelo crescimento do polonês Milik, que fizera os dois gols no 2 a 1 contra o Heracles Almelo – sem contar os aberrantes seis gols contra o JOS Watergrafsmeer, pela Copa da Holanda. Pois bem: contra um esforçado NAC Breda, que começara bem o jogo, Sigthórsson tratou de fazer dois gols em nove minutos, levando o placar a 3 a 0 – depois ainda marcaria o terceiro.
E a defesa, no meio de tudo? Pois vai bem. Podia estar melhor, é verdade: já tomou dez gols na Eredivisie, contra sete do PSV e nove do Zwolle. Mas ao mesmo tempo, os jogadores parecem mais confiantes. Três casos são claros. No gol, Cillessen aproveitou plenamente a Copa para tornar-se um goleiro mais maduro, que transmite mais segurança a seu time. No clássico contra o Feyenoord, por exemplo, fez duas defesas decisivas. A única coisa em que ainda peca? Os argentinos (e costarriquenhos, indiretamente) sabem: pênaltis. Assim Cillessen sofreu o gol de empate do APOEL, no meio da semana.
Por sinal, pênalti surgido de uma infração inexistente de Van Rhijn. A bola bateu em seu peito, mas o árbitro sérvio Milorad Mazic julgou que houvera a infração – e veio o 1 a 1 de se lamentar. Pelo menos, no aspecto doméstico, o lateral direito anda se recuperando: fez o belíssimo gol da vitória contra o Feyenoord, e ainda abriu o placar contra o NAC Breda. No miolo de zaga, aparentemente, Veltman começa a ganhar alguma malícia – o que era o seu grande defeito.
Como o empate do meio da semana entregou, nem tudo está bem. Os Godenzonen bem poderiam ter ganho em Nicósia, e agora jogam o futuro na Liga dos Campeões nas duas partidas contra um Barcelona que não é mais o que já foi, mas que é claramente melhor – e virá mordido pela derrota para o Paris Saint-Germain. Enquanto não chega a terceira rodada da fase de grupos, o Ajax tem a chance perfeita para confirmar a sua reação no Holandês neste fim de semana: encara justamente o Zwolle, adversário que começa a se tornar pedra no sapato, após a humilhante derrota na final da Copa da Holanda, mais o revés na Supercopa da Holanda. De quebra, é adversário direto na disputa pela liderança. Se há hora para começar a falar grosso, é esta.
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Como queríamos demonstrar
A coluna da semana passada terminava dizendo que o Feyenoord resolveria sua crise começando a vencer. Era só e era tudo. Pois bem: 4 a 0 no Go Ahead Eagles, na última semana, e ótima vitória sobre o Standard Liège, na segunda rodada da Liga Europa (2 a 1). Bastou para os sonhos voltarem.



