Holanda

Holanda joga mais do que parece nas Eliminatórias da Euro

A derrota para a República Tcheca, na estreia pelas eliminatórias da Euro 2016, em setembro, foi desnecessária. Até porque só ocorreu a partir de uma falha do lateral direito Janmaat. E o técnico Guus Hiddink saiu do campo furibundo com a atuação dos jogadores – a ponto de ter demorado para a entrevista pós-jogo, tentando se acalmar. Pelo que o jornal “Algemeen Dagblad” noticiou no dia 20 de setembro, foi mais do que isso: Hiddink pensou seriamente em pedir demissão. Aí nota-se como os jogos da Oranje, contra Cazaquistão (nesta sexta) e Islândia (na próxima terça), ganham importância.

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Por mais que o pensamento sobre uma demissão tenha sido exagerado, conforme o próprio Hiddink se retratou em entrevista coletiva, é óbvio que o retorno laranja às atividades, no pós-Copa, impressionou negativamente. E para notar isso nem era necessário ouvir o técnico: bastou consultar todos os jogadores que iam chegando ao hotel Huis ter Duin, em Noordwijk, tradicional quartel-general da seleção. Sneijder, por exemplo, foi definitivo: “Parece claro que não podemos continuar vivendo do bom terceiro lugar na Copa. Começamos do zero de novo. Precisamos nos classificar para a Euro, a vaga não virá por si só”.

Exatamente por isso é que Hiddink já fez algumas alterações entre os convocados – e até no time titular. Sem Janmaat, cortado por lesão na parte posterior da coxa, Verhaegh voltou ao elenco, e Van der Wiel, enfim, voltará a ser titular na Oranje. Caso aprenda a se segurar mais nos avanços e mantenha os bons desempenhos de início de temporada no Paris Saint-Germain, o lateral tem boas chances de se fortalecer para voltar ao lugar que foi seu entre 2010 e 2012.

Na zaga, De Vrij e Martins Indi seguem como titulares indubitáveis. Mas por via das dúvidas, dois outros jogadores terão uma chance dada por Hiddink. O primeiro já é tido há algum tempo como mais uma esperança da zaga holandesa: Virgil van Dijk, do Celtic, convocado pela primeira vez na primeira rodada das Eliminatórias (mas que ficará de fora contra o Cazaquistão). A outra opção que pode ser experimentada na zaga é até surpreendente: Jeffrey Bruma não é destaque atual do PSV, mas recebeu outra chance.

Só que as grandes alterações em relação à primeira rodada estão no meio-campo e no ataque. Com as boas atuações rareando, Sneijder já não será mais o armador único na Oranje: reagindo no Olympiacos, Ibrahim Afellay é mais um jogador que merecerá outra chance. Começará jogando no 4-3-3 inicial contra o Cazaquistão, e pode oferecer a rapidez que o camisa 10 tradicional não dá faz algum tempo. Enquanto isso, na marcação, Nigel de Jong carrega o piano.

Pela esquerda do ataque é que haverá o desafio (até porque na direita, Robben está de volta, após lesão). Já não há mais Dirk Kuyt, que decidiu se retirar da Oranje, após 10 anos e 104 jogos. E fez bem, diga-se de passagem: com 34 anos, nem mesmo o esforço costumeiro que despende em campo e que o faz querido pelos clubes onde passa esconderia o fato de que Kuyt seria apenas a terceira opção daquela posição, no 4-3-3 de Hiddink. E sequer eventuais mudanças para o 5-3-2 melhorariam a situação do jogador do Fenerbahçe.

Com Robben e Van Persie como os únicos intocáveis atuais da Laranja, Hiddink deverá fazer alguns testes na esquerda do ataque. Três são os candidatos: Lens, Depay – que está de fora dos jogos, lesionado na virilha – e outra aposta do técnico. Pré-convocado para a Copa por Louis van Gaal, mas fora da lista final, Quincy Promes já fora destaque no Twente – e continua indo bem no Dynamo Moscou, para onde foi na última janela de transferências. Embora muito fosse falado sobre a dificuldade que a distância traria a uma convocação, Promes superou-a no princípio. E comemorou: “A Rússia é um país que não está entre os mais vistos da Europa. Eu sabia que era um passo arriscado, por isso comemorei tanto a convocação”.

Destaques de volta, a Holanda espera que sua “estreia” seja vista nesta rodada. Hiddink não só manteve o 4-3-3 cuja volta causou tanta surpresa, mas ainda mostrou otimismo para o jogo contra os cazaques, em Amsterdã: “Queremos vencer, naturalmente, mas preferimos que seja da maneira como gostamos de ver, com futebol ofensivo”. E o técnico ainda pediu a atenção que faltou contra os tchecos: “A princípio, queremos decidir rapidamente o jogo, para podermos nos precaver com vistas ao jogo contra a Islândia”. Faz bem. Até pelo bom começo dos islandeses, vice-líderes do grupo, e que jogarão em casa na próxima terça.

Repita-se: a atenção que faltou à Oranje no amistoso contra a República Tcheca é a grande chave para as vitórias necessárias. Se elas vierem, volta o clima otimista e ameno com que a Holanda deixou a Copa – e com o qual Van der Wiel respondeu a uma pergunta sobre o que conhecia do Cazaquistão: “Só conheço o Borat, sei que ele veio de lá”, referindo-se ao personagem de Sacha Baron Cohen. Em campo, as coisas terão de ser mais sérias. De outro modo, talvez os pensamentos momentâneos de Guus Hiddink sobre uma saída precoce tornem-se mais factíveis.

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