Games

Gamepédia do Futebol – #4 Football Manager (mas não é aquele) de 1982

Os anos 80 iniciam o gênero que conquista fãs até hoje nos gramados virtuais

Continuamos na dourada década de ouro dos videogames de futebol. Época esta que transformou pixels em algo parecido com jogadores, desenvolveu tendências de câmera e jogabilidade e apresentou ao mundo novos gêneros e formas de desenvolver simuladores de futebol. No quarto capítulo da nossa Gamepédia do Futebol, vamos apresentar o título pioneiro nos jogos estilo manager, que fazem muito sucesso até hoje. Depois de Taito Soccer, NASL Soccer e Electronic Table Soccer, chegou a hora de falar sobre Football Manager.

Em 1982, foi lançado na Inglaterra o ZX Spectrum, um microcomputador de 8 bits desenvolvido pela empresa Sinclair que foi um dos mais influentes no mercado naquela década. Apesar de não possuir joysticks e ter suas limitações técnicas, o que dificultava o desenvolvimento de jogos, o Spectrum teve papel importante na popularização dos videogames na época. Apesar de não ser exclusivo da plataforma, Football Manager foi lançado no mesmo ano do microcomputador. 

Produzido pela Addictive Games, desenvolvedora inglesa de jogos virtuais fundada por Kevin Toms, o título foi pensado inicialmente para TRS-80, da Tandy Corporation, e ZX81, da Sinclair, dois microcomputadores da época. Com a chegada do Sinclair ZX Spectrum, sucessor do ZX81, a Addictive lançou em setembro de 1982 uma versão reformulada de Football Manager, com a adição de cenas gráficas de momentos do jogo de futebol – em especial nas cenas de gol. A popularização do Spectrum e a dinâmica do Football Manager fizeram com que ambos alcançassem o status de best sellers.

Em termos de gameplay, Football Manager não se parecia em nada com os jogos lançados até o momento. Desta vez, o usuário não tinha nenhum controle sobre os jogadores durante a partida. Na prática, o jogo oferecia a experiência de manager de um clube, cuidando das contratações, gestão e táticas de sua equipe. A dinâmica do jogo consiste em interagir com diversos menus, que apresentam cenários em texto gerados pela inteligência artificial, digitando números ou caracteres no teclado do Spectrum – já que a plataforma não conta com joystick. 

Apesar da simplicidade dos menus, cores e sons, Football Manager é disparado o simulador mais profundo lançado até aquele momento. Ao contrário dos seus antecessores, o título não se limitava a partidas curtas e focava na construção de uma narrativa longa de desenvolvimento do seu próprio clube de futebol. O realismo era tanto que os jogadores, cada um com seu valor de mercado, poderiam ser transferidos por compra ou empréstimo. Para encantar os técnicos digitais da época, no Spectrum o Football Manager apresentava ao final de cada partida os melhores momentos, com simulações de lances com jogadores e o campo em perspectiva.

A capa do antigo Football Manager, de 1982 (reprodução)

Em 1987, a Addictive Games foi adquirida pela Prism Leisure Corporation e, ainda sob a assinatura de Kevin Toms, Football Manager 2 foi lançado em 1988. O título estava presente em mais plataformas, mas poucas alterações aconteceram comparada à versão anterior. Mudanças significativas vieram nos dois seguintes lançamentos, Football Manager World Cup Edition e Football Manager 3.

A edição Copa do Mundo foi lançada em 1990, ano da competição disputada na Itália, e tinha muitas alterações na gameplay. O usuário controlava uma seleção – logo, não havia contratações e nada sobre a parte financeira – em busca da classificação para a Copa. Se fosse Argentina ou Itália, que já tinham suas vagas garantidas, entrava direto na fase final da competição. As adições desta edição foram a possibilidade de editar os nomes dos jogadores, garantindo assim a fidelidade, a habilidade de conversar com os seus comandados, antes do jogo e no intervalo, e as coletivas de imprensa antes dos jogos.

Para Football Manager 3, lançado em 1992, o sistema de comando de clubes foi retomado, mas com mais profundidade. Os jogadores apresentavam imagens e atributos individuais, os 92 times ingleses da época estavam representados corretamente em suas divisões, melhorias no mercado de transferências e um novo sistema de treino para desenvolvimento do seu plantel. A parte negativa ficou a cargo da falta dos nomes reais dos jogadores, que apresentavam nomes genéricos ou apenas as iniciais, e a retirada da possibilidade de alterar o time durante o intervalo, que estava presente na edição anterior. Esta foi a última edição desenvolvida pela Addictive Games.

Apesar de ser bem avaliado pela produtora, Football Manager 3 já não conseguiu repetir o mesmo sucesso de vendas dos títulos anteriores da franquia. Dentre os diversos motivos, está a chegada do Championship Manager – sim, aquele mesmo! -, fruto da parceria entre Sports Interactive e Eidos Interactive. Depois da separação em 2004, a SI ficou com o código do jogo e resgatou o nome que estava parado.

Hoje, o legado continua no título homônimo Football Manager produzido pela Sports Interactive, empresa subsidiária da SEGA desde 2005. O jogo não é vendido no Brasil para evitar problemas com licenciamento de jogadores, mas é possível adquirir mesmo em solo brasileiro. Para os próximos anos, a desenvolvedora promete a entrada do futebol feminino e, apesar do nome consolidado, divulgou números com queda brusca no número de jogadores no balanço de 2021.

E você, joga aquele FM maroto até hoje? Como está a sua carreira? Conta um pouco para a gente nos comentários.

Mostrar mais

João Belline

Jornalista de formação, louco dos esportes por opção. Depois de muito escalar Cartola, jogar Winning Eleven, escrever escalação dos sonhos no caderno e topar o dedão na rua, falar sobre futebol virou uma necessidade. É mais um leitor que buscou espaço no time da Trivela e entende que futebol está acima do clube.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo