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Gamepédia do Futebol – #28 Pro Evolution Soccer

Mesmo não sendo conhecido mundialmente assim, este nome é essencial para contar a história de uma das principais empresas da indústria

O episódio #28 na Gamepédia, a enciclopédia de games de futebol, é um tanto delicado e vou explicar o porquê. Cronologicamente, Pro Evolution Soccer é o sucessor natural do Winning Eleven e foi o principal produto da Konami a partir de meados dos anos 2000. Essa afirmação não está errada, mas também não está completamente correta. Isso porque no Japão o nome Winning Eleven nunca caiu e foi utilizado para apresentar o mesmo produto com outra denominação. Você vai reparar que em algumas partes relacionamos o episódio ao primeiro Pro Evolution Soccer, que é o Winning Eleven 5, e em outras vamos apresentar pontos apresentados ao longo da evolução do jogo, em especial após a versão PES 6, que começa a utilizar o nome em solo brasileiro.

Fundada em 1969, a Konami produziu seu primeiro título de futebol, Konami’s Soccer, no ano de 1985. Mas foi na década de 90 que a empresa japonesa alcançou relevância no mercado de games de futebol ao bater de frente com a EA Sports com os títulos International Superstar Soccer e Winning Eleven. O que nem todos sabem é que o título WE 5 é também o primeiro da série Pro Evolution Soccer. Isso porque o nome que ficou conhecido aqui no Brasil é o utilizado em solo japonês, Winning Eleven. No restante do planeta, o simulador de futebol da Konami era conhecido pelo acrônimo PES.

O Pro Evolution Soccer (Winning Eleven 5) é um simulador de futebol lançado pela Konami em 2001 para Playstation e Playstation 2. Ele conta com gráficos tridimensionais, dinâmica lateral e câmera isométrica. A grande chave do sucesso de PES é a jogabilidade fluida e a fácil de se adaptar, possibilitando que jogadores mais casuais ou oriundos de outros games conseguissem uma iniciação rápida. Como já abordado no episódio #24, o FIFA apostava em gráficos cada vez mais realistas, enquanto a Konami não deixava a desejar no visual e ainda caprichava na gameplay.

Imagem do gameplay de PES 2008

Sua primeira versão contou com 82 esquadrões, sendo 50 seleções e 32 times, a grande maioria sem os nomes corretos pois não havia o licenciamento das equipes. Ainda assim, era possível assimilar o time de acordo com o nome que fazia alusão ao local em que residiam. Na versão para Playstation 2, Vasco da Gama (Rio de Janeiro), Palmeiras (Palestora), River Plate (La Plata), Boca Juniors (Buenos Aires) eram algumas das equipes exclusivas. Depois da EA Sports sofrer um processo e parar de reproduzir os jogadores brasileiros fielmente no FIFA a partir de 2016, a Konami apostou no licenciamento clube a clube para continuar entregando times páreos a um dos seus públicos mais fiéis, contando com clubes das séries A e B, entre eles alguns exclusivos como Corinthians e Flamengo, em suas edições posteriores.

Além das inovações que já apresentamos no capítulo especial sobre Winning Eleven, vamos considerar o que aconteceu depois da versão 5 e que já engloba a história de Pro Evolution Soccer. Uma delas são os dribles especiais, como o elástico e as pedaladas mais insinuantes. Além disso, os jogadores apresentavam diferentes tipos de corrida, batidas de falta e outros aspectos da movimentação que tornavam a jogabilidade ainda mais real e similar ao que se via nos gramados reais. Outro ponto é o início das partidas on-line e o cenário de e-Sports, que mudam totalmente o patamar do jogo, criando um ecossistema de competições, premiações e atletas digitais.

Brasil, de Ronaldinho, contra Portugal, em imagem do PES 2008

É importante destacar que até a versão 2001, o jogo ainda recebeu o nome de eFootball Winning Eleven no Japão – enquanto no restante do mundo ele continuava a ser chamado como Pro Evolution Soccer. A virada de chave no Brasil foi o Pro Evolution Soccer 6, de 2006, que praticamente extinguiu o nome anterior das prateleiras por aqui e passou a consolidar o título com a denominação mundial. A partir do PES 2008, a série da Konami passou a ter o ano acompanhando o nome e a capa com Cristiano Ronaldo, na época melhor jogador do mundo, foi um marco para a franquia que liderava as vendas de games de futebol.

Foi apenas em 2009, com o FIFA 10, que a EA Sports conseguiu retomar seu posto de líder de mercado e não mais perdeu. Em 2021, com o lançamento do eFootball, nova plataforma de simulação de futebol que viria a suceder o PES, a Konami deu um tiro no pé e não atendeu às expectativas em torno de uma proposta gratuita que poderia revolucionar o consumo de games relacionados ao esporte. Fato é que a década de 2010 foi de domínio da empresa japonesa e Pro Evolution Soccer tem o seu nome gravado na história dos simuladores de futebol. Por mais que tenha ficado em segundo lugar depois, o PES manteve um público fiel e também um cenário de e-Sports consolidado.

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João Belline

Jornalista de formação, louco dos esportes por opção. Depois de muito escalar Cartola, jogar Winning Eleven, escrever escalação dos sonhos no caderno e topar o dedão na rua, falar sobre futebol virou uma necessidade. É mais um leitor que buscou espaço no time da Trivela e entende que futebol está acima do clube.

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