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Gamepédia do Futebol – #24 Winning Eleven

O queridinho dos brasileiros suscita saudades até hoje com seus patches, jogadores lendários e a inesquecível Master League

Depois de ser citado mais de uma vez ao longo da nossa Gamepédia, finalmente chegou o dia de falar sobre Winning Eleven. Por ser um sucesso absoluto no Brasil e o jogo da juventude do redator, será inevitável alterar um pouco o formato e ficar ainda mais opinativo. Claro que também vamos abordar a relação com International Superstar Soccer e Goal Storm, afinal suas histórias se misturam, mas já deixamos o convite para que vocês também relembrem as incontáveis tardes fortalecendo o time da Master League e dividam suas histórias nos comentários. Com vocês, o tão esperado 24º capítulo da enciclopédia de games de futebol: Winning Eleven.

Fundada em 1969, a Konami produziu seu primeiro título de futebol, Konami’s Soccer, no ano de 1985. Mas foi na década de 90 que a empresa japonesa alcançou relevância no mercado de games de futebol ao bater de frente com a EA Sports com os títulos ISS e Goal Storm. A questão é que em solo japonês, os jogos se chamavam, respectivamente, Jikkyou World Soccer: Perfect Eleven e World Soccer: Winning Eleven. Ou seja, de alguma forma, Goal Storm é também o primeiro título da sequência homenageada neste episódio e que fez tanto sucesso no Brasil. Para não se apegar tanto à questão dos nomes, afinal em alguns mercados como o estadunidense e o europeu, a denominação Winning Eleven basicamente não existiu e foi sempre substituída por outra, é interessante destacar o Winning Eleven 4 e o Winning Eleven 2002 como responsáveis por popularizar a série com este título em solo brasileiro.

O Winning Eleven surfou no sucesso comercial do Playstation, console da Sony que tornou-se o mais vendido da história. O título seguia a linguagem estética dos games de futebol da época: tridimensional, avatares poligonais, câmera isométrica e dinâmica lateral de jogo. Enquanto sua “primeira versão” Goal Storm apresentava problemas na gameplay como a incapacidade de correr e mudar de direção e FIFA apostava nos aspectos gráficos, o Winning Eleven rapidamente passou a entregar uma jogabilidade muito fluida sem abrir mão de uma ótima experiência visual.

Em termos de evolução para a época, o simulador de futebol da Konami, em especial a versão 97, trouxe a barra de força para o chute e o indicador no ecrã se o time está mais defensivo ou ofensivo no campo. Além disso, as variações de câmera entregavam um ótimo aspecto visual somado aos gráficos realistas. Mas vale destacar que nada era mais revolucionário para a época do que a jogabilidade extremamente simples, ágil e fluida. A experiência de jogar futebol digital nunca tinha sido tão boa e a entrega de Winning Eleven fez com que novos parâmetros tivessem que ser seguidos tanto pela própria Konami como também para as empresas concorrentes. Outra funcionalidade interessante era o modo edição, que possibilitou inicialmente a mudança de nome, chuteira e demais aspectos estéticos dos jogadores, e com o tempo saltou de qualidade para construir uniformes, emblemas e fazer basicamente o que se desejasse dentro do jogo.

Nos modos de jogo, nada é mais importante do que a Master League. Ela consiste basicamente em iniciar a história de um clube com um elenco limitado genérico e transformá-lo em uma potência do futebol mundial. Apesar do sistema limitado de contratações, foi uma revolução para a época a adição da gestão empresarial de uma instituição somado à experiência de disputar as partidas em campo. Foram inúmeras as carreiras construídas, mas eu costumava escolher o Borussia Dortmund, por sua era de ouro nos anos 90 e o belíssimo uniforme aurinegro, e contratar Shunsuke Nakamura como primeiro reforço, pois o preço era muito baixo e ele guardava belíssimos gols de falta e batendo de fora da área.

Ao iniciar sua trajetória da ML, o elenco era constituído de jogadores criados para a própria data-base do jogo. A escalação histórica contava com a estrela Castolo fazendo dupla de ataque com Ordaz, um atacante mais limitado, mas que também brocava seus golzinhos. Na meia, o jogador mais talentoso era Minanda, mas Ximelez e Espimas também contribuíram bastante. A defesa se segurava bem com Jaric e Stremer, mas Ivarov sempre fazia o time passar por alguns sufocos debaixo das traves. Depois de algumas temporadas, todos os jogadores eram negociados, mas era bastante comum que Castolo fosse o último deles. Afinal, o craque brasileiro era muito habilidoso e ajudava muito mesmo em times avançados.

Apesar de contar com versões históricas como o WE 4, o WE 5 (que também é o primeiro a ser chamado no mercado europeu de Pro Evolution Soccer), o WE 6 (com a abertura inesquecível ao som de We Will Rock You, do Queen, o WE 2000 e o WE 2002, que já contavam com a Master League e clubes europeus), os patches são parte essencial da história da franquia e, em especial, no Brasil ainda mais. Como havia limitações quanto à língua e aos clubes disponíveis no jogo, os brasileiros criaram diversas versões adicionando times brasileiros, esquadrões históricos, narração de Galvão Bueno ou Silvio Luiz, e mantinham os elencos atualizados com as últimas transferências. É inevitável citar o assunto e não dar os créditos ao Bomba Patch – “100% atualizado é ruim de aturar!”.

Enfim, falar de Winning Eleven e destacar sua importância não é nenhuma novidade, mas este título não poderia ficar de fora da Gamepédia. Sendo um jogo acessível para a época e que corresponde a uma parte importante da infância ou da juventude do nosso público, deixamos o convite: conte suas principais lembranças nos comentários e algumas coisas que te marcaram no jogo ou na Master League. Além da lenda Nakamura, me recordo do Ronaldo de chuteira azul e de, claro, colocar o Roberto Carlos no ataque! Vamos lá?

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João Belline

Jornalista de formação, louco dos esportes por opção. Depois de muito escalar Cartola, jogar Winning Eleven, escrever escalação dos sonhos no caderno e topar o dedão na rua, falar sobre futebol virou uma necessidade. É mais um leitor que buscou espaço no time da Trivela e entende que futebol está acima do clube.

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