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Gamepédia do Futebol – #26 FIFA: Road to World Cup 98

Fifa 98 marcou época em diferentes aspectos, desde a trilha sonora até o modo de jogo com Eliminatórias

A proposta da nossa Gamepédia é criar um registro de grandes títulos que marcaram a história dos games de futebol e foram peças fundamentais para chegarmos ao momento que hoje vivemos. Neste aspecto, selecionamos a primeira versão de cada franquia ou o título que fez com que ela alcançasse o sucesso. O homenageado do nosso episódio 26 não é a primeira versão da franquia, mas é um capítulo que não pode ser ignorado em uma série que se propõe a ser uma enciclopédia. A EA Sports iniciou essa história em 1993, teve avanços importantes em 1995, mas é em 1997 que ela atinge outro patamar. Com vocês: FIFA: Road to World Cup 98.

Se você teve a oportunidade de viver a época, é impossível escutar a música acima e não fazer a rápida ligação entre Song 2, da banda inglesa Blur, e a franquia FIFA. Antes de mergulhar no título dedicado à Copa do Mundo da França, é importante destacar que FIFA 96 foi o primeiro da franquia a contar com a FIFPro como parceira e, consequentemente, ter o direito de vincular os nomes e imagens reais dos jogadores. O notável avanço da gameplay, principalmente visando tornar-se um simulador de futebol, com formações realistas e comportamentos táticos avançados, colocou o jogo da Electronic Arts como candidato a protagonista, disputando com International Superstar Soccer.

FIFA: Road to World Cup 98, ou simplesmente FIFA 98, é um jogo tridimensional, com dinâmica lateral e câmera isométrica. O título foi distribuído para as plataformas Mega Drive, SNES, Sega Saturn, Nintendo 64, Playstation e PC. Ao contrário do que o nome pode sugerir, ele não é um jogo exclusivo da Copa do Mundo ou de seleções, contando com 11 ligas, entre elas o Campeonato Brasileiro. Entretanto, é lógico que a principal competição de futebol entre países tenha o seu destaque no game. Além da fase final representada fielmente, o game também conta com as eliminatórias – excluindo França, país sede, e Brasil, campeão da edição de 1994, que já estavam classificados e pulavam esta fase.

Uma funcionalidade muito interessante adicionada ao jogo é a possibilidade de fazer testes ao longo da trajetória de sua Seleção nas eliminatórias. Além das decisões dentro de campo e as escolhas táticas, o usuário também pode fazer mudanças na convocação e refinar o elenco a caminho da competição em solo francês. Você pode escolher uma das 170 seleções que participaram das eliminatórias, além de Brasil e França, e buscar sua classificação ao longo de todo o ciclo de Copa. 

O ponto alto de “FIFA 98” é que ele é o primeiro com uma trilha sonora de músicas licenciadas. Além do hit da Blur, os grupos estadunidenses The Crystal Method – com as faixas Busy Child, Keep Hope Alive, More, Now is the Time – e Electric Skychurch – com Hugga Bear – foram responsáveis por sonorizar o ambiente entre partidas do game. Desde esta edição, a desenvolvedora de games conta com uma divisão chamada EA Trax, que é responsável pela sonoplastia dos jogos da franquia.

Em termos de gameplay, o FIFA atingiu um nível de simulador notável. A parte tática tinha um papel significativo e alguns erros poderiam custar muito caro. Houve uma melhoria significativa na inteligência artificial e na jogabilidade, que pecava um pouco nas edições anteriores. A parte gráfica teve melhoras não só no acabamento dos jogadores e passou a contar com 16 estádios licenciados e com suas particularidades – entre eles o Maracanã.

O título também contou com evoluções no modo liga, com a limitação da verba de transferências, e apresentou jogadores ainda mais reais na cama de três dimensões. Ainda assim, FIFA: Road to World Cup é um produto marcante pelo seu apelo audiovisual, em especial pelo começo do uso da trilha sonora como peça essencial do desenvolvimento de um game de futebol. Tanto é que no ano seguinte a EA manteve o nível alto com Rockafeller Skank, do Fatboy Slim, e mesmo os concorrentes também tiveram seus hinos, como a Konami e We Will Rock You, do Queen, em Winning Eleven.

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João Belline

Jornalista de formação, louco dos esportes por opção. Depois de muito escalar Cartola, jogar Winning Eleven, escrever escalação dos sonhos no caderno e topar o dedão na rua, falar sobre futebol virou uma necessidade. É mais um leitor que buscou espaço no time da Trivela e entende que futebol está acima do clube.

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