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Gamepédia do Futebol – #17 Virtua Striker

O hit das casas de fliperama conquistou muitas fichas e corações ao longo das décadas

A SEGA apareceu três vezes na Gamepédia até agora. A primeira delas é com Great Soccer, jogo proprietário que focava na experiência arcade para disputar a Copa do Mundo. Com o lançamento do Master System, o sucesso finalmente chegou para a empresa japonesa e World Cup Italia 90’ pegou carona na popularidade de Sonic. Depois, licenciando o jogo da Virgin e Krisalis, a SEGA mergulha na popularidade da Champions League com o European Club Soccer. Em seu quarto título na nossa Enciclopédia de Games de Futebol, a empresa retorna aos arcades e apresenta ao mundo a série Virtua Striker, nosso 17° episódio. 

Iniciando sua história em 1950, a SEGA consolidou-se no cenário de consoles doméstico em 1985, com o Master System. Enquanto isso, dois anos antes, o programador Yu Suzuki era contratado pela instituição. Logo em seu primeiro ano, Suzuki causou uma boa impressão com suas primeiras empreitadas e foi promovido a gerente de projetos. No ano seguinte, ele foi o responsável por liderar um estúdio interno de desenvolvimento de jogos da SEGA, o Amusement Machine Research and Development Team, ou SEGA AM2. O estúdio foi o responsável por uma grande evolução tecnológica e gráfica da empresa – além de hits como Virtua Racing, Virtua Fighter, Daytona USA, Hang-On e After Burner.

Virtua Striker foi lançado em 1994, pela SEGA AM2, para fliperamas. O jogo é o primeiro em três dimensões e apresenta gráficos poligonais, com personagens bem maiores do que a proporção entre atletas e campo deveria apresentar. Até por ser produzido para os arcades, não apresentava a evolução dos simuladores anteriores – como substituição, individualidade dos jogadores, aspectos táticos, etc. – e focava em um único modo eliminatório, com o chaveamento das 16 seleções presentes no jogo. Caso conseguisse vencer as quatro partidas e sagrar-se campeão, uma quinta partida especial era apresentada: o embate contra o SEGA F. C.

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A dinâmica de jogo é bem equilibrada e, apesar de ser um fliperama, apresenta uma gameplay bem fluida – mais para um simulador divertido do que para um arcade frenético. Os controles em si poderiam deixar a desejar, mas a responsividade do sistema era bem apurada e os movimentos dos jogadores realistas. Virtua Striker apresentava comandos vastos, com alternância entre bolas longas, curtas, altas, rasteiras e, inclusive, diferenciando as formas de roubar a bola. O jogo durava três minutos corridos com a visão horizontal, como se estivéssemos na primeira fileira da arquibancada ou até no banco de reservas. A sonorização é excelente – a melhor presente até agora na gameplay – apresentando uma real experiência de estádio durante os lances e, nos replays e menus, vinhetas cativantes.

O principal ponto de inovação de Virtua Striker é o marcante jogo de câmeras. Sendo o pioneiro na câmera horizontal, o simulador não mantinha o ponto de enfoque fixo e alternava o enquadramento para entregar um verdadeiro show de câmeras. Em lances de confronto individual o enquadramento chegava bem próximo, para ajudar na exatidão dos movimentos, enquanto distanciava quando a bola era lançada a maiores distâncias. Em situações de bolas paradas, a câmera ficava posicionada atrás do cobrador para simular a verdadeira experiência de cobrar uma falta, escanteio ou tiro de meta.

Apesar da simplicidade, Virtua Striker atingiu seu objetivo de ser um jogo marcante para a SEGA. Em sua segunda edição, Virtua Striker 2, de 1997, foram adicionadas camadas de complexidade com novos modos de jogo, táticas e diferenciação de jogadores. A franquia chegou também aos consoles, Nintendo Gamecube e SEGA DreamCast, mas o verdadeiro sucesso aconteceu nos fliperamas. Em seus cinco diferentes títulos, com mais versões de atualização, Virtua Striker não envolveu os jogadores por ser revolucionário, complicado ou o mais inovador, mas sim por entregar uma experiência honesta de futebol em diversos espaços físicos – chegando até para aqueles que não tinham o console doméstico. Desde seu lançamento em 1994 até a sua descontinuação em 2006, Virtua Striker consumiu inúmeras fichas dos jovens e não poderia ficar de fora da nossa Gamepédia.

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João Belline

Jornalista de formação, louco dos esportes por opção. Depois de muito escalar Cartola, jogar Winning Eleven, escrever escalação dos sonhos no caderno e topar o dedão na rua, falar sobre futebol virou uma necessidade. É mais um leitor que buscou espaço no time da Trivela e entende que futebol está acima do clube.

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