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Numa campanha de superação, a Ferroviária celebrou a conquista da Libertadores Feminina pela segunda vez

Pela segunda vez em sua história, a Ferroviária se coroa campeã da Libertadores Feminina. Como já tinha acontecido em 2015, a Ferrinha ergue novamente o troféu continental na campanha referente a 2020, e com uma trajetória de superação. A equipe flertou com a eliminação logo na fase de grupos, mas fez jus ao apelido de “Guerreiras Grenás” e cresceu nos mata-matas. Neste domingo, aconteceu a decisão no Estádio José Amalfitani, contra o América de Cali. E as brasileiras reiteraram a sina do clube colombiano em sempre ser vice da Libertadores, agora pela primeira vez no feminino, com o triunfo por 2 a 1 das paulistas e uma enorme dose de sorte para escapar do empate.

A Ferroviária começou a trajetória nesta Libertadores sendo goleada pelo Libertad-Limpeño por 4 a 0 e depois empatando com o Peñarol por 1 a 1. A classificação na última rodada da fase de grupos só veio graças a uma combinação de fatores, com a vitória por 4 a 1 sobre a Universidad de Chile, bem como pelo empate por 0 a 0 entre Libertad-Limpeño e Peñarol. Como La U havia enfiado 5 a 0 sobre o Libertad-Limpeño na segunda rodada, a Ferrinha empatou com as paraguaias na pontuação e também no saldo de gols. O número de tentos marcados é que carimbou a passagem às quartas de final.

No início dos mata-matas, a Ferroviária teve um jogo difícil contra o River Plate, mas venceu por 1 a 0. Bem mais duro seria o reencontro com a Universidad de Chile na semifinal. Depois do empate sem gols nos 90 minutos, a definição acabou nos pênaltis, e a goleira Luciana fez toda a diferença ao defender três cobranças das chilenas na vitória grená por 7 a 6. Já na decisão, aconteceria o embate contra o América de Cali, que eliminara o favorito Corinthians na fase anterior. A Ferrinha havia disputado a decisão de 2019 contra as próprias corintianas, quando deixaram a taça escapar. Desta vez, as alvinegras precisaram se contentar com o bronze, após o triunfo por 4 a 0 sobre La U na decisão do terceiro lugar.

Na finalíssima, a Ferroviária precisou de sete minutos para abrir o placar no José Amalfitani. Patrícia Sochor cobrou uma falta de longe em direção à área, ninguém desviou e a goleira Katherine Tapia, heroína contra o Corinthians na semifinal, falhou feio ao deixar a bola passar. O América de Cali rondava a área de Luciana, até empatar aos 39. Num pênalti, Catalina Usme foi para a marca da cal e apenas deslocou a goleira adversária.

O gol do título da Ferroviária, ainda assim, viria no primeiro tempo. Aos 42, a Ferrinha também ganhou um pênalti. Aline Milene cobrou com a maior categoria e a goleira Tapia, que tinha acertado o canto em todas as seis batidas na semifinal contra o Corinthians, desta vez não saiu nem na foto. Já no segundo tempo, a Locomotiva contou com doses cavalares de sorte. O América de Cali demonstrou que seu amargor nas finais de Libertadores também afeta o time feminino: foram três bolas na trave ao longo dos 45 minutos finais. Luciana também teria seu brilho, especialmente num milagre no mano a mano com Manuela González. Ao apito final, o alívio e a alegria eram das brasileiras.

Esta foi a nona vez que o Brasil conquistou a Libertadores Feminina. O São José é o maior campeão, com três troféus. Corinthians, Santos e agora a Ferroviária somam dois. Colo-Colo, Sportivo Limpeño e Atlético Huila completam a galeria de vencedores, com um título cada. E a Ferrinha ressalta mais uma vez o excelente trabalho realizado no seu departamento feminino, em rol de taças que ainda inclui dois Brasileiros, uma Copa do Brasil e quatro Paulistas. Já a técnica Lindsay Camila se tornou a primeira mulher a levar o título continental como treinadora. Apesar dos percalços nesta Libertadores, a Locomotiva reverteu as dificuldades e botou a faixa no peito com seus méritos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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