Futebol feminino

Três pontos que comprovam e evolução do mercado transferências do futebol feminino

Podcast Papo de Mina analisa a janela de transferências desta temporada e resume o que de mais importante aconteceu no mercado do futebol feminino até o momento

A janela de transferências do futebol feminino atingiu recordes nesta temporada, com os clubes colocando a mão no bolso e agitando o mercado. Se antes a modalidade era pouco explorada e até mesmo ignorada por muitas equipes em termos financeiros, hoje as atenções também estão voltadas para essa praça de altíssimo potencial.

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Mas o que aprendemos nesta janela e o que isso nos diz sobre o futuro do futebol feminino no Brasil e no mundo? No episódio desta segunda-feira (12), o Podcast Papo de Mina, em parceria com a Trivela, elenca as lições que ficaram deste período, com a análise de um especialista de mercado, Rafael Alves, do Planeta Futebol Feminino. Ouça o episódio completo a seguir.

Mercado e valores crescentes

No panorama global da janela, 2023 somou a quantia de 1.888 contratações internacionais de jogadoras profissionais, com 623 clubes envolvidos. Esses números foram divulgados pelo relatório da Fifa. E vale ressaltar que o crescimento de transferências também puxou a base de valores para cima.

Por exemplo, o Chelsea protagonizou a maior transação da história do futebol feminino. Após a atacante Sam Kerr romper o ligamento cruzado anterior (LCA), no mês passado, a equipe inglesa colocou a mão no bolso para substituir sua estrela à altura para a continuidade da temporada. Para contar com Mayra Ramirez em seu plantel, as Blues fecharam um acordo de 450 mil euros (aproximadamente R$ 2,6 milhões na cotação atual), com a possibilidade de 50 mil euros em luvas, a depender dos objetivos que o clube espera atingir.

Além disso, para garantir a permanência da colombiana de 24 por um longo período de tempo, o time londrino acrescentou uma cláusula de rescisão no valor de meio milhão de euros.

– Acho a Mayra Ramirez uma baita atacante, mas eu não a vejo hoje num patamar mundial, entre as 10 (melhores) do mundo nesse ponto. E você já viu o barulho que se fez por causa da Mayra, né? Como eu disse, acho uma baita jogadora, mas entre ela e a Sam Kerr, talvez, todo mundo vai escolher a Sam Kerr. Então, acho que vai ser mais comum ver atletas que tiveram esse… como a Mayra Ramirez, que se destacou na Copa do Mundo, quando puxarem uma atleta com esse perfil, vão fazer um estardalhaço danado – afirmou Rafa Alves em entrevista ao Podcast Papo de Mina.

Contratos mais longos e multas salgadas

Os contratos de várias jogadoras de alto nível começaram a expirar no fim de 2023. Isso fez com que muitas delas seguissem novos rumos sem ter que pagar nada aos clubes de origem. Ou seja, as equipes deixaram de ganhar nessas transações também perderam importantes peças para a temporada.

Pensando nisso, os times estão investindo em contratos mais longos para garantir a permanência de suas estrelas.

Um ponto fora da curva foi o caso da atacante Cristiane, contratada pelo Flamengo em janeiro deste ano. Ela ainda tinha contrato vigente com o Santos, mas por estar insatisfeita no time alvinegro, entrou em acordo com a diretoria para ser liberada e poder assinar com o Fla.

NWSL x Europa

Algumas das maiores transferências de janeiro foram da Europa para a NWSL, à medida que a mistura entre essas duas ligas se intensifica. E as equipes europeias estão aproveitando ao máximo esse mercado.

A meia canadense, Jessie Fleming, de 25 anos, atraiu uma quantia elevada que atendeu muito bem ao Chelsea, já que ela só fez seis partidas como titular na atual temporada. Como não teria muito o que mostrar por ter que competir com outros nomes de peso por uma posição titular, ela atravessou o Atlântico para assinar com o Portland Thorns.

Se antes, o mercado europeu buscava os talentos na liga norte-americana, hoje o caminho está se invertendo. Esse é outro ponto que prova a expansão do mercado da modalidade.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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