Copa do Mundo Feminina

Austália dá adeus à Copa do Mundo Feminina com algo bem maior que medalhas: legado

Por mais que o sabor amargo da derrota na disputa de terceiro lugar tenha marcado a Austrália, país viveu intensamente a Copa do Mundo Feminina e sai com legado enorme conquistado

Esportivamente, o fim da Copa do Mundo Feminina da Austrália pode ser considerado frustrante. Depois da queda na semifinal para a Inglaterra, a equipe perdeu a disputa pelo terceiro lugar para a Suécia. A medalha não veio, mas o elenco de Sam Kerr e companhia deixou o Mundial com um prêmio maior: o legado.

Quem acompanhou de perto o torneio, especialmente in loco, testemunhou o quando as Matildas dominaram o noticiário e o imaginário popular australiano durante o último mês. As 75 mil pessoas presentes na semifinal contra as inglesas exemplificam o quanto o time feminino encantou.

O trabalho do futebol feminino na Austrália vem de alguns anos e mirou o topo nesta edição da Copa do Mundo. O lugar no pódio acabou frustrado, mas o legado deixado pelo trabalho direcionado fica. Na verdade, cresce, diante da “febre” provocada pela seleção feminina no esporte em todo o país.

Legado de Copa

A onda criada pelas Matildas atingiu camadas diferentes da Austrália. Até a política se mobilizou para buscar a sustentação do legado deixado pelas jogadoras no Mundial.

Há a promessa de investimento de US$ 200 milhões (R$ 986 mi) no esporte feminino do país, a fim de fomentar a prática e aproveitar a empolgação gerada pela participação australiana na Copa.

– Na Austrália, a Copa do Mundo Feminina não só mudou o futebol feminino, mas mudou o esporte feminino. A Austrália agora é um país do futebol, e quero agradecer ao futebol por isso – comentou a Ministra do Esporte do país, Hon Anika Wells, durante congresso da Fifa.

A atenção do povo australiano com as Matildas alcançou o pico na semifinal contra a Inglaterra, quando mais de 11 milhões de televisores estavam sintonizados na partida, maior número para um programa desde que a medição começou.

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Não é só Kerr

As Matildas começaram o Mundial sob holofote diante da presença de Sam Kerr. A atacante do Chelsea ostenta o posto de ser uma das estrelas do futebol mundial, e se consolidou como ídola do país, apesar da participação prejudicada por uma lesão.

Kerr ficou fora dos três primeiros jogos e só retornou ao time titular na semifinal contra a Inglaterra, quando perdeu duas oportunidades de gol, mas contribuiu com um golaço, o único do time na derrota por 3 a 1.

O nome da camisa 20 estava estampado nas camisas, tanto de homens quanto de mulheres, e espalhado nas propagandas da Copa do Mundo Feminina. O que já era consolidado, ganhou força. Kerr, definitivamente, é uma referência em todo o país.

O Mundial, porém, gerou a possibilidade de a Austrália e o nível mais alto do futebol feminino ganharem novas referências. O legado de Kerr estava ali ao lado dela no ataque: Mary Fowler.

Aos 20 anos, Fowler atuou como titular em seis das sete partidas da Austrália na Copa do Mundo. Com um gol, uma assistência e atuações importantes, a atacante do Manchester City exemplifica o crescimento do projeto de futebol do país.

A Austrália tem uma liga profissional desde 2008 e um segundo escalão que reúne sete federações. A seleção conta com trabalho no sub-20, no sub-17 e um projeto consolidado que apresentou resultado já neste Mundial jogado em casa. 

Recorde de venda

Dados expostos pela Nike, fornecedora do material esportivo das Matildas, mostram que a venda de camisas oficiais da seleção australiana cresceu exponencialmente durante o período da Copa do Mundo.

Em comparação ao Mundial de 2019, a venda aumentou 13 vezes em solo australiano. Todo mundo queria estar trajado para apoiar as Matildas na Copa do Mundo.

– É um momento catalisador para o esporte feminino e essas vendas sem precedentes de camisetas apenas consolidam o status de ícones nacionais. Elas continuam a nos inspirar com performances cativantes e amor genuíno umas pelas outras – disse Ashley Read, gerente-geral da Nike Pacific.

– A Copa do Mundo é um momento geracional para o esporte e para a cultura australiana. Isso nunca foi tão fortemente refletido quanto na semana passada – acrescenta Read, citando a “febre” vivida no país durante o mata-mata do Mundial.

Foto de Livia Camillo

Livia CamilloSetorista

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.

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