Copa do Mundo Feminina

Brasil pode ser campeão da Copa do Mundo Feminina? Analisamos as chances

Examinamos as principais favoritas, as candidatas a surpresa e as possibilidades do Brasil na Copa do Mundo Feminina

Na próxima segunda-feira (24), o Brasil estreia na Copa do Mundo Feminina diante do Panamá. As expectativas são altas para ver a conclusão do ciclo de trabalho dos últimos quatro anos da técnica Pia Sundhage. A sueca promoveu inúmeras mudanças na equipe nacional e conquistou o título da Copa América de 2022, mas agora vai encarar o seu maior desafio à frente da seleção canarinho.

As adversárias no horizonte do Brasil não são nada fáceis e, se quiser (pelo menos) repetir a campanha de 2007, quando foi vice-campeã, vai precisar superar potências no caminho.  

Pensando nisso, a Trivela montou um dossiê com tudo o que você precisa saber sobre as possíveis trajetórias das brasileiras no Mundial da Austrália e Nova Zelândia, as concorrentes mais fortes ao título e as azaronas (que muitas vezes dão mais trabalho que as favoritas). 

Será que é possível o Brasil ser campeão? Contamos a seguir.

Quem são as favoritas ao título?

Estados Unidos

Julie Ertz, dos Estados Unidos (Divulgação/U.S. Soccer WNT)

A seleção norte-americana dispensa apresentações e já é tetra em oito edições de Copa do Mundo, com conquistas em 1991, 1999, 2015 e 2019. Uma hegemonia difícil de se quebrar, uma vez que tem a liga de futebol feminino mais organizada e competitiva do mundo. No entanto, o barco das americanas balançou (e muito) no último ciclo. 

As jogadoras da seleção processaram a Federação dos EUA (USS) por conta da desigualdade salarial entre homens e mulheres – sendo que a seleção masculina nunca conquistou um título no soccer, como é chamado o futebol no país. Em 2022, elas conseguiram a equiparação salarial – que se refere à premiação das seleções – e saíram na frente do mundo mais uma vez. 

Esse episódio é importante para entender como a modalidade é uma questão social nos EUA. Afinal, o país não se tornou uma potência do dia para a noite. Foram anos de construção, desde o futebol universitário até centenas de clubes profissionais.

Apesar dos problemas inerentes aos esportes femininos, como o machismo e a desigualdade, as americanas continuam firmes, fortes e se renovam dentro e fora dos gramados. Megan Rapinoe, prestes a se aposentar ao final da temporada, pode ser o maior nome dessa seleção, mas são as jovens que prometem uma campanha campeã. 

Hoje, sob o comando do jovem treinador Vlatko Andonovski, que trabalhou por anos na Liga Nacional de Futebol Feminino (NWSL), os novos talentos estão florescendo. A atacante Sophia Smith, de 22 anos, e a zagueira Naomi Girma, de 23, são os destaques desta safra. Pode ser que venha mais uma taça por aí. Não surpreenderia ninguém. 

Inglaterra

Georgia Stanway comemora o gol da vitória da Inglaterra (Naomi Baker/Getty Images)

Se há 10 anos a Inglaterra poderia ser considerada freguesa dos Estados Unidos, o jogo virou nas últimas três edições da Copa. As Leoas desenvolveram tanto sua liga feminina que começaram a incomodar as adversárias do outro lado do oceano. O salto de qualidade na seleção é nítido. 

Nem mesmo com a aposentadoria de Ellen White, após a conquista da Eurocopa, fez com que a equipe perdesse seu brilho. A seleção inglesa tem um futebol compacto, com troca de passes e, com certeza, um dos mais bonitos dessa edição. 

No grupo D, as inglesas terão pela frente as fortes seleções da Dinamarca e China, mas é pouco improvável que não fiquem em primeiro lugar na tabela. Isso significa que são fortíssimas candidatas à final. 

Apesar de ter a Lucy Bronze, dona de uma bola de ouro, como o principal destaque, dois nomes já podem entrar para a lista dos olheiros: a atacante do Chelsea, Lauren James, 21, e a meia-atacante do Manchester United, Ella Toone, 23. 

As joias da Rainha são a esperança das Leoas de continuar virando o jogo contra a antiga colônia da América.

Que times correm por fora?

Canadá

Christine Sinclair, do Canadá (Reprodução)

As expectativas são altas em torno da seleção canadense. Isso porque na última edição dos Jogos Olímpicos, em Tóquio, o Canadá superou a forte geração da Suécia e conquistou o ouro. Agora, a equipe precisa provar que está pronta para subir de patamar na Copa do Mundo, uma vez que os resultados não são tão significativos em mundiais.

A campanha de destaque das canadenses foi na Copa de 2003, ano em que ficaram com o 4º lugar. O resultado foi fruto do trabalho de base. Um ano antes, o Canadá sediou o primeiro Mundial Sub-20 feminino e projetou talentos para as Rouges naquele torneio. 

O mesmo celeiro projetou para o mundo Jessie Fleming e a goleira Kailen Sheridan, campeãs olímpicas que hoje são titulares. O mérito é de Bev Priestman, treinadora que configurou o atual esquema da equipe vermelha e mostrou que novas e velhas gerações se complementam. 

Além disso, Christine Sinclair, Sophie Schmidt e Quinn dividem a liderança do grupo, que é muito unido nos bastidores. Aos 40 anos, Sinclair é uma das atletas mais experientes em atividade do futebol feminino e a principal referência do elenco. Além do ouro, ela foi medalha de bronze em Londres 2012 e no Rio 2016. 

Espanha

O crescimento do futebol feminino na Espanha é um fenômeno que impressiona, principalmente desde a Copa do Mundo de 2015. O país vive um “boom”, com recordes de público nos jogos femininos, embalados pelo Atlético de Madrid e Barcelona, além das conquistas trabalhistas. 

O fenômeno parece não ter refletido na seleção nacional. As polêmicas envolvendo comissão técnica culminou no protesto de 15 jogadoras, que comunicaram à Real Federação Espanhola de Futebol a saída da equipe nacional caso o comando técnico não fosse trocado. Por fim, o técnico permanece entre altos e baixos. 

As consequências dos problemas no vestiário da Espanha se estenderam, mas os panos quentes colocados no assunto pela RFEF parecem ter realmente abafado o pior, principalmente pela disputa do Mundial.

É de se esperar que o treinador tenha vida curta pós-Copa caso não consiga avançar no mata-mata, um tabu que encara desde que assumiu a equipe em 2015. No entanto, é nítida a dependência da seleção espanhola de Alexia Putellas e Aitana Bonmati, mesmo com jogadoras de ponta na convocação. 

Enquanto a Espanha tiver um comando problemático, as expectativas são baixas.

França

Wendie Renard com a camisa da França (Gwendoline Le Goff/FEP/Icon Sport)

Após protestos das jogadoras, Corinne Diacre, técnica que permaneceu na seleção francesa por quase cinco anos, foi trocada. A treinadora foi acusada de criar uma cultura de abuso moral contra as jogadoras. 

O estopim do caso aconteceu quando a capitã francesa, Wendie Renard, anunciou que não defenderia a seleção para proteger sua saúde mental. O gesto foi claro em sinalizar que, enquanto Diacre estivesse no cargo, haveria debandada de atletas.  

Por fim, em março deste ano, cerca de quatro meses antes do início da Copa, a Federação Francesa de Futebol (FFF) anunciou o novo comandante: Hervé Renard – que não tem parentesco com a zagueira. O técnico dirigiu a Arábia Saudita na Copa do Catar de 2022. 

Apesar do sopro de ar fresco que foi o retorno de Wendie Renard, a expectativa em torno da França é bem menor do que em edições anteriores do Mundial. 

Austrália

Sam Kerr prepara chute no amistoso entre Austrália e França. Foto: Mark Avellino/Sportpix/Sipa USA

A Austrália é uma seleção em ascensão no futebol mundial e conta com dois grandes trunfos nesta Copa do Mundo. O primeiro é jogar em casa, na primeira vez que a Austrália sediará uma Copa. A segunda responde pelo nome de Sam Kerr, atacante do Chelsea, de 29 anos. 

Kerr vive o auge da sua carreira e foi uma das principais responsáveis pelo título do Chelsea no Campeonato Inglês Feminino. Aliás, foi o quarto título inglês do clube com Kerr, que está no clube desde 2020. A Austrália foi a todas as Copas do Mundo desde 1995. É uma seleção que tem Emily van Egmond como a segunda jogadora mais importante do time, com a função de alimentar a artilheira Kerr. 

As australianas têm uma relação com o Brasil. Em 2007, chegaram às quartas de final, mas foram eliminadas pelo Brasil de Marta, Cristiane e Formiga. Em 2011, a derrota nas quartas foi para a Suécia. Em 2015, eliminou o Brasil nas oitavas e caiu para o Japão nas quartas. Em 2019, foram eliminadas para a Noruega nos pênaltis. 

Com a combinação de uma artilheira que está entre as melhores do mundo, um time organizado e defensivamente sólido, o apoio da torcida e um pouco de sorte, a Austrália pode causar problemas a quem enfrentar nesta Copa e, quem sabe, até surpreender para brigar pelo título. O objetivo mais realista, porém, é tentar ao menos igualar a melhor campanha, quartas de final, e, quem sabe, alcançar as semifinais. 

Noruega

Ada Hegerberg, da Noruega (Icon Sport)

A Noruega é uma das seleções mais tradicionais do futebol feminino. Vice-campeã em 1991, campeã em 1995, e semifinalista em 1999 e 2007, o time caiu nas quartas de final em 2019, mas conta com um reforço de peso para conseguir ir mais longe desta vez: a volta de Ada Hegerberg. 

A atacante de 28 anos é uma das melhores do mundo, mas estava afastada da seleção norueguesa desde 2017 por discordâncias em relação ao tratamento entre a seleção masculina e feminina na Federação Norueguesa de Futebol (NFF). As condições melhoraram, mas a atacante não aceitou voltar a defender o país para a Copa do Mundo em 2019. 

Em março de 2022, ela acabou com o autoexílio na seleção norueguesa. Ajudou o país a se classificar à Copa do Mundo e chega à Austrália e Nova Zelândia como uma das grandes estrelas. Com sua alta capacidade de marcar gols e decidir jogos e um time talentoso, com Caroline Hansen e Ingrid Engen, do Barcelona, o time tem condições de brigar e é favorita no Grupo A, que tem a Nova Zelândia e o Japão. 

Se confirmar o primeiro lugar, pode ter no caminho os Estados Unidos já nas quartas de final, o que torna bem menor a chance de um título. Mas ainda assim, é um time perigoso e as americanas, em um dia ruim, podem sucumbir, o que daria para Ada Hegerberg e suas companheiras para tentar ir além das quartas de final, que é a previsão mais realista.

Suécia

Kosovare Asllani é uma das melhores jogadoras da Suécia (Getty Images)

A Suécia é uma seleção muito tradicional no futebol feminino e que, por alguma dose de azar, nunca ganhou um título. Foi finalista em 2003 e terminou em terceiro lugar três vezes. Atualmente as suecas são a terceira no ranking da Fifa e não é por acaso.

O técnico Peter Gerhardsson assumiu o lugar de Pia Sundhage, que foi para o Brasil em 2017. A sua ideia de jogo é um pouco diferente da antecessora, mais ofensiva, ainda que mantendo um ponto chave da equipe: a organização. 

O elenco traz nomes bem conhecidos, como a capitã Caroline Seger e a habilidosa meia Kosovare Asllani. O time ainda tem a meio-campista Nathalie Bjorn, que costuma atuar de maneira mais defensiva, e as atacantes Fridolina Rolfo, do Barcelona, e Stina Blackstenius, um perigo enorme nas bolas na área. 

O caminho das suecas é difícil, com possíveis encontros com Holanda nas oitavas e Espanha nas quartas, além de uma semifinal pesadíssima com os Estados Unidos ou até um clássico com a Noruega, caso as rivais consigam uma zebra contra as grandes favoritas da Copa. Para ir longe, a Suécia precisaria de uma sequência de surpresas – o que é possível, embora não seja provável. Ir até as semifinais, porém, não é algo que esteja tão longe ao alcance, caso o time consiga jogar o que sabe. 

Holanda

Lieke Martens, da Holanda (Foto: FRANCK FIFE/AFP via Getty Images/One Football)

A Holanda, os Países Baixos, como preferem ser chamados, é uma seleção de tradição recente na Copa, mas com alguns trunfos que podem jogar a favor da equipe. A sua primeira Copa do Mundo veio só em 2015, mas em 2017 o time conquistou a Eurocopa, o que abriu caminhos. 

Em 2019, o time, comandado por Sarina Wiegman, levou o time até a final da Copa, em uma combinação de capacidade de decisão e alguma sorte, já que o desempenho nem sempre foi convincente. Wiegman foi para a Inglaterra, onde levou as inglesas ao título europeu em 2022. 

O principal trunfo da equipe é Lieke Martens, atacante do Paris Saint-Germain, e que se consagrou atuando pelo Barcelona. A jogadora, eleita melhor do mundo em 2017, é rápida, habilidosa e capaz de decidir jogos. A goleira Daphne van Domselaar, do Aston Villa, brilhou na Eurocopa e tem tudo para fazer o mesmo na Copa. 

Vale ficar de olho na meio-campista Jill Roord, do Manchester City, capaz de ajudar o time a controlar os jogos a partir do seu setor. A Holanda está no Grupo E, junto com os Estados Unidos, e terá que lutar pela classificação com Portugal. As holandesas são mais time, mas não podem dar sopa para o azar. 

A partir do mata-mata, o time precisará de tudo que tem – e talvez mais um pouco – para conseguir superar as possíveis adversárias Suécia e Espanha, favoritas a cruzarem o caminho das holandesas nas oitavas e quartas. Precisará surpreender o mundo novamente para repetir o feito de 2019 e avançar até a final. O mais provável é que pare mesmo no começo do mata-mata. Ir além das oitavas de final parece improvável. 

Brasil: qual é a expectativa realista?

A seleção brasileira feminina antes de enfrentar a Inglaterra em Wembley (Icon Sport)

O Brasil nunca ter ganhado uma Copa do Mundo Feminina é algo que chama a atenção, porque o país teve muitas jogadoras que são lendárias na história do esporte. Depois da prata na Olimpíada de 2004 e o vice-campeonato na Copa do Mundo de 2007, porém, o Brasil viveu um ocaso no seu futebol local, enquanto outros países investiram pesadamente na modalidade. O resultado é que o Brasil é um país com talento, mas que ficou para trás.

O futebol feminino deu muitos passos importantes no Brasil, mas ainda estamos longe do profissionalismo da Women's Super League, da Inglaterra, onde todas as jogadoras são profissionais. Aqui, alguns clubes têm seus elencos inteiramente profissionais, mas outros têm elencos que são inteiramente amadores. E disputando o mesmo campeonato. É uma situação que acontece, em menor escala, em outros países, como na Espanha, e atrasa o desenvolvimento. 

Ponto forte: jogadoras de alto nível

Em termos de seleção, o Brasil tem um time com jogadoras muito importantes. Rafaelle é sem dúvida uma das melhores zagueiras do mundo. Ela é a capitã do Brasil e pode funcionar muito bem para ajudar não só na defesa, mas na construção ofensiva na saída ou recuperação de bola.

No ataque, a artilheira da era Pia Sundhage: Debinha. A atacante tem uma carreira consolidada nos Estados Unidos por North Carolina Courage e Kansas City Current, é uma jogadora sempre perigosa, veloz e que, aos 31 anos, vive o auge da carreira.

Não dá para não citar Marta. A atacante é uma das melhores jogadoras do futebol feminino de todos os tempos e, mesmo aos 37 anos, ainda pode contribuir muito para a seleção brasileira, mesmo que comece as partidas no banco de reservas. A camisa 10, que atua no Orlando Pride, dos Estados Unidos, tem sofrido com lesões, mas é uma jogadora que pode ser útil entrando no segundo tempo ou, caso comece, pode ser uma chave para destrancar defesas fechadas. Sua condição física, porém, é uma questão que pode pesar para que não jogue os 90 minutos nas partidas. 

Ponto forte: defesa

Rafaelle será a capitã da seleção brasileira na Copa do Mundo (Icon Sport)

Pia é uma técnica que privilegia organização acima da individualidade e a defesa brasileira é a mais beneficiada por isso. O time se mostrou consistente na Copa América, quando foi campeão, e também em jogos recentes contra a Inglaterra, na Finalíssima, quando só foi derrotado nos pênaltis, e contra a Alemanha, quando venceu as europeias em amistoso em março.

Com o time montado sempre no 4-4-2, tem oferecido pouco espaço às adversárias, mesmo seleções de alto nível como a Inglaterra e a Alemanha. Esse é um trunfo importante em um torneio onde qualquer vacilo pode significar a volta para casa. 

Para manter a defesa tão alinhada, a dupla de zaga tem qualidade e entendimento com Rafaelle e Kathellen, uma lateral com muito vigor físico pela direita, Antonia, e de imensa qualidade técnica pela esquerda, Tamires. É o setor mais confiável do time comandado por Pia.

Ponto fraco: falta de criatividade

O Brasil é um time que adora jogar em velocidade e tem jogadoras que são mortais atuando assim. Debinha é a principal delas, mas também com Adriana, companheira de Marta no Orlando Pride, e Ary Borges, do Racing Louisville, ou mesmo Kerolin, do North Carolina Courage. Só que se o adversário não oferece campo, a seleção brasileira costuma sofrer.

O time é organizado, mas comete alguns erros, em especial quando volta do intervalo. Historicamente, a parte física é uma barreira para a seleção feminina. Normalmente, na segunda etapa, o time tende a reduzir a posse de bola e sofre mais para abrir defesas muito fechadas. Marta pode ser uma arma em jogos mais truncados, uma vez que Nycole foi cortada por uma entorse no tornozelo esquerdo. Bia Zaneratto, que não tem correspondido nos jogos em que foi titular, é uma opção no banco pelo chute forte e capacidade de ganhar no corpo. 

Caminhos complicados

Marta, da Seleção (Foto: Lucas Figueiredo / CBF)

O Brasil caiu no grupo de uma equipe forte, a França, uma adversária que o time tem extrema dificuldade de enfrentar. Em 10 jogos, são seis derrotas e quatro empates. As francesas foram as algozes do Brasil na Copa 2019, quando se enfrentaram nas oitavas de final. Para sorte brasileira, porém, Panamá e Jamaica são times muito acessíveis. Passar de fase é algo que se espera de um time como o Brasil em um grupo como esse.

Só que caso o Brasil mantenha a dificuldade diante da França e se classifique em segundo lugar, a tendência é que o caminho seja pedreira atrás de pedreira. Isso porque pode enfrentar a Alemanha logo nas oitavas de final, caso as alemãs confirmem o favoritismo no Grupo H. As brasileiras venceram um amistoso recente em grande partida, mas terão que repetir isso em um palco valendo tudo.

Caso avance, o Brasil tem um adversário de muito peso nas quartas de final: possivelmente a Inglaterra, campeã europeia. Outro time que o Brasil fez um ótimo jogo e poderia ter até vencido em pleno Wembley, mas é uma adversária que está entre as favoritas. O Brasil entraria como zebra na partida e precisaria de uma grande partida, e uma dose de sorte, para avançar. 

Caso passasse, naa semifinal o caminho pode ter Austrália ou França, as duas favoritas para chegarem às quartas de final e decidirem uma vaga na semi. Dois adversários de peso e as duas últimas algozes em Copas do Mundo. Nesse caminho, o Brasil não seria favorito contra nenhuma dessas adversárias. Chegar à semifinal, em um caminho tão duro, seria um feito, mas parece improvável.

Se, porém, o Brasil conseguir bater a França na primeira fase e ficar com o primeiro lugar, as coisas podem ficar mais fáceis. Não muito, mas um pouco mais. Passando em primeiro, o Brasil poderia enfrentar Colômbia, Coréia do Sul ou Marrocos, já que a Alemanha deve ser a primeira colocada no Grupo H. Qualquer um desses seria um adversário que o Brasil seria favorito a vencer. Nas quartas de final, a rival seria Austrália ou Dinamarca, o que já complica um pouco. Ainda assim, dentro dos times mais fortes, são adversárias mais fáceis de serem batidas que a Inglaterra, que poderia, então, ser adversária na semifinal.

Chegar às quartas de final é algo possível para a seleção brasileira e deve, sem dúvida, ser o objetivo. Ir além disso exigirá não só que o time tenha atuações em no seu melhor nível, como também alguma dose de sorte. Diante da Inglaterra, em Wembley, o time fez um grande jogo no segundo tempo, mas perdeu nos pênaltis. Precisará de um jogo ainda melhor para vencer em uma Copa do Mundo – ou muito mais sorte.

Caso o Brasil supere todas as adversidades e consiga, enfim, chegar à final, não será favorita contra os Estados Unidos, que é o time a ser batido nesta Copa, como atual campeã e principal seleção feminina do mundo. Também não seria favorita contra a Espanha, que embora não seja tão forte quanto as americanas, é uma seleção de alto nível. A Suécia também seria uma adversária difícil, mas não imbatível, especialmente depois de passar por tantas dificuldades para chegar até a decisão, com o time embalado. Isso, porém, é o mais improvável.

Com isso, dá para dizer que é possível que o Brasil seja campeão e traga a sua primeira estrela na Copa do Mundo Feminina, mas não é o mais provável que vá acontecer. Há outras seleções à frente, especialmente Estados Unidos e Inglaterra, além de seleções que são coletivamente mais fortes, além de terem talentos individuais em momento melhor. 

Não quer dizer que o Brasil não possa surpreender, e essa é a posição da seleção brasileira feminina atual: pode surpreender, se tiver as condições certas para isso. Com uma sequência de bons jogos e alguma sorte, o que é quase sempre necessário em uma competição de mata-mata, o Brasil pode superar a campanha de 2019. Ir além das quartas parece difícil, mas está longe de ser inviável. E chegando até a semifinal, tudo se torna possível, ainda que, diante de uma possível final com os Estados Unidos, vencer pareça improvável. O título parece, hoje, um sonho. O que o Brasil tem que ter como objetivo é melhorar a campanha de 2019 e avançar das oitavas de final. Ir além disso exigirá quase certamente que o time supere uma seleção superior.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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