Futebol feminino

Mulheres brasileiras merecem a Copa do Mundo no Brasil

Seria a oportunidade para que também os homens pudessem levar mais a sério o futebol jogado pelas mulheres

Acompanho menos o futebol feminino do que o masculino. Profissionalmente, já comentei jogos de Copa do Mundo feminina e adorei a experiência. Lembro-me de ter feito reportagens nos primórdios dos campeonatos de futebol para mulheres um pouco mais organizados, época de Sissi e cia. Também guardo com carinho o trabalho na final do futebol feminino dos Jogos Pan-americanos do Rio, em 2007, com o Brasil goleando os Estados Unidos em um Maracanã lotado.

É covardia comparar o futebol profissional jogado por homens e mulheres no Brasil. Há um abismo de investimento. Mas a paixão das mulheres tem produzido resultados impactantes, como o maior público do País no final de semana passado ser de um jogo feminino, a final da Supercopa, entre Corinthians e Cruzeiro, superando clássicos disputados entre os homens.

O Brasil é candidato a sede da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027. Tomara que vença a disputa com as candidaturas conjuntas de Alemanha, Bélgica e Holanda e Estados Unidos e México. Seria a oportunidade de consolidar o futebol das mulheres como esporte de alto rendimento e entretenimento de qualidade para os brasileiros que ainda o veem com preconceito.

Para termos Copa do Mundo feminina no Brasil, governo precisa colaborar

Claro que isso envolve a colaboração governamental em todas as esferas, o que provoca calafrio nos brasileiros que pagam impostos e viram o que foi feito dos tais legados da Copa masculina e das Olimpíadas. Cabe a nós cobrar e fiscalizar.

Mas o futebol feminino merece esta oportunidade de afirmação.

A questão está em entender que é o mesmo jogo, apenas praticado por gêneros diferentes. Basquete e voleibol parecem ter resolvido essa questão sem os problemas enfrentados pelo futebol em nosso País.

Houve um tempo, no auge das geniais Paula e Hortência, em que o basquete feminino era mais popular e valorizado que o masculino. O voleibol se consolidou em termos de popularidade nos jogos de homens e mulheres. É o jogo que interessa.

Para que o futebol alcance este patamar a Copa do Mundo, com sua magia e a capacidade de seduzir multidões, parece ideal. Também para incentivar as futuras gerações de meninas que adoram jogar bola, vislumbrando a possibilidade de uma carreira profissional no futuro.

Torço, sinceramente, para que em 17 de maio o Congresso da FIFA eleja o Brasil como sede da Copa de 2027. A Copa das Mulheres. Mais uma Copa no Brasil.

Foto de Mauricio Noriega

Mauricio Noriega

Colunista da Trivela
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