Bárbara Fonseca assume diretoria do Cruzeiro Feminino e garante: ‘Estamos investindo’
Diretora chegou ao clube em 2019 e desde então tem papel fundamental na existência das Cabulosas
Nova diretora de futebol do Cruzeiro Feminino, Bárbara Fonseca concedeu sua primeira entrevista coletiva no novo cargo na manhã desta quarta-feira (9). A profissional, que chegou ao clube celeste no início de 2019, agradeceu a oportunidade e celebrou que sua apresentação oficial ocorreu hoje, justamente o dia de seu aniversário.
— Preciso agradecer nominalmente ao Pedro Lourenço. Não vai ter nada de novo para o que eu passo a fazer a partir de agora, além de poder sentar à mesa com esses grandes caras, principalmente com o Pedrinho. É um cara justo, honesto, sincero, direto, mas que no segundo seguinte consegue ser muito carinhoso e amoroso — afirmou Fonseca.
Bárbara, antiga coordenadora das Cabulosas, assumiu o lugar deixado por Kin Saito, que pediu para deixar o clube celeste na última semana de setembro.
Ainda que Saito tenha alegado, em sua carta de despedida, estar saindo da Toca da Raposa 2 por ter alcançado “um teto pessoal e individual do que seria possível contribuir”, foi revelado por Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, dono da SAF do Cruzeiro, e Alexandre Mattos, CEO do futebol do clube, uma redução nos investimentos na modalidade.
— Vamos tocar da mesma forma que o femino tem trabalhado. Não pretendemos fazer grandes investimentos, mas manter um time com a base que temos hoje, fazer um time razoável — afirmou o presidente da Raposa, na zona mista do Mineirão, após o empate em 1 a 1 contra o Vasco, no dia 29 de setembro.
A fala foi criticada pela parte da torcida celeste, que apoia a progressão do valor dos aportes na modalidade.
Dias depois, Mattos comentou sobre o tema, reforçando que a diretoria entende que é preciso investir de forma mais sustentável no feminino. Segundo ele, a antiga gestão celeste, encabeçada por Ronaldo Fenômeno, conseguia colocar mais dinheiro nas Cabulosas porque pedia dinheiro a Pedrinho quando era necessário.
— Antes, quando precisava de dinheiro, batia lá no Supermercados BH, no Pedro Lourenço, para pedir dinheiro para pagar contas. Hoje não. Ele é o dono e o dinheiro é dele. Nós não vamos dar um passo maior que a perna.
Em qualquer situação, seja no profissional masculino, nas categorias de base ou no feminino. Se for preciso recuar um pouco para depois dar um salto maior lá na frente, nós vamos fazer — afirmou.
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Bárbara garante que o Cruzeiro Feminino não irá parar de crescer
Apesar do que foi falado pelos diretores, Bárbara Fonseca afirmou que isso não significará uma pausa no crescimento do futebol feminino do Cruzeiro, que vem conseguindo resultados expressivos anos após ano.
— A fala pode ter direcionado imprensa e torcedores a interpretar de uma maneira diferente do que é que a gente está vivenciando aqui. Havia uma ideia de investimento muito grande, não vou entrar em detalhes porque não competia a mim, mas o que tenho do Cruzeiro é uma garantia de investimento sustentável, de um crescimento orgânico.
Isso não quer dizer que a gente não vai crescer. Não há espaço para não falar de crescimento — afirmou a diretora de futebol das Cabulosas.
Bárbara apontou, ainda, que a renovação contratual de atletas até 2028, como a atacante Byanca Brasil e a zagueira Vitória Calhau, é um sinal da confiança no projeto.
— O futebol feminino não tem uma prática de fazer contratos de quatro anos. Quando um clube aceita renovar com uma atleta até 2028, isso diz muito sobre o que a diretoria pensa. Olha como é contraditório dizer que não haverá investimento? O Cruzeiro está investindo — argumentou Fonseca.
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Categoria de base do feminino
A nova diretora do futebol feminino do Cruzeiro ainda falou sobre a continuidade do projeto das categorias de base do futebol feminino da Raposa, que passa por problemas de implementação.
— A gente está tentando correr contra o tempo. Estamos inscritos na Copa São Paulo, que começa na última semana de novembro, e tem limite de inscrição até 18 de outubro. Ficamos o ano inteiro estudando o que seria de adequado, mas não conseguimos tirar isso do papel.
Chego em um momento que preciso colocar uma equipe para disputar a Copa São Paulo. Vamos fazer uma parceria com uma equipe paulista. Estive lá na última semana. Tem um papel social nesse projeto. Para a Copinha vamos fechar essa parceria — revelou.
Bárbara afirmou, ainda, que o projeto para a base feminina do Cruzeiro segue sendo pensado com muita responsabilidade. Segundo ela, é preciso definir uma estrutura para essas garotas, uma “Toca da Raposa 3”. Que não é algo fácil, mas que vai sair do papel.



