Futebol feminino

‘Sinto que a Copa do Mundo foi em vão’: Aitana Bonmatí desabafa

Em entrevista ao L'Équipe, a meio-campista do Barcelona abriu o coração e falou sobre falta de apoio, inclusive da torcida espanhola

Dona da Bola de Ouro e de todos os prêmios individuais possíveis da temporada passada, Aitana Bonmatí ainda sente que pisa em ovos quando o terreno é a seleção espanhola. Na próxima quarta-feira (28), a partir das 15h (horário de Brasília), a Espanha enfrenta a França pela final da Liga das Nações da UEFA, mas o sentimento da meio-campista está longe de ser apenas o de contentamento.

Em entrevista ao L'Équipe, a jogadora do Barcelona abriu o coração ao falar sobre a falta de apoio. Mesmo após a conquista da Copa do Mundo Feminina de 2023, ela não sente que os espanhóis compraram totalmente a ideia do futebol feminino.

– Infelizmente, não posso dizer que muita coisa mudou. Temos o exemplo dos ingleses, quando venceram a Eurocopa em 2022. Houve uma grande mudança depois deste sucesso a nível nacional, investimentos no campeonato, os estádios… Eles lotam quando a Inglaterra joga… Não posso dizer que aqui é a mesma coisa (na Espanha). Tem muita coisa para fazer e sinto que a Copa do Mundo foi em vão – afirmou a atleta ao jornal francês.

Liga das Nações da Uefa na Espanha gerou polêmica

Um dos pontos que mais chateou Aitana foi o imbróglio com a sede das partidas da Liga das Nações. O Cádiz, que está na zona de rebaixamento de La Liga, se recusou a ceder o estádio Nuevo Mirandilla para a Federação Espanhola, por ter uma partida contra o Celta de Vigo mais de 40 horas depois da semi feminina.

Por conta disso, cerca de 15 dias antes da espanholas entrarem em campo dentro de seu próprio país, e já com ingressos à venda, a entidade precisou alterar o local do jogo decisivo para o Estádio de La Cartuja, em Sevilha, a cerca de 120 km de distância do primeiro. A venda de ingressos já acontecia o desde o dia 31 de janeiro.

– Tudo começa por fazer bem as coisas, promover bem os jogos, querer organizá-los em locais apropriados, não mudar de estádio uma semana antes do jogo, porque isso complica muito mais as coisas para os torcedores. O país não está a nível daquilo que merecemos… O que aconteceu com o Cádiz fez com que houvesse a mudança para La Cartuja. Isso não aconteceria com a seleção masculina. Temos que prestar atenção a esse tipo de detalhe. Quando fazemos as coisas bem, as pessoas respondem – ponderou a craque do Barça.

Ao vencer a Holanda por 3 a 0 na semifinal da Liga das Nações, a seleção espanhola também garantiu a vaga para os Jogo Olímpicos de Paris-2024. Assim, depois de se sagrar campeã mundial pela primeira vez, a equipe europeia terá a possibilidade de faturar também a inédita medalha de ouro.

– Ganhamos uma Copa do Mundo e já temos mais um torneio importante para vencer, mas sentimos que somos constantemente questionadas. Futebol é assim. É um orgulho dizer que vamos disputar mais uma final, pode parecer fácil, mas não é – explicou a meio-campista.

– Estamos lutando para que a próxima geração tenha um futuro melhor. As meninas de hoje terão muito mais oportunidades porque derrubamos muitas barreiras e abrimos muitas portas.

Apesar de toda a dor de cabeça e decepções ao longo do último mês, Bonmatí vê o confronto contra a França como um momento de superação, principalmente pela dificuldade de enfrentar uma equipe que possui um jogo muito físico.

– Está 50/50 . A França é uma seleção que respeito muito porque já enfrentei muitas vezes equipes francesas, como o Lyon e PSG, e penso que têm grandes jogadoras capazes de criar muito perigo. Fisicamente, são uma equipe muito forte. Para mim, será uma final muito disputada e não há favorito – concluiu.

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