França

Zidane sobre Benzema fora da seleção francesa: “Eu não entendo”

Quando o assunto é Karim Benzema e a seleção francesa, a polêmica é sempre muito grande. Aos 33 anos, o jogador do Real Madrid vive a melhor fase da sua carreira, com gols e grandes atuações. É o melhor jogador do time e vive sendo elogiado pelo técnico Zinedine Zidane – que o bancava no time mesmo nos momentos de maiores críticas ao jogador, ainda com Cristiano Ronaldo na equipe. Neste sábado, Benzema foi decisivo na vitória do Madrid sobre o Celta e o técnico voltou a comentar sobre a ausência do camisa 9 na seleção francesa.

“Faz bem em me perguntar, porque ele é muito querido. Para quem gosta de futebol, ver Karim é um luxo, porque apreciamos ele e seus companheiros também. Temos que seguir, porque Karim faz a diferença e sabe que seus companheiros são importantes”, disse.

Quando perguntado sobre a ausência de Benzema na seleção francesa, Zidane foi firme. “Você não entende, eu não entendo. Para mim, como treinador do Real Madrid, é melhor para nós. O que fez hoje foi espetacular. Me alegro porque é um trabalhador e quer mais. Desde o primeiro minuto fomos para cima e merecemos a vitória”, disse o treinador francês.

Não é a primeira vez que Zidane fala sobre Benzema na seleção francesa. Para o treinador do Real Madrid, ele é o melhor na sua posição e deveria estar na seleção. Ele já chegou a dizer que Benzema é o melhor atacante francês da história. O ex-treinador da seleção francesa, Raymond Domenech, foi mais um a fazer coro quando disse que ele é o mais completo atacante francês da atualidade.

O episódio que fez com que Benzema deixasse de ser convocado à seleção francesa, em 2015, foi parar na polícia. O atacante foi acusado de participar de uma extorsão sobre o companheiro de seleção, Mathieu Valbuena, por um vídeo erótico vazado do jogador. Pessoas que Benzema conhece teriam ameaçado Valbuena que iriam divulgar o vídeo se ele não fizesse o pagamento exigido. Benzema teria intermediado a negociação. Ao menos, essa é a acusação sobre ele.

Tanto Benzema quanto Valbuena foram deixados de fora do elenco da França que foi à Eurocopa em 2016, disputada no país, para não atrapalhar o grupo, segundo justificado por técnicos e dirigentes na época. Benzema foi duro na resposta e disse que tinha sido preterido por racismo contra os árabes e muçulmanos – ele é filho de argelinos. Já em 2019, Valbuena desabafou dizendo que foi vítima na situação e, mesmo assim, acabou punido.

O caso ainda está em julgamento na justiça francesa. Em janeiro deste ano, o Ministério Público de Versalhes anunciou que Benzema seria julgado por “tentativa de chantagem”. O técnico Didier Deschamps não parece disposto a mudar de opinião e o presidente da Federação Francesa, Noel Le Graët, disse em 2017 que seria difícil convocar Benzema novamente.

Le Graët chegou a elogiar a temporada de Benzema em 2020, mas disse que “sua aventura na seleção francesa acabou”. A fala deixou o atacante enfurecido. “Noël, eu achava que você não interferia nas decisões do treinador”, respondeu o jogador, ainda em referência que o dirigente teria barrado sua convocação. “Saiba que cabe apenas a mim dar um fim à minha carreira internacional! Se você acha que estou acabado, deixe-me jogar por um dos países para os quais sou elegível, e a gente verá”, afirmou ainda Benzema. Apesar da fala do jogador, as regras da Fifa não permitem que um jogador que já disputou uma competição oficial por uma seleção mude de nacionalidade. A exceção é quando surge um novo país de um antigo – como foi a Croácia quando se separou da Iugoslávia, por exemplo. Benzema não se encaixa nisso.

Assim, Benzema dificilmente voltará à seleção francesa, mesmo que seja, de fato, o melhor centroavante francês, em uma geração eu é muito talentosa, embora não em ter um camisa 9 tão confiável – embora Benzema costumeiramente vestisse a 10 na seleção.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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