‘Ataque pessoal não é normal’: Brasileiro é alvo de protestos de ultras no Monaco
CEO brasileiro pede união em momento delicado na Ligue 1 e critica ataques pessoais
O momento instável do Monaco na temporada tem provocado tensão fora de campo, mas o principal alvo não está dentro das quatro linhas. Thiago Scuro, CEO do clube, tornou-se foco de protestos de uma ala organizada da torcida.
Entre as formas de protesto, os torcedores decidiram boicotar os primeiros 45 minutos dos jogos em casa, além de exibir faixas críticas e entoar cânticos pedindo sua saída. O Monaco ocupa apenas a décima colocação da Ligue 1, com 27 pontos em 20 partidas, e soma apenas uma vitória nos últimos cinco jogos pelo torneio.
Protesto contra Scuro atingiu o time em campo
Diante do crescimento da insatisfação, o dirigente brasileiro falou publicamente sobre o episódio em entrevista coletiva nesta quarta-feira (4). Sem adotar tom de confronto, Scuro, que já trabalhou no Cruzeiro e no RB Bragantino, buscou contextualizar o momento do clube, defender o projeto esportivo e, sobretudo, refletir sobre os limites da pressão no futebol profissional.
“Não quero criticá-los ou entrar em conflito. Entendo a reação dos grupos; eles têm uma visão coletiva. Outros torcedores me param quando me veem no estádio, nos incentivam e acreditam no que estamos tentando fazer”, afirmou Scuro, que assumiu o cargo após a saída de Paul Mitchell.
O dirigente reconheceu que o desempenho recente do time ajuda a explicar a frustração, mas destacou que os protestos atingiram um momento particularmente sensível da temporada.

“Entendo que algumas de nossas partidas possam ter causado frustração, mas não se trata apenas de mim, trata-se dos jogadores”, disse.
O ponto mais delicado, segundo Scuro, foi a escolha do momento para a manifestação. Em um jogo decisivo em casa contra a Juventus, válido pela Champions League e fundamental para a classificação ao mata-mata, os ultras optaram por manter o silêncio e direcionar os protestos ao dirigente durante todo o primeiro tempo.
“Tínhamos um jogo decisivo em casa para nos classificarmos para o mata-mata da Champions League e, por 45 minutos, em vez de apoiar o time e o treinador para buscar o resultado, eles protestaram contra mim. Eu aceito, mas talvez houvesse outro momento para isso. Os jogadores precisavam deles naquele momento, o treinador também.”
Para o CEO, a ausência de apoio em campo acaba ampliando o impacto esportivo de uma crise que já existe nos bastidores. “Temos que estar unidos nesses momentos difíceis. Somos mais fortes juntos”, completou.
O Monaco apenas empatou por 0 a 0 com a Juventus em casa e agora terá uma pedreira pela frente nos playoffs da Champions League: o PSG, atual campeão da competição e rival local.
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‘Ataque pessoal não é normal’, afirma Scuro
Em um dos momentos mais fortes da coletiva, Thiago Scuro deixou o campo esportivo e entrou no plano pessoal. O dirigente revelou que seus filhos frequentam os jogos no estádio e que precisou explicar a eles o que estava acontecendo.
“A única coisa que posso dar a eles é a verdade e o meu comprometimento. Não posso prometer coisas que são irreais para o Monaco neste momento. Não trabalho no futebol para ser popular, mas porque gosto e aprendi a fazer este trabalho.”
🚨 Paul Pogba foi excluído da lista de inscritos do AS Monaco para a Liga dos Campeões.
O diretor Thiago Scuro afirmou: “A equipe médica está focada em encontrar soluções, em primeiro lugar, para que ele retorne aos gramados antes das partidas. Paul continua se recuperando da… pic.twitter.com/0OK7N2hXcz
— Curiosidades Europa (@CuriosidadesEU) February 4, 2026
Scuro foi além ao criticar o tom de parte das manifestações. “É claro que [os protestos] não são agradáveis. Meu filho está presente nos jogos. Tive essa conversa com ele para explicar o que estava acontecendo, que esses ataques pessoais não são normais. Às vezes, o futebol aceita demais. Um ataque pessoal não é normal.”
Apesar do impacto emocional, o CEO garantiu estar lidando bem com a situação. “Isso também é uma lição para o meu filho, para que ele entenda que a vida pode ser assim. Se você quer construir algo, precisa estar aberto e saber receber críticas e ataques”, disse. “Mas estou lidando bem. Isso me dá energia para entregar resultados.”
Segundo ele, a maior preocupação era o efeito da hostilidade sobre a família, algo que, felizmente, não se concretizou. “Meus filhos não estão assustados; essa era minha única preocupação quando isso começou.”



