Ligue 1

Lille será mais um passo na reconstrução da carreira de Umtiti após as lesões

Umtiti fez uma boa temporada emprestado ao Lecce e, sem contrato com o Barça, fechou com o Lille por dois anos

Samuel Umtiti reconstrói sua carreira depois de anos bastante difíceis. O zagueiro chegou ao topo do mundo durante a conquista da Copa de 2018, mas pouco atuou nas temporadas seguintes, por causa das recorrentes lesões. Chegou a ser tratado como um peso no elenco do Barcelona, até ser emprestado na temporada passada. O recomeço seria bastante modesto, no Lecce, na luta para não ser rebaixado na Serie A. O beque conseguiu oferecer sua qualidade aos giallorossi e cumpriu a missão. Para dar um salto rumo a 2023/24, num clube de maiores ambições. Neste sábado, Umtiti foi apresentado como reforço do Lille.

Umtiti ficou sem contrato com o Barcelona há poucas semanas, depois de uma longa novela. A rescisão foi benéfica às duas partes: enquanto o clube alivia suas contas, o jogador não precisará ficar atrelado ao que chamava publicamente de “prisão”. Assim, o zagueiro estava livre para buscar um novo destino. As boas apresentações no Lecce auxiliaram o jogador de 29 anos a provar que ainda pode atuar em alto nível, independentemente das preocupações sobre suas condições físicas. E o Lille abre as portas para que o francês retorne ao seu país, bem como para que atue nas copas europeias. Os Dogues assinaram com Umtiti por duas temporadas. O defensor ficará à disposição na Ligue 1, na Copa da França e na Conference League.

O calvário de Umtiti

Umtiti possui uma experiência considerável no futebol francês. Cria da base do Lyon, o zagueiro disputou 170 partidas pelo clube, incluindo 131 pela Ligue 1. Foram cinco temporadas com os Gones, que consolidaram seu nome entre os zagueiros mais promissores da Europa e também o levaram para a seleção francesa. Umtiti ganhou a titularidade dos Bleus na Euro 2016, quando ainda atuava no país. Depois do torneio é que o beque partiu para o Barcelona, contratado por €25 milhões.

As duas primeiras temporadas de Umtiti no Barcelona foram boas. O zagueiro confirmou-se como um jogador sólido e capaz de corresponder em alto nível, mesmo atrapalhado pelas primeiras lesões. Já seu ápice aconteceu na Copa do Mundo. Umtiti foi titular da França em todo o ciclo e se tornou intocável dos Bleus no Mundial da Rússia. Formou uma dupla excelente com Raphaël Varane e teve papel decisivo, em especial pelo gol contra a Bélgica nas semifinais. Entretanto, o defensor atuou no torneio já no sacrifício por conta de uma contusão no joelho. Tal decisão de tomar infiltrações comprometeu a sequência de sua carreira.

Nas quatro temporadas seguintes, Umtiti disputou apenas 41 partidas por La Liga com o Barcelona. O zagueiro precisou ser operado, não conseguia ter sequências saudáveis e nem era mais confiável. O clube tentou dispensá-lo de alguma forma para cortar gastos, o que o francês naturalmente não aceitou, até assinar um novo contrato com maior duração e redução salarial. De qualquer maneira, sua carreira estagnou em relação a tudo o que conquistara. Não disputou nenhuma outra grande competição com a França. Viu de longe os antigos companheiros disputarem mais uma final de Copa do Mundo, fora das convocações desde 2019.

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O Lecce reergueu Umtiti

Estava claro como o recomeço de Umtiti precisaria ser num degrau abaixo do Barcelona. E a solução veio num ambiente ainda mais modesto do que o imaginado: o Lecce, um clube recém-promovido na Serie A e que não costuma ter grandes ambições. O negócio saiu porque o Barça pagava os salários. O zagueiro precisava de confiança e de tempo de jogo. Conseguiu tudo isso e muito mais, especialmente pela maneira como a torcida giallorossa o abraçou. Houve uma grande onda de carinho ao redor de Umtiti, especialmente por aquilo que representava a presença de um campeão do mundo num clube de rabeira da tabela.

Umtiti ainda não estava saudabilíssimo no Lecce e passou o início da temporada em recuperação, limitado ao banco de reservas. A partir do meio do primeiro turno, o zagueiro ganhou a posição. Seria um dos responsáveis pela sequência positiva dos giallorossi, que se distanciaram da zona de rebaixamento e cumpriram seu objetivo com a manutenção na Serie A. Umtiti não apenas se colocou entre as referências da equipe, algo esperado, mas também recuperou prestígio entre os melhores zagueiros da Serie A. Podia não ser mais o muro de 2018, mas indicava como deveria estar num patamar acima. Ao fim de seu empréstimo, o adeus dos italianos foi de agradecimentos pela passagem.

As perspectivas no Lille

O Lille não é um time de primeira prateleira na França, mas vem de um título recente e frequenta as competições europeias. Oferecerá um bom ambiente para Umtiti, que deverá ser uma das lideranças do elenco. Sempre resiste a dúvida do quanto o zagueiro aguentará em campo. No entanto, a sequência que teve no Lecce foi suficiente para valer a aposta. Se conseguir deslanchar na próxima Ligue 1, quem sabe recobre mesmo um espaço na rotação da zaga da França – por mais que a concorrência tenha subido bastante de nível nos últimos quatro anos, pela quantidade de beques que surgiram.

O Lille atualmente é treinado por Paulo Fonseca. Já entre as opções principais da zaga estão Tiago Djaló e o brasileiro Alexsandro, formado pelo Resende. Há uma lacuna no miolo da defesa deixada por José Fonte, entre os destaques do time campeão em 2020/21, que voltou a Portugal para defender o Braga nesta temporada. Umtiti é uma reposição em alto nível e com mais chão pela frente, se conseguir manter a toada em sua recuperação. Aos 29 anos, ainda pode ter uma longa estrada pela frente.

Entre os demais reforços do Lille, o destaque fica para o meia Hákon Arnar Haraldsson. O meia islandês de 20 anos chegou do Copenhague por €15 milhões, destaque no último título dinamarquês. O português Tiago Santos vira alternativa na lateral, outro jovem de 20 anos que custou €6,5 milhões do Estoril. Os Dogues ainda fecharam com Lisandru Olmeta, de 18 anos, que possui genes famosos no futebol francês – o goleiro é filho de Pascal Olmeta, arqueiro histórico do Olympique de Marseille multicampeão nos anos 1990. Outro garoto a desembarcar na equipe é Aaron Malouda, de 17 anos. O sobrenome também não é coincidência, filho de Florent Malouda. Já entre os que saíram, além de Fonte, Timothy Weah assinou com a Juventus e Jonathan Bamba foi para o Celta.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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