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Acredite se quiser: o Barcelona contratou um zagueiro

O Barcelona não gosta muito de gastar dinheiro com zagueiros. Nesta terça-feira, anunciou apenas o terceiro jogador dessa posição que veio de fora desde 2009, quando pagou € 25 milhões no ucraniano Chygrynskiy – talvez daí que venha o trauma. Samuel Umtiti, ex-Lyon, 22 anos, chega pelo mesmo valor, depois de defender a seleção francesa na Eurocopa.

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O zagueiro de origem perdeu prestígio durante a Era Guardiola no Barcelona. A dupla de zaga mais notória nesse período foi Piqué e Puyol, a mesma que levou a seleção espanhola ao título mundial de 2010. Com a decadência física e técnica do ex-capitão catalão, houve a expectativa de que o Barça fosse ao mercado trazer um defensor à altura do que estava prestes a se aposentar.

Guardiola tinha planos diferentes. Usou Abidal de zagueiro. Usou Adriano. Usou Busquets. Usou Mascherano. Chegou até a escalar um time sem nenhum zagueiro de origem para enfrentar o Sevilla. O argentino acabou oficializado na posição, da qual é titular absoluto até hoje em dia. Enquanto isso, defensores das categorias de base, como Muniesa e Bartra, foram perdendo espaço. O primeiro foi para o Stoke City, o segundo foi vendido, mês passado, ao Borussia Dortmund.

O Barcelona eventualmente trouxe Mathieu, do Valencia, e Vermaelen, do Arsenal, quando um menos ousado Luis Enrique assumiu o time, em 2014. Ambos, porém, são experientes (32 e 30 anos, respectivamente) e reservas. O belga até chegou com alguma expectativa, mas sofreu com as lesões e, em duas temporadas, soma 21 jogos pelo time principal.  Tudo isso ajuda a explicar por que Piqué, mesmo com queda de rendimento, seguiu quase intocável.

Praticamente todos os zagueiros do mundo foram especulados pela imprensa catalã, que especula quase todos os jogadores do mundo no Barcelona. Os líderes, porém, eram Marquinhos e Thiago Silva, do PSG, e Aymeric Laporte, do Athletic Bilbao. Mas quem venceu a corrida foi Samuel Umtiti, que tinha um acordo com Lyon para facilitar sua ida para o Camp Nou. “Prometemos que se ele pudesse jogar pelo clube do seu coração, ele sairia. Parte do acordo que fizemos, como havíamos feito com Benzema, quando ele foi para o Real Madrid”, disse o presidente do clube francês Jean-Michel Aulas.

Isso tornou Umtiti um bom negócio para o Barcelona, dentro de um mercado inflacionado. Mesmo com apenas 22 anos, ele tem 170 jogos pelo Lyon, 131 na primeira divisão francesa. Estreou quase adolescente, cinco temporadas atrás, e vem jogando regularmente há quatro anos. Custou apenas € 25 milhões, uma pechincha perto de outras transferências desta janela. O Manchester United, por exemplo, desembolsou € 38 milhões pelo zagueiro marfinense Eric Bailly, ex-Villarreal, que, com a mesma idade, tem apenas 40 jogos de elite europeia no currículo.

Com a epidemia de desfalques no setor – Varane, Sakho e Zouma não puderam ser convocados -, Umtiti recebeu sua primeira convocação justamente na Eurocopa. Estreou nas quartas de final, contra a Islândia, e disputou as três partidas de sua vida pela seleção francesa no mata-mata do torneio continental. Ganhou definitivamente a posição de Rami e também começou jogando contra a Alemanha e Portugal.

Ele chega, em princípio, para ser reserva de Piqué e Mascherano, preparando-se para assumir a posição no futuro. No entanto, reforça também uma grande fragilidade do Barcelona: o jogo aéreo. Umtiti, segundo números do Squawka, ganhou 91 duelos de cabeça na última Ligue 1, ou 72%. Mascherano em La Liga? 37 (60%). Piqué, 58 (62%).

Depois de tantas especulações, o Barcelona, enfim, contratou um zagueiro. E, mais do que isso, ao contrário de Vermaelen e Mathieu, contratou um zagueiro jovem e com potencial para ser titular durante muitos anos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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