Europa

Uefa articula fundo de US$ 7 bilhões para ajudar clubes com problemas financeiros

Segundo o New York Times, a ideia da Uefa é ajudar os clubes a reestruturarem suas dívidas com juros baixos e usará rendas futuras das suas competições como garantia

As brigas políticas no futebol europeu estão quentes, entre Superliga Europeia e ligas nacionais, presidentes de clubes pequenos, médios e grandes, mas há um ponto em comum entre todos – quase todos: seria bom se alguém encontrasse um saco de dinheiro em algum lugar. Parece que agora é a vez da Uefa que, segundo o New York Times, está articulando um fundo de auxílio a clubes com problemas financeiros no valor de US$ 7 bilhões, que seriam contraídos usando rendas futuras das competições europeias como garantia.

A necessidade por dinheiro é clara. Os clubes perderam mais de um ano de renda de bilheteria e matchday (que envolve não apenas o ingresso vendido, mas também restaurantes, compras na loja, etc, etc) e alguns tiveram que devolver grana para patrocinadores e emissoras de televisão. O mercado de transferências desacelerou, o Barcelona não conseguiu renovar contrato com Lionel Messi por causa do Fair Play Financeiro de La Liga e parece que apenas os clubes financiados por petróleo estão com capacidade de fazer grandes investimentos – e o Manchester United.

E quem oferece um bote salva-vidas acaba ganhando força nos bastidores. Liderados por Manchester United e Liverpool, o Big Six da Premier League tentou fazer isso com o Projeto Big Picture, que trocaria alívio financeiro imediato por mais poder a eles dentro da estrutura do futebol inglês. Depois, veio a Superliga Europeia, que também prometia grandes pagamentos que seriam divididos com toda a pirâmide. Na semana passada, La Liga fechou um acordo de cerca de US$ 2 bilhões com o fundo de investimentos CVC por 11% das receitas de televisão e comerciais no futuro. Barcelona, Real Madrid, Atheltic Bilbao e Oviedo foram contra.

A Uefa, segundo a reportagem do New York Times (do excelente repórter Tariq Panja), conversou com um fundo de investimentos sediado em Londres chamado Centricus, que esteve envolvido nas discussões para financiar o novo Mundial de Clubes da Fifa, mas está mais focada em um grupo de potenciais credores que inclui o Citigroup e o UniCredit. Os primeiros pagamentos seriam feitos aos clubes que se classificarem às suas competições – hoje em dia, há três: Champions League, Liga Europa e Conference League – porque a entidade garantiria o alívio financeiro relacionado a futuras premiações.

A participação da Uefa seria crítica para a operação porque permitiria que os bancos garantissem os empréstimos com as futuras receitas das competições europeias, no lugar dos balanços individuais de cada clube. De acordo com a matéria, esse acordo reduziria o risco aos bancos e também asseguraria juros mais baixos aos clubes. A Uefa determinaria quanto cada clube pode receber com base em um sistema de classificação que estimaria quanto cada um provavelmente receberia nos próximos anos.

A Uefa se recusou a comentar a proposta, mas o New York Times afirma que a discutiu com a Associação Europeia de Clubes (ECA, na singla inglês), um órgão que representa cerca de 200 clubes europeus e que é atualmente liderado pelo presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi. A entidade europeia pediu que a ECA sondasse os seus membros a respeito de suas necessidades financeiras. A preocupação mais imediata é com dívidas de transferências, prestações que devem ser pagas por contratações e cujo calote pode ter um efeito cascata porque muitos clubes pequenos e médios contam com esse dinheiro.

A ideia geral é permitir que os clubes reestruturem suas dívidas com juros mais baixos. Ainda não há detalhes sobre possíveis condições que a Uefa pode impor em troca dos empréstimos, mas, aceitando a derrota do Fair Play Financeiro como ele é atualmente instituído, ela planeja um novo sistema de controle financeiro. Segundo o The Times (de Londres, outro jornal), um teto salarial e uma “luxury tax” estão sendo estudados.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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