Europa

Sevilla deu trabalho, mas não conseguiu negar mais um troféu ao Manchester City de Guardiola

Nos pênaltis, o campeão da Tríplice Coroa Manchester City passou pelo Sevilla e conquistou a Supercopa da Europa pela primeira vez

O Sevilla encaixou um grande primeiro tempo e pelo menos conseguiu se segurar no segundo. Levou aos pênaltis a sua tentativa de negar mais um troféu a Pep Guardiola, mas, depois de oito cobranças perfeitas de pênalti, e de Kyle Walker quase errar a sua, Nemanja Gudelj carimbou o travessão, e o Manchester City conquistou a primeira Supercopa da Europa de sua história, após o empate por 1 a 1 no tempo normal no estádio Karaiskakis, em Atenas, casa do Olympiacos.

O City disputou a competição pela primeira vez porque nunca havia sido campeão da Champions League ou da Liga Europa, mas não poderá repetir o feito do Barcelona de Guardiola, que conquistou todos os títulos disputados em 2009 porque perdeu a Supercopa da Inglaterra para o Arsenal. Está classificado para o Mundial de Clubes, marcado para dezembro.

Gvardiol estreia como titular

Reforço mais caro da janela do Manchester City (até agora), Josko Gvardiol estreou como titular em Atenas, formando a defesa com Manuel Akanji, Nathan Aké e Kyle Walker, na lateral direita. Com a bola, foi Akanji quem assumiu a função de ajudar Rodri na saída de bola, como John Stones fez tantas vezes na última temporada. A ausência de Kevin de Bruyne abriu espaço para Phil Foden começar jogando pelo meio, com Cole Palmer pela direita, no lugar de Bernardo Silva, outro desfalque. José Luis Mendilibar praticamente repetiu os titulares da estreia em La Liga contra o Valencia. As duas mudanças foram as entradas de Joan Jordán e Óliver Torres nas vagas de Fernando e Suso, respectivamente.

Proposta do Sevilla funciona melhor

O Sevilla foi melhor no primeiro tempo, embora não tenha dominado a posse de bola. Eufemismo: teve apenas 26%, contra 74% do Manchester City. Mas o fato de que o melhor time do mundo passou tanto tempo trocando passes e criou tão pouco é uma evidência de que a proposta de Mendilibar funcionou muito bem. Até porque os espanhóis, além de sólidos na defesa, encaixaram bons ataques quase sempre que recuperaram a bola.

Lamela foi responsável pelo primeiro, carregando a bola pela meia-direita e batendo com a perna ruim, perto da trave. O City precisou de alguns minutos para impor seu domínio territorial e criou a melhor chance após uma cobrança curta de escanteio. Palmer cruzou pela esquerda, e Aké apareceu livre para cabecear. Uma testada firme e consciente, muito bem defendida por Bono. O goleiro marroquino também foi bem para espalmar a batida de fora da área de Grealish, aos 17 minutos.

Pouco depois, Bono fez a reposição pelo meio e conseguiu fazê-la passar por todos os homens do City que estavam no campo de ataque. Ocampos recebeu e ajeitou na ponta esquerda para Acuña dar um cruzamento preciso. En-Nesyri mostrou sua forte impulsão para subir mais alto que todo mundo e abrir o placar com a cabeça. Óliver Torres depois achou Lamela, para outra finalização meio torta, e o City terminou o primeiro tempo buscando cruzamentos, sem encontrar Haaland.

Manchester City reage

Haaland também não foi encontrado no segundo tempo, ao contrário de En-Nesyri. O centroavante marroquino teve a grande chance de encaminhar o título do Sevilla aos cinco minutos, quando recebeu o passe perfeito de Lucas Ocampos em contra-ataque e chegou batendo de primeira na entrada da área. Ederson fez uma grande defesa com as pernas. En-Nesyri teve outra oportunidade, menos clara, novamente em transição, mas acertou o lado de fora da rede.

Aos 10 minutos, Rodri quase achou Haaland, mas o cruzamento acabou completado pela cabeçada de Cole Palmer, que deslocou Bono para o gol de empate do Manchester City. Serviu para aplacar o susto que os ingleses haviam sofrido pouco depois do intervalo e, embora a dobradinha Ocampos e En-Nesyri tenha gerado outra situação clara, bem abafada por Ederson, o Manchester City cresceu.

Bem no jogo, Ocampos saiu mal pela esquerda. Cole Palmer recuperou, deixou Acuña com o traseiro no chão e bateu colocado, para ótima defesa de Bono. O City começou a intensificar a pressão, cercando a área do Sevilla. Haaland teve um chute bloqueado de dentro da área – seu único na partida – e um cruzamento de Kyle Walker passou por todo mundo na boca do gol.

Foi também na boca do gol onde Aké apareceu se jogando e cabeceou por cima do travessão. O City empurrou o Sevilla para trás nos minutos finais, tentando evitar a disputa de pênaltis. Uma batida de fora da área de Walker por cima do travessão foi a última oportunidade de isso acontecer.

No travessão

O problema de disputa de pênaltis em títulos que são legais, mas não exatamente super importantes, é que os jogadores ficam muito tranquilos e demora para alguém errar. Foi o que aconteceu em Atenas: as oito primeiras cobranças foram praticamente perfeitas. Haaland bateu cruzado de perna esquerda, Ocampos empatou com tranquilidade. Álvarez mandou por cima, e Rafa Mir o imitou. Ex-colegas de seleção croata, Kovacic e Rakitic converteram sem problemas. Grealish e Gonzalo Montiel – que bateu um pênalti bem mais relevante em dezembro – fizeram 4 a 4.

O primeiro a dar sinal de fraqueza foi Kyle Walker, que chutou rasteiro e cruzado. Bono acertou o canto e quase fez a defesa. No entanto, quem errou de verdade foi Nemanja Gudelj, que encheu o pé o travessão e deu ao Manchester City seu primeiro título da Supercopa da Europa.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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