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Rangers reviveu derrota em Ibrox e fantasma do fracasso, mas luta pelo acesso continua

Por Bruno Cassali*

A temporada perfeita do Rangers acabou. E cedo ou tarde iria acontecer, convenhamos. No primeiro enfrentamento contra uma equipe de primeira divisão na temporada, o Rangers sucumbiu diante do St. Johnstone pelo mesmo placar e vivendo um déjà vu particular em relação aos playoffs de acesso do ano passado. Porém, para Mark Warburton, técnico do Gers, a derrota por 3 a 1 na Copa da Liga deixará apenas marcas positivas.

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A temporada 2015/16, apesar da manutenção na Segunda Divisão, vem sendo positiva pro Rangers. O recorde de 11-11 dos azuis de Glasgow consistia em três vitórias na Petrofac Cup – torneio local que reúne equipes profissionais escocesas da segunda, terceira e quarta divisão, além dos campeões dos grupos Norte e Sul da quinta divisão –, um avanço na fase anterior da mesma Copa da Liga e o início de sete vitórias em sete jogos na Championship.

Pórem, Ibrox receberia na terça à noite o primeiro adversário da primeira divisão do Rangers no ano. Se tivesse opção de escolha antes do jogo, talvez Warburton e seus comandados optassem pelo St. Johnstone mesmo: o time de Perth tem a pior campanha como visitante na Scottish Premier League, com quatro derrotas nos quatro jogos que fez fora de casa até aqui. O cenário positivo se completava com um raro fim de tarde de sol em Glasgow e mais de 27 mil fanáticos apoiando o Rangers desde o começo do jogo.

Contudo, o fantasma de decisões em Ibrox pairou de novo sob o histórico alçapão azul. Na luta pelo acesso na última temporada, o Rangers recebeu o Motherwell em casa e foi surpreendido com um 3 a 1 dos visitantes. Entretanto, a coincidência com a noite de terça-feira não ficou apenas no revés de mesmo placar.

Rangers recebeu o St. Johnstone na Copa da Liga Escocesa (Foto: Bruno Cassali/Trivela)
Rangers recebeu o St. Johnstone na Copa da Liga Escocesa (Foto: Bruno Cassali/Trivela)

No final de maio, o Motherwell anulou os melhores jogadores do Rangers, Nicky Law e Haris Vuckic, potencializando seu jogo ofensivo em jogadas de contra-ataque com o veloz Lionel Ainsworth. Tommy Wright, técnico do St. Johnstone, repetiu a fórmula quatro meses depois – e ela funcionou de forma perfeita. Com laterais defensivos fortes (Shaugnessy e Easton), o Saints anulou as jogadas pelo lado do abusado Oduwa e do artilheiro do ano Waghorn, ambos emprestados ao Rangers por times ingleses, Tottenham e Wigan.

Além disso, o St. Johnstone contou com uma partida inspirada de seu trio definidor. Steven MacLean, vice-artilheiro do Campeonato Escocês com seis gols, deixou de calcanhar para o prata da casa Murray Davidson fazer o primeiro gol do Saints logo aos 17 minutos. Em jogada ensaiada de escanteio, David Wotherspoon rolou pra entrada da área ao invés de cruzar pelo alto. Ali estava Simon Lappin, meia-esquerda, que acertou um belo chute no ângulo da meta de Wes Foderingham: 2 a 0. Lappin não só foi autor de um golaço como anulou a principal jogada do Rangers no primeiro tempo: o apoio do lateral James Tavernier, vice artilheiro do time na Championship.

Como nos playoffs do ano passado, o jogo foi pro intervalo com o Rangers perdendo por 2 a 0. E como nos playoffs da temporada 2014/15, o Gers tomou um gol no contra-ataque logo no primeiro minuto do segundo tempo. Dessa vez, a obra foi assinada por Michael O’Halloran, que recebeu lançamento de MacLean, ganhou na corrida da dupla de zagueiros dos donos da casa e bateu colocado na saída do goleiro: 3 a 0.

Rangers enfrenta o St. Johnstone em casa, no Ibrox (Foto: Bruno Cassali/Trivela)
Rangers enfrenta o St. Johnstone em casa, no Ibrox (Foto: Bruno Cassali/Trivela)

Os fãs se entreolhavam nas arquibancadas de Ibrox incrédulos. Era o mesmo filme de quatro meses antes. E a invencibilidade na temporada estava a ruir. Nem o golaço de Tavernier, que passou por dois marcadores antes de acertar o ângulo de Alan Mannus foi capaz de mobilizar o Rangers para a virada. O Rangers perdeu a primeira no ano e está fora da Copa da Liga Escocesa.

Mark Warburton, responsável por esse começo de ano perfeito no comando do Rangers, afirmou na coletiva pós-partida que, apesar das coincidências, esse jogo não tem nada a ver com os playoffs vs. Motherwell. “O momento é diferente, são 11 jogadores e um técnico diferentes, não há porque tentar relacionar as coisas. A construção do resultado pode ter sido parecida, mas hoje vivemos um momento distinto em relação ao ano passado”, afirmou o treinador.

“Nós sabíamos que uma hora iríamos perder esse recorde positivo. Chegou agora em uma partida bastante feliz de nossos adversários”, finalizou Warburton, analisando o que os números do jogo apontam: foram 13×5 finalizações no jogo, mas o placar final apontou 3 a 1 para os visitantes. Já Tommy Wright, técnico do Saints, elogiou a velocidade de O’Halloran no terceiro gol, afirmando que o camisa 29 é o jogador mais rápido a atuar no Campeonato Escocês hoje em dia. “A temporada começou devagar, mas soubemos como marcar gols hoje mesmo tendo menos oportunidades. Não importa se são times de primeira ou segunda divisão. Hoje, voltamos pra Perth com a certeza de ter batido o Rangers em Ibrox, um dos grandes times da Escócia”, disse o orgulhoso Wright.

Com o Rangers fora, a única chance dos azuis enfrentarem times da primeira divisão – e assim quem sabe termos um Old Firm contra o Celtic ainda nesse ano – será na Copa da Escócia, que ainda está nas fases iniciais, com times amadores e da quinta divisão. Porém, em Ibrox, todos sabem que o objetivo é não falhar de novo ao acesso.

*Bruno Cassali (@brunocassali) é jornalista esportivo desde 2008 e atuou em coberturas esportivas no Rio Grande do Sul até novembro de 2014. Desde janeiro de 2015, mora em Edimburgo, capital da Escócia.

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