Quem é o jogador de futebol condenado a seis anos de prisão por tráfico de drogas
Quincy Promes, de 32 anos, foi condenado por estar envolvido no contrabando de dois carregamentos de cocaína para a Bélgica
O atacante do Spartak Moscou, Quincy Promes, foi condenado a seis anos de prisão por um tribunal holandês por seu envolvimento no tráfico de drogas. O jogador de 32 anos foi acusado de estar envolvido no contrabando de dois carregamentos de cocaína para a Bélgica, pelo porto de Antuérpia, em janeiro de 2020.
Os promotores inicialmente buscaram uma sentença de nove anos de prisão, mas o tribunal decidiu que o pedido se baseava em casos anteriores com punições severas.
– O suspeito aparece regularmente nos noticiários, é ativo nas redes sociais e tem fãs em todo o mundo. Não só as suas conquistas desportivas, mas também a riqueza que ostenta, fazem dele um exemplo para muitos e especialmente para os jovens – afirmou o juiz M. Vaandrager.
– Isto torna ainda mais questionável que o suspeito tente aumentar a sua riqueza (e possivelmente também o seu prestígio em certos círculos) através do envolvimento em grandes transportes internacionais de drogas.
Apesar de seu intenso envolvimento com o mundo do crime, Promes obteve sucesso no futebol. Ao todo, ele vestiu a camisa da seleção holandesa em 50 partidas e chegou a disputar a Eurocopa de 2020. No Ajax, também ganhou destaque.
Nesta temporada, Quincy entrou em campo 21 vezes em todas as competições pelo Spartak, marcou oito gols e deu a mesma quantidade de assistências. Ele ainda tem contrato com a equipe russa até junho deste ano.
Envolvimento no mundo do tráfico
Quincy Promes começou a ser investigado há alguns anos pelo envolvimento no tráfico internacional de drogas. Em 2019, ele se transferiu do Ajax para o Sevilla. Uma temporada depois, retornou para Amsterdã, onde a sua relação com o crime se intensificou.
Ele deixou Amsterdã em 2021 para ingressar no Spartak, em sua segunda passagem pelo time russo. No entanto, em maio de 2023, ele foi acusado Ministério Público holandês de traficar cocaína através de navios. O primeiro lote, que contabilizou 650 blocos de cocaína, estava escondido em sacos de sal. O segundo lote tinha o logotipo de um tigre estampado e pesava 712kg. Apenas o segundo foi interceptado pela polícia belga. Ele negou todas as acusações.
Em 24 de janeiro deste ano, Quincy não compareceu ao julgamento, permanecendo na Rússia para continuar jogando pelo Spartak. A decisão foi deferida sem a presença do réu.
Vale ressaltar que o atleta também não apareceu em um processo criminal anterior, do qual também foi considerado culpado. Em junho de 2023, ele foi julgado por esfaquear um de seus primo no joelho, em uma festa de família, após ter consumido grandes quantidades álcool.
Nunca antes um jogador de futebol holandês da estatura de Promes foi condenado por crimes tão graves. No entanto, uma análise das audiências judiciais sobre ele lança um holofote sobre o mundo dos jogadores de futebol envolvidos com esquemas de drogas na Holanda, principalmente Amsterdã.
De modo geral, Amsterdã é uma cidade muito segura, com baixos índices de criminalidade, ao contrário de municípios na Itália, que tem cidades que lideram o índice de criminalidade europeu, assim como a França. Porém, a relação mais liberal com as drogas, como a legalização da maconha, transformaram o porto belga em um destino quase certo para o tráfico.
Neste cenário, vale relembrar a morte de Kelvin Maynard, jogador que foi assassinado a tiros em Amsterdã. Um documento do Ministério Público local aponta que a morte de Maynard foi encomendada por um traficante já condenado na Holanda, chamado Piet Wortel, supostamente em vingança pelo roubo de 400 kg de cocaína.



