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Prince Boateng: “Em dois anos, gastei todo meu dinheiro com carros, baladas e falsos amigos”

Muitos dizem que Kevin-Prince Boateng é o irmão sem sorte. Enquanto Jérôme é titular no Bayern de Munique já há cinco anos e na seleção alemã, o mais velho só se reencontrou no futebol agora, nos Las Palmas. Sem espaço e com pouca moral no Milan, que o recuperou do Schalke, clube em que estava afastado do elenco, o meia migrou para La Liga para mostrar serviço desta vez. Em 11 jogos, apenas três derrotas e cinco gols marcados, sendo um deles uma verdadeira obra de arte. Agora, parece que mais do que a sorte, Prince Boateng trouxe à tona suas melhores características dentro e fora de campo. Uma delas é a humildade, que se fez presente durante a última entrevista que cedeu ao Marca.

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“Foi impossível lidar de forma boa com a fama. De um dia para o outro você percebe que tem tanto dinheiro que pode comprar tudo o que quiser. Em dois anos, gastei toda minha grama com carros, baladas, relógios, sapatos, restaurantes e amigos que, na realidade, não eram bem amigos. Para um cara como eu, que cresci em um bairro pobre e sem dinheiro, era perigoso”, desabafou o jogador quando perguntado sobre como costumava enfrentar sua popularidade, além de ter revelado que as únicas pessoas com quem mantêm uma amizade no meio esportivo são Sulley Muntari, que foi seu companheiro de time no Milan, e Patrick Ebert, com quem atuou no Hertha Berlim.

Boateng ainda aproveitou o bate-papo com o veículo espanhol para confessar que se arrepende de muitas escolhas que fez no passado, as quais, segundo ele, atrapalharam sua carreira. “Na vida, é muito importante admitir o que fez de mal. Antes eu era de uma forma, mas graças aos meus erros, sou como sou hoje. Antes era uma pessoa muito impulsiva, enquanto agora sou mais inteligente”, disse. “Quando era mais novo, eu não trabalhava muito, porque achava que meu talento era suficiente. Esse não era o caminho certo. Agora me arrependo de não ter trabalhado mais antes. Mas era normal nessa época. Eu era o ‘chefão’ do meu bairro. Tinha fama e dinheiro”, complementou o camisa 7 da equipe canario.

Apesar dos resultados em campo já exibirem uma mudança de comportamento apreciável, Boateng decidiu falar também sobre a postura que optou ter na Espanha. “Muito se falou quando vim para cá [Las Palmas] que tinha vindo por causa das festas. Se quisesse festa tinha ido para Milão ou para Londres. A minha vida já teve muita festa. Queria vir para aqui para demonstrar que jogador eu sou, e é por isso que trabalho todos os dias”, declarou. “Para mim, o mais importante agora não é mais o dinheiro. É estar aqui, onde eu finalmente encontrei tranquilidade e faço mais do que só trabalhar. Gosto muito de jogar nos Las Palmas e na Espanha. Aqui eu sou feliz”.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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