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Presidente da Uefa critica ideia da Fifa para Mundial de Clubes: “Mercantilismo cínico e implacável”

Uma guerra de poder está aberta no centro do futebol mundial. A Fifa e a Uefa estão em rota de colisão, depois da ideia de um Mundial de Clubes com 24 times e uma Liga Mundial de seleções, que poderia aumentar o calendário. Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, atacou os planos de Gianni Infantino, presidente da Fifa, mesmo sem citá-lo nominalmente, em uma reunião com os ministros do esporte da União Europeia, em reunião em Bruxelas.

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A Uefa é a confederação mais rica e influente dentro das seis que compõem a Fifa. É onde estão as principais ligas do mundo, os clubes mais ricos e a competição de maior prestígio, a Champions League. A entidade europeia é a principal adversária de uma ideia proposta à Fifa – e defendida por Infantino – de um Mundial de Clubes expandido, a cada quatro anos e com 24 times, e de uma Liga Mundial de seleções, que culminaria em um pequeno torneio a cada dois anos.

A pressa de Gianni Infantino em tratar do assunto não foi à toa. Um consórcio com empresas não reveladas ofereceu US$ 25 bilhões pelos direitos dos dois torneios, mas os poucos detalhes, as empresas misteriosas e a relutância dos europeus em ter mais competições em um já congestionado calendário criaram um problema para o presidente da Fifa, que teve que adiar uma reunião para tratar do assunto. A Fifa irá tratar no próximo congresso, em junho, mas a ideia parece longe de chegar a um consenso.

O presidente da Premier League, Richard Scudamore, já tinha deixado bastante clara a cisão entre a Fifa e os principais clubes e ligas do mundo. Presidente do Fórum Mundial de Ligas, Scudamore escreveu à Fifa, publicamente, dizendo que a abordagem da entidade “desafia todas as definições de melhores práticas e boa governança”. A Fifa sabia que precisaria de mais do que dinheiro para convencer ligas, clubes e a Uefa a abraçarem uma ideia tão nebulosa.

Ceferin, presidente da Uefa, se mostrou sempre bastante ponderado em relação aos assuntos que envolviam a Fifa, desde que assumiu o cargo na entidade. Desta vez, porém, o dirigente foi firme ao falar com os membros da União Europeia sobre a proposta da Fifa.

“Enquanto eu for presidente da Uefa, não haverá espaço para ir atrás de perseguir esforços egoístas ou esconder-se por trás de falsas pretensões”, afirmou. “Eu não posso aceitar que algumas pessoas que estão cegas pela busca do lucro estejam considerando vender a alma dos torneios de futebol a fundos privados nebulosos”, disse Ceferin. “O dinheiro não manda e o modelo de esportes europeu tem que ser respeitado. O futebol não está à venda. Eu não deixarei que ninguém sacrifique suas estruturas no altar de um mercantilismo altamente cínico e implacável”.

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A Uefa está trabalhando com as suas maiores ligas e com as associações de jogadores para diminuir o número de jogos que os jogadores disputam, e não aumentar. Por isso, segundo a entidade, a ideia de um Mundial de Clubes com 24 times parece uma loucura. Mais do que isso, o presidente da Uefa está preocupado com a diminuição da competitividade nas competições europeias e, portanto, a ideia de um torneio que despeje muito mais dinheiro aos clubes mais ricos não atrai o dirigente.

O esloveno pediu ajuda aos legisladores europeus e a ideia, segundo interlocutores de Ceferin, é que o futebol tenha permissão para criar uma exceção das leis comerciais, que protegem o livre comercia e movimento de trabalhadores dentro do bloco europeu, que tem 28 membros. “Por favor, nos ajudem a colocar uma iniciativa ambiciosa no caminho certo para o bem-estar geral do esporte”, pediu o presidente da Uefa.

A Uefa já possui uma ideia de Liga das Nações que começa ainda em 2018, depois da Copa do Mundo. A Fifa pretendia levar a ideia a uma escala global. A disputa entre Fifa e Uefa tem sido clara em diversos aspectos, mas desde que surgiu essa ideia que envolve o Mundial de Clubes parece ter sido um ponto de discordância grave entre as duas instituições.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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