PSG x Bayern pode ser marco para mudança no futebol e o que isso tem a ver com 60 minutos
O argumento de que jogos como esse deveriam ser padrão, e não excessão, reacende debates sobre o entretenimento no futebol
O 5 a 4 maluco entre Paris Saint-Germain e Bayern de Munique na última terça-feira (28), pelo jogo de ida das semifinais da Champions League, é um marco histórico. Não só por ter sido um dos grandes jogos da história recente do futebol, mas porque pode mudar o rumo do esporte.
Em uma partida de “trocação” constante e uma enorme reunião de talento ofensivo que fazia parecer com que duas das grandes defesas da Europa fossem fracas, ficou o questionamento: por que o futebol não tem jogos assim com mais frequência? E indo além: por que esse PSG x Bayern parece ser quase uma exceção ao padrão dos jogos atualmente?
O que os 90 minutos de PSG x Bayern representam no futebol atual e do futuro
A chuva de gols atrai a imensa maioria dos espectadores. Mas o que está por trás dela também anima se observarmos o futebol por uma ótica maior: talvez os estilos de Bayern e PSG reverberem no alto nível.
Duelos de alto nível como os de Vincent Kompany e Luis Enrique, dois treinadores que pensam o jogo com alguma similaridade — nas manipulações de espaços, pressão intensa e busca pelo domínio agressivo e vertical –, apesar das diferenças, podem fazer o futebol caminhar para um lado de entretenimento.
São dois times que querem impor seu jogo de forma até arriscada de tão agressiva (e também por isso o placar elástico) e mesmo que isso não faça o esporte ir a um denominador comum, pode popularizar ainda mais suas ideias.
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Isso nos levaria, por exemplo, a mais times com pressões intensas e incansáveis, o que exigiria trocas de posições cada vez mais caóticas para sair da marcação. Manipulações de espaços com opositores sendo arrastados pelo campo inteiro, como Alphonso Davies, que várias vezes foi parar no outro lado do campo para perseguir Désiré Doué.
Jogos assim ficam na memória da torcida, mas também dos colegas de profissão. Não é absurdo pensar que possa existir uma tendência para esse tipo de pensamento ser replicado cada vez mais. E isso pode levar o futebol a ter mais pensadores ousados, arriscados e que, mais do que vencer ou perder, entretêm.
Sem juízo de valor sobre qualidade ou o que é futebol bonito ou não, mas é inegável que, em média, times de técnicos como Kompany, Roberto De Zerbi, Fernando Diniz, José Alberto e Dick Schreuder rendem jogos com alto nível de entretenimento. E esse movimento pode fazer surgir mais deles.
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E por que os defensores dos jogos de 60 minutos podem se animar
Por outro lado, há também a visão macro. O 5×4 entre franceses e bávaros foi de grande intensidade por muito tempo, mas, mesmo com as investidas do Bayern, “amornou” nos últimos 15 ou 20 minutos. E esse foi um jogo muito intenso — a maioria não se mantém nesse nível pelos 90 minutos.
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Há o argumento de que jogos assim seriam mais comuns caso o futebol mudasse algumas de suas condições. A mais drástica e que possivelmente causaria mais impacto sem mexer tanto nas regras do jogo seria reduzir o tempo de jogo. É aí que defensores das partidas de 60 minutos podem se animar.
O futebol deveria caminhar pra ter mais jogos perto do nível desse PSG x Bayern como padrão, não excessão. Arsenal e Atlético de Madrid, por exemplo, que farão a outra semifinal da Champions, são criticados por um futebol menos vistoso e pragmático.
Não ter essa qualidade de entretenimento de forma constante tem afastado o público, principalmente os mais jovens. Para usar um exemplo nacional: segundo pesquisa do DataFolha, 54% dos brasileiros sequer pretendem acompanhar a Copa do Mundo — um desinteresse recorde.
O crescimento de formatos diferentes derivados do futebol, como a Kings League, também reforça isso: há uma busca por novidade para manter o público engajado. E 90 minutos (que, efetivamente jogados, são sempre menos do que 60), muitas vezes com intensidade aquém do esperado, não tem sido o suficiente.
A defesa dos jogos de 60 minutos vem pelo argumento de que, com tempo reduzido, há um incentivo aos times serem mais ofensivos: têm menos tempo pra vencer e, se sofrerem um gol, haverá menos tempo para recuperar o placar.
Eu vou bater nessa tecla para sempre, e peço desculpas se ficar chato: o futebol TEM que trabalhar para ter mais jogos como ESSE, e não só mais Bayern x PSGs.
É esse tipo de jogo que tira a cara das pessoas do TikTok.
— Bonsa (@brunobonsanti) April 28, 2026
Com 60 minutos pausados (como no futsal, em que o relógio para quando a bola está fora de jogo), mesmo que a duração do evento em si não diminua tanto, o tempo jogado ser menor definitivamente impacta. A cera não vai ser efetiva, por exemplo, e a urgência por vencer tende a ser maior.
Não é uma obviedade de que, com jogos de 60 minutos, duelos como os de PSG x Bayern seriam mais comuns. Mas é justo pensar que seria um caminho possível. Principalmente em um futebol que já está pedindo mudança.