Champions League

Como o Bayern faz temporada histórica ‘aprimorando’ tática do PSG que os eliminou no Mundial

Kompany e Luis Enrique bebem da mesma fonte, mas belga elevou ideia do PSG no Bayern

Nesta terça-feira (28), o Bayern de Munique visita o Paris Saint-Germain pelo jogo de ida da semifinal da Champions League. Nove meses antes, ainda no Mundial de Clubes, o PSG eliminou os bávaros nas quartas de final — e aquele jogo mudou o restante da temporada do gigante alemão.

Vincent Kompany começou o Mundial vencendo o modesto Auckland City por 10 a 0 e mostrou na competição um jogo de domínio e ofensividade sufocante. Mas, em comparação com o que acontece hoje, com diversas trocas de posição e “caos controlado”, é quase outro time. E isso se deve, em partes, a Luis Enrique.

Eliminação para o PSG moldou as ideias de Kompany

Mesmo que o jogo contra o Auckland não seja grande parâmetro, era possível perceber como o Bayern de Munique do Mundial era um time que colocava muitos jogadores na última linha de ataque para sufocar os adversários e mandá-los para trás. Mas era um time mais “guardiolista” clássico, diferente de hoje.

O PSG que os eliminou, no entanto, era o time histórico da temporada passada, que venceu tudo com uma ideia que foi além do Jogo de Posição mais usual. O time de Luis Enrique usava um trio de ataque móvel e com Ousmane Dembélé em alto nível como falso nove.

A ideia de esvaziar o meio de campo foi popularizada pelos franceses: os meias abriam para apoiar a construção pelo lado e Dembélé descia de sua posição puxando um marcador e se aproximava do centro do jogo. E isso criava um buraco para algum jogador do PSG atacar de frente e com espaço para progredir.

Foi assim que o PSG fez seu resultado grandioso contra o Liverpool na campanha da Champions League e foi esse padrão que chamou a atenção de Kompany. E o belga levou essa ideia a um passo ainda maior.

Luis Enrique, técnico do PSG, durante confronto com o Nantes
PSG de Luis Enrique é um dos favoritos à conquista da Champions League (Foto: Anthony Bibard/FEP/Icon Sport)

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A evolução da ideia de Luis Enrique no Bayern de Munique

Se meias abrindo e um atacante descendo causam dúvidas e abrem espaço na defesa, principalmente em um cenário onde há o crescimento da pressão individual. Isso exige que zagueiros saiam de suas posições e volantes persigam seus opositores, o que cria lacunas em campo para serem usadas.

Kompany foi além: no Bayern, não seria só um falso nove que desceria. A movimentação dos volantes, baixando para se aproximar dos zagueiros na construção, abre espaços no meio, que são rapidamente preenchidos pelos atacantes, geralmente Harry Kane e Serge Gnabry. Agora, os dois zagueiros adversários têm que tomar decisões:

  • Se acompanharem os atacantes do Bayern, deixarão espaço às suas costas, na região mais perigosa do campo;
  • Se não acompanharem, deixarão dois jogadores criativos e habilidosos livres;
  • Se não acompanharem, mas algum outro marcador deixar seu opositor para fechá-los, criará um efeito dominó em que constantemente haverá um homem livre para o Bayern.
Komapny comemora após o Bayern conquistar o títuloda Bundesliga (Foto:Thor Wegner/DeFodi Images/IconSport)
Komapny comemora após o Bayern conquistar o títuloda Bundesliga (Foto:Thor Wegner/DeFodi Images/IconSport)

O PSG multicampeão de 2025/26 também ficou conhecido por ser um time agressivo na pressão e vertical — outro ponto que Kompany elevou ainda mais. A eliminação do Real Madrid contra o Bayern é um exemplo claro: os dois gols no 2 a 1 da ida vieram com bolas recuperadas ferozmente no meio-campo, e o gatilho é óbvio: verticalidade instantânea.

A manipulação da marcação, principalmente para atrair defensores e liberar espaço na área adversária, é um dos grandes pontos do Jogo de Posição. E uma característica do Bayern é marcante nesse sentido: os pontas têm padrões de movimentos cruciais para abrir esses buracos.

Mesmo que os pontas sejam habilidosos em enfrentamentos individuais e muitas vezes caiam em situações de um contra um perto da linha lateral, há um padrão de infiltração rompendo as costas da defesa de dentro para fora. O ponta começa a jogada no meio para atacar em diagonal.

Isso puxa a marcação e abre espaço justamente na zona mais perigosa do campo: a entrada da área. Isso permite que meias, laterais e atacantes ocupem esse espaço e ataquem a área sem marcação.

São essas evoluções em uma ideia já provada de sucesso que fazem o sistema de Kompany tão perigoso. Um movimento cria espaço, e outro jogador o ocupa. Não necessariamente onde você espera, mas onde preocupa mais a defesa. E é por isso que o Bayern é tão difícil de defender: não é mais sobre posições, é sobre espaço.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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